Um "perigosa" suspeita de ser terrorista

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Menina de 6 anos no index dos EUA

Seleção argentina apoia Avós da Pça. de Mayo para o Nobel da Paz

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Seleção de Maradona é politizada

Matéria paga censurada pelo Financial Times

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Grande imprensa britânica não se comporta democraticamente

Barão de Itararé

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Pai da imprensa alternativa, um batalhador de causas justas e muito bem humorado

Crianças palestinas acorrentadas

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A foto fala por si só

Piñera y al fondo su mentor

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Será coincidência?

Manchete de jornal venezuelano em 1992

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El Nacional informa

Ministro Jobim não se dá ao respeito

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Em traje de campanha, Ministro da Defesa se exibe para a mídia

Personagens da época da Guerra Fria

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EUA patrocinou o golpe que derrubou Jango

Ingerência da CIA na Colômbia

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Uribe acabou e agora faz falta um outro de melhor aparência

Uribe no fim de linha

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Presidente colombiano é marionete dos EUA

Coca Colla boliviana

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Refrigerante competirá com a Coca-Cola na Bolívia

A importância da agroecologia

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Transgêniucos prejudicam a agroecologia

Uma publicação sintonizada no seu tempo

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New Left Review

Plataforma Ocean Guardian

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Objetivo é encontrar um mar de petróleo nas Malvinas

Cutrale a, a multinacional que tudo pode

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Alerta de Latuff

Uma visão sobre a impunidade

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O desejo de muitos brasileiros

Mais arte popular desconhecida do Haiti

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Visão de mulheres trabalhadoras haitianas

A pouco conhecida arte do Haiti

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As riquezas da cultura do Haiti

General Lazaro Cardenas y Fidel em 1959

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america latina

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a gente não se despede de mario benedetti

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um escritor imortal

boris casoy

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boris para o lixo

domingo, 25 de abril de 2010

(Brasil - Meio Ambiente) - Projeto ameaça rio Araguaia

Herança do falecido senador ruralista Jonas Pinheiro (DEM/MT), um projeto de decreto legislativo tramitando desde 2004 no Congresso ameaça o futuro do rio Araguaia e de seu afluente rio das Mortes.

Fonte: Associação Ambientalista Corrente Verde
Santa Maria da Vitória-Ba

Aldem Bourscheit

A proposta prevê obras como dragagens e explosões de rochas no leito dos mananciais, no Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Pará, para tentar transformá-los em hidrovias navegáveis durante todo o ano. As intervenções podem acontecer dentro ou à margem de terras indígenas e áreas destinadas à conservação ambiental.

A aprovação do projeto pode trazer efeitos colaterais, como a degradação dos rios e mais impulso ao desmatamento do Cerrado.

A proposta pretende facilitar o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste rumo ao porto de Itaqui, em São Luís (MA). O principal fornecedor de água pela margem esquerda do Araguaia é o rio das Mortes, onde o ex-parlamentar indica 550 quilômetros de “extensão potencialmente navegável”, de Nova Xavantina a São Félix do Araguaia, no Mato Grosso.

Já no Araguaia, ele aponta 1.230 quilômetros de “trechos navegáveis”, entre Aruanã, em Goiás, e Xambioá, no Tocantins. Os novos canais para escoamento de soja e carne tipo exportação ganhariam força com o asfaltamento de rodovias e ampliação da malha ferroviária entre Estreito e Imperatriz, no Maranhão, chegando ao porto através das ferrovias Norte-Sul e dos Carajás.

As estimativas levantadas à época em que o projeto chegou ao Senado eram de uma movimentação anual de aproximadamente 10 milhões de toneladas de cargas, “induzindo a ocupação econômica e social do Cerrado, especialmente mediante a criação de novos empregos na área da agroindústria, sem contar os impactos benéficos em outros segmentos de grande potencial na região, como, por exemlo, o ecoturismo”, diz a proposta (veja aqui). Um tipo de casamento que, no Brasil, costuma acabar em divórcio.

Por afetar reservas indígenas, o complexo arranjo depende de aval do Congresso. Segundo declarações de Pinheiro, a implantação do corredor vinha sendo “obstaculizada pela interposição de ações judiciais que têm impedido até mesmo a prévia realização dos estudos e projetos indispensáveis à efetiva execução das obras de melhoramentos que permitirão a utilização das vias navegáveis em larga escala. Tais ações têm sido embasadas em pressupostos de violação dos direitos constitucionais dos índios, visto que alguns trechos dos referidos rios 'cortam' terras indígenas”. No alvo, estão reservas e aldeias de Xavantes, Carajás, Tapirapés e Javaés, para as quais os rios são base de sobrevivência. Os impactos das obras, todavia, têm volume ainda maior.

Inconveniência natural

Mudando constantemente de traçado e carregando enormes quantidades de areia em seus 2.000 quilômetros de extensão, como apontou o geógrafo Aziz Ab´Saber em Os domínios de natureza do Brasil (2003), o Araguaia é um rio de planície fadado a poderoso assoreamento natural, com calado para navegação em média com menos de um metro de profundidade. Na estiagem, de abril a novembro, o nível é ainda menor, chegando a cerca de sessenta centímetros. Os custos da dragagem ininterrupta para manter trechos navegáveis seriam estratosféricos.

“Há vários inconvenientes para a implantação de uma hidrovia no Araguaia. Em dez anos de pesquisas, vimos mudanças importantes no rio, que está perdendo sinuosidade e muitas ilhas. O canal navegável se desloca de sete a onze metros por dia e tem profundidade média de um metro. Isso é produto da grande dinâmica do rio e dos sedimentos arenosos que transporta, por causas naturais, mas também muito pelo desmatamento, que atinge perto de 60% da sua bacia”, informou Maximiliano Bayer, geólogo, pesquisador em geografia física, dinâmica fluvial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Além disso, remoções de areia e explosões de rochas para tentar garantir a passagem de embarcações mudariam a velocidade e quantidade da água que o rio naturalmente transporta, afetando também a vida dos indígenas, a região do Bananal, onde está a maior ilha fluvial do mundo e o parque nacional do Araguaia, bem como o complexo de lagoas do Cristalino. Os prejuízos ao turismo, a populações e à conservação da biodiversidade são evidentes.

“Apenas entre Aruanã e Barra do Garças, seriam necessários oito derrocamentos (explosão e retirada de rochas), provocando grandes mudanças no rio, como no transporte de sedimentos e na vida aquática, trazendo ainda mais impactos negativos ao Araguaia”, apontou Bayer.

Como O Eco mostrou em março de 2008 (veja aqui), a região das nascentes, entre Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, vem sendo duramente prejudicada pela formação de imensas erosões. Desde a área próxima ao parque nacional das Emas, as chamadas voçorocas são encontradas em cerca de 5 mil quilômetros quadrados, principalmente em Mineiros e Santa Rita do Araguaia (GO), além de Alto Taquarí e Alto Araguaia (MT). As erosões levam toneladas de sedimentos para os leitos de córregos e rios que desaguam no Araguaia, e são provocadas pela insistente agropecuária em solos inadequados, associada ao desmatamento irrefreável do Cerrado.

Óleo e tartarugas

O escoamento da produção aconteceria principalmente durante a estiagem no Centro-oeste, com o nível baixo das águas, e por até 24 horas por dia, com barcaças passando a cada meia hora rio abaixo. Estudos conduzidos pela UFG e outras instituições de pesquisa em hidrovias mostram que manchas de óleo deixados na água pelas embarcações desnortearam tartarugas, fazendo-as perder as praias usadas para desova. Análises também apontaram que as obras transformariam trechos do Araguaia em “grandes lagos”, favorecendo peixes como tucunarés e piranhas, em detrimento de “grandes bagres”, como filhote e pirarara.

Outro argumento se refere à vocação natural do Araguai, que nasce em Goiás. Ele, historicamente, tem sido usado para o turismo e recreação. Isto garante a sobrevivência de milhares de famílias que vivem da atividade comercial, trabalhando em pousadas, conduzindo barcos com visitantes ou pescadores. A hidrovia daria cabo desses empregos, afinal. “O turismo, focado na pesca esportiva e na contemplação das belezas do rio seriam irremediávelmente comprometidos com a obra, contrariando planejamentos e esforços dos governos federal e estadual para fomentar o turismo na região”, disse Álvaro Coutinho dos Santos, escritor e voz ativa pela preservação do Araguaia desde 1967.

Ainda segundo ele, a hidrovia Araguaia/rio das Mortes pode ser evitada com investimentos em outros modais de transporte. Uma alternativa é ampliar a malha da ferrovia Norte-Sul no sudoeste goiano, mais positiva dos pontos de vista econômico e ambiental. “Ela (ferrovia) resolverá a questão da redução no preço dos fretes, principal argumento usado para a hidrovia do Araguaia”, comentou. Também é possível investir na duplicação das BR-153, entre Anápolis e Porangatu, e BR-060, entre Goiânia e Jataí.

Conforme Bayer, da UFG, o melhor caminho é respeitar e fazer uso econômico das características naturais dos rios. “Deveriam ser respeitadas as vocações das distintas regiões hidrográficas do Brasil, já descritas em planos estratégicos oficiais de recursos hídricos para cada bacia. No caso do Araguaia, a melhor opção é deixar o rio como ele está”, ressaltou.

Tramitação

O projeto da hidrovia que ameaça de morte o Araguaia é tocado agora pelo senador Gilberto Goellner (DEM/MT), que assumiu a vaga de Pinheiro após sua morte. Um relatório favorável à proposta já foi aprovado no início de março na comissão de Agricultura do Senado, com emendas de Goellner, e fixando prazo de 90 dias para que Funai e Ibama emitissem análises sobre a iniciativa.

O texto tramita agora na comissão de Constituição e Justiça, onde o relator é o senador Marconi Perillo (PSDB/GO), que não respondeu aos pedidos de entrevista. Ele é candidato ao governo de Goiás, estado que comandou em 2004, quando se posicionou cotrariamente à hidrovia. O mote de sua nova campanha é "Volta!"... O projeto ainda passará por outras duas comissões antes de chegar ao plenário do Senado. Se avançar tanto, dependerá em seguida da aprovação da Câmara dos Deputados.

Data da Publicação: 22.4.2010

Turquia - Genocídio dos armênios) - Turcos lembram pela primeira vez episódio histórico omitido

Obama fala em "atrocidades" sobre arménios mas evita dizer a palavra "genocídio"

Fonte: Jornaol PÚBLICO

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou este sábado (24) uma mensagem em que se refere aos massacres de 1,5 milhões de armênios, entre 1915-1917, pelos turcos do Império Otomano, como "uma das piores atrocidades do século XX". Mas não usa o termo "genocídio", que desagrada às autoridades da Turquia.

Em Istambul, turcos assinalaram pela primeira vez os massacres, em pelo menos três lugares da cidade, quebrando um tabu num país que rejeita a tese de genocício defendida pelos arménios.

Como candidato, Obama prometeu qualificar os massacres como genocídio, mas enquanto Presidente ainda não o fez, observaram as agências noticiosas, apesar de o inquilino da Casa Branca afirmar que não mudou de opinião. "A minha visão da História não mudou", disse na mensagem deste ano. "É do interesse de todos estabelecer plenamente e com franqueza os factos".
Os presidentes dos Estados Unidos divulgam tradicionalmente uma mensagem sobre o assunto na data do início dos massacres. "0s povos turco e arménio serão mais fortes se reconhecerem a sua história comum", disse o líder norte-americano.

O 95º aniversário acontece dois dias após o anúncio de uma interrupção no processo de reaproximação encetado nos últimos meses por Turquia e Arménia, com o Presidente arménio a acusar as autoridades de Ancara de colocarem condições inaceitáveis.

Os dois países assinaram em Outubro acordos que prevêem o restabelecimento de relações diplomáticas e a reabertura da fronteira, mas esses textos aguardam a aprovação dos seus parlamentos.

Manifestação na Praça Taksim

E sábado em Istambul, na Praça Taksim, centro da cidade, centenas de pessoas sentaram-se durante longos minutos no solo, com cravos vermelhos e velas nas mãos, antes de escutarem música arménia, segundo a descrição da AFP.

A manifestação foi promovida por intelectuais, protegidos por centenas de polícias, que tiveram de impedir pela força contra-manifestantes de se aproximarem. Para não chocarem mais os que contestaram a iniciativa, no texto evocativo dos massacres os organizadores usaram a expressão "grande catástrofe", em vez do termo "genocídio".

Em Ierevan, dezenas de milhares de arménios evocaram também o massacre, em manifestações onde, segundo os media turcos, foram queimadas bandeiras de Ancara.

A Turquia reconhece a morte de 300 mil a 500 mil pessoas, mas defende que foram vítimas do caos dos últimos anos do Império Otomano e não de uma campanha de extermínio.

Em Paris, milhares de pessoas - seis a a sete mil segundo os organizadores, 2600 de acordo com a polícia assinalaram o genocídio reconhecido, entre outros, por países como a França e o Canadá. Em Beirute milhares de arménios residentes no Líbano também assinalaram a data

Data da Publicação: 24.4.2010

sábado, 24 de abril de 2010

(Argentina - Meios de Comunicação) - jornalistas registram em mapa pressões de anunciantes e proprietários de veículos

O Fórum de Jornalismo Argentino (Fopea, na sigla em espanhol) publicou na internet um mapa interativo contabilizando 147 casos de agressão a jornalistas e ameaças à liberdade de expressão no país em 2009.

Fonte: Blog Chico Sant'Anna e a Info Com

As violações são separadas por mês, distrito, características do evento e tipo de agressor. A novidade é que, além do tradicional acompanhamento de ameaças e agressões físicas, o trabalho também registra casos envolvendo pressões feitas por anunciantes, proprietários de meios de comunicação, diretores de veículos públicos e funcionários.

Segundo o site Diarios sobre Diarios é a primeira vez que esses possíveis agressores entram em um levantamento desse tipo. Também há casos de negativa de acesso a informação pública.

"Observamos o crescente uso de verbas de publicidade oficial e privada para presionar e condicionar os meios de comunicação e jornalistas”, explica o Fopea. No entanto, segundo a organização, muitos desses casos não são difundidos por temor a represálias: “Ajudar a vencer esas barreiras é um objetivo central do monitoramento”.

Data de Publicação: 24.4.2010

(Haiti - História e Política) - As duas repúblicas do Haiti

“No Haiti há duas repúblicas, a república de Porto Príncipe e a república de fora. No Haiti, o campo é considerado como um país de fora”.
A declaração de Chavannes Jean Baptiste, coordenador do movimento
camponês MPP (sigla em kreyòl para Mouvman Peyizan Papay) pode soar
descomedida aos ouvidos estrangeiros. Para o observador local, entretanto,
trata-se da mais óbvia das conclusões.
\
Thalles Gomes, da Revista Fórum

Fonte: Agência Envolverde

O Haiti possui três rodovias nacionais. Todas saem de Porto Príncipe.O Haiti possui três universidades – uma estatal e duas particulares.Todas localizadas em Porto Príncipe. No Haiti, o acesso a energia elétrica se resume a algumas horas por noite. Mas, salvo raras exceções, é preciso estar em Porto Príncipe para usufruí-la. Se uma criança nasce em qualquer um dos 133 municípios haitianos, seus pais têm de viajar a Porto Príncipe para providenciar sua documentação, já que todos os serviços públicos e a estrutura administrativa do Estado estão concentrados na capital, dos cartórios ao palácio presidencial.

Se o país fosse essencialmente urbano, com a maioria da população concentrada na capital, a explicação seria simples. Não é o caso. 66% dos mais de 10 milhões de haitianos vivem no campo. Apenas 29% residem na região metropolitana de Porto Príncipe.

De república a réplica

'São francesas as nossas instituições, francesa a nossa legislação pública e civil, francesa a nossa literatura, francesa a nossa universidade, francesas as disciplinas de nossa escola’. Eis o que proclamava o embaixador do Haiti na França, M. Constantin Mayard, em discurso proferido no ano de 1938. É um primeiro vestígio para desvendar o porquê das duas repúblicas no Haiti.

A proclamação da independência em 1804 por Jean Jacques Dessalines não foi suficiente para rompuer os laços de dominação colonial francesa. Por mais de cem anos, os melhores filhos da elite haitiana foram educados em Paris e ao retornarem ao seu país tentaram construir uma réplica da civilização francesa na pequena ilha do Caribe. Para essa elite, como bem exemplifica o discurso do embaixador Mayard, a França “formou, com o molde de seu próprio gênero nacional, com o próprio sangue, a própria língua, suas instituições, seu espírito e seu solo, um tipo local, uma raça histórica, na qual a seiva da nação continua fluindo, para renová-la completamente”.

Herdeira da seiva francesa, essa raça histórica buscou reduzir o Haiti a
Porto Príncipe, ao centralizar o poder econômico e político, e Portob Príncipe a um reduto francês nas Índias Ocidentais. Não é à toa que até a vigente Constituição, promulgada em 1987, o francês era a única língua usada nos atos administrativos, nas escolas, nas universidades,nas missas, nos cinemas e até nos pronunciamentos presidenciais. Isso significava a exclusão da vida pública de todo haitiano que, não sabendo ler e escrever, só se comunicava em kreyòl – o que até o final do século XX representava 75% da população.

Forasteiros no próprio país

Enquanto a elite se embebedava da seiva francesa e via com bons olhos as
ocupações estadunidenses – o Haiti sofreu três intervenções militares dos Estados Unidos em menos de noventa anos –, os camponeses foram abandonados à sua própria sorte.

Sem o apoio do Estado, trabalhando como meeiros nas terras dos‘Grandon’ (latifundiários) e praticando uma agricultura rudimentar por falta de créditos e assistência técnica, os camponeses haitianos conseguiram garantir o abastecimento alimentar do país por mais de cento e cinqüenta anos após a independência.> Entretanto, o golpe de misericórdia veio em 1957, quando o ditador François Duvalier chegou ao poder sob os auspícios do governo estadunidense. Durante os 29 anos de ditadura militar – primeiro com François Duvalier e, a partir de sua morte em 1971, com seu filho Jean
Claude Duvalier – foram assassinados mais de 30.000 haitianos e a dívida externa do país subiu 40%, chegando aos dias de hoje à cifra de 1,3 bilhões de dólares.

Para piorar ainda mais a situação, a ditadura abriu as portas do país aos produtos alimentícios oriundos dos Estados Unidos – em especial, ao chamado ‘Arroz de Miami’. Até 1980, o Vale de Latibonit, maior produtor de arroz do Haiti, produzia 200 mil toneladas por ano, o suficiente para abastecer todos os cinco milhões de haitianos que habitavam o país na época. Depois da entrada do ‘Arroz de Miami’, mais barato por causa dos subsídios do governo estadunidense, a produção em Latibonit caiu vertiginosamente, chegando a atuais 76 mil toneladas por ano. O resultado desta abertura é que o país importa hoje 80% do arroz e 54% de todos os alimentos que consome.

Abandono

O terremoto que atingiu o Haiti em 12 de Janeiro de 2010 teve seu epicentro
na capital Porto Príncipe, mas suas conseqüências afetaram todo o país,
inclusive a zona rural. Além da perda de sementes que caíram precocemente
das plantas por causa do tremor, estima-se que entre 700 mil e um milhão
de pessoas migraram da capital para o campo.

Esse estrondoso êxodo urbano não foi seguido de um uma ajuda aos municípios que receberam as vítimas. O mesmo governo haitiano que incentivou a saída dos grandes centros urbanos não se preocupou com as conseqüências que o campo, já relegado, teria de arcar. Há municípios que triplicaram sua população após o terremoto. Muitas famílias camponesas aumentaram em 50% o número de pessoas em suas casas, e se viram obrigadas a usar para alimentação as sementes que estavam reservadas para o plantio.

De acordo com dados fornecidos pelo prefeito Touillo Pierre, o município
de Ti Rivye, localizado no departamento de Latibonit, recebeu 6.793 pessoas
depois do terremoto. A ajuda a esses migrantes ficou a cargo das próprias
famílias que os acolheram, já que o município não recebeu nenhum recurso do Estado. A única ajuda veio de uma ONG, a estadunidense WorldVision, que pincelou 500 das 6.793 pessoas para prestar ajuda humanitária. O prefeito Pierre não sabe informar os valores dessa ajuda, já que a atuação da ONG é autônoma e não presta contas a nenhuma instância da prefeitura.

É diante desse quadro de abandono que as organizações camponesas que compõem a Via Campesina haitiana questionam “Quando observamos o presidente Prèval falar de reconstrução, transformando-a na sua meta principal, nós não sabemos de que reconstrução ele está falando.. É a reconstrução da ‘república de Porto Príncipe’ somente?”

Reconstrução

Reunidos em assembléia no início de abril, os quatro movimentos haitianos
que compõem a Via Campesina no país – MPP (Mouvman Peyizan Papay), TK
Tét Kole Ti Peyizan Ayisyen), KROS (Kòdinasyon Rejyonal Òganizasyon Sidès), MPNKP (Mouvman Peyizan Nasyonal Kongrè Papay) – analisaram que “a situação do país, que já era precária antes de 12 de janeiro,se tornou insustentável depois do terremoto que abalou nossa nação, evidenciando a debilidade do Estado que não é capaz de reagir perante a condição em que o país se encontra”.

Denunciando a inércia do Governo de René Préval e do Primeiro-Ministro Jean-Max Bellerive, os camponeses temem que a catástrofe seja utilizada como desculpa para alterações constitucionais que permitam a um pequeno grupo se perpetuar no poder.

Para os movimentos, a reconstrução do país deve ser encarada como uma
oportunidade de descentralização do poder e dos serviços públicos que se encontram concentrados na capital Porto Príncipe e afirmam que “a produção nacional, em especial a produção agrícola e a reforma agrária, deve ser uma prioridade no plano de reconstrução”.

Falar em descentralização do poder no Haiti não significa, na opinião dos movimentos camponeses, resolver um mero problema de autonomia administrativa para municípios e departamentos. Mais que isso, significa a efetiva participação popular nas instâncias de poder e decisão..

Infelizmente para os movimentos camponeses, a participação popular não vem sendo a tônica desse processo. O Plano de Reconstrução do Haiti foi delineado bem longe do país, nos escritórios das Nações Unidas em Nova Iorque. Seus arquitetos, Estados Unidos e União Européia, mais preocupados em saber como suas empresas irão investir os U$ 5,3 bilhões a serem geridos pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional na reconstrução do país, não buscaram a opinião do povo haitiano.

De fato, a participação popular tem sido praticamente inexistente nos últimos anos no Haiti, já que o país sofre uma dupla ocupação militar. A primeira instituída em 2004 pela ONU através das tropas da MINUSTAH coordenadas pelo exército brasileiro.

A segunda, mais recente e numerosa, iniciada logo após o terremoto de 12 de Janeiro, quando mais de 12.000 soldados estadunidenses desembarcaram no país e, de pronto, tomaram para si o controle do porto e do aeroporto de Porto Príncipe sob a justificativa de facilitar a ajuda humanitária.

Passados mais de três meses da catástrofe, das ruínas ainda se exala um cheiro forte de morte, mas não se vê nenhuma movimentação por parte das tropas militares para a retirada dos escombros e dos corpos.

Diante de tantos soldados, interesses, empresas e nações, e sem a participação popular, a oportunidade de superar a cisão histórica que dividiu o Haiti entre a “república de Porto Príncipe” e a “república de fora” pode se perder. Mais que isso, se o processo de reconstrução seguir a trilha proposta pelos escritórios de Nova Iorque, é provável que todo o Haiti se transforme num “país de fora”.

Data de Publicação: 23/4/2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Brasil - Política e meios de comunicação) - De temporais e políticas: o morro não tem vez?

Mídia conservadora cobre tragédia das chuvas no Rio e Niterói de forma manipulativa e pouco jornalística

Por Osvaldo Maneschy (*)

Moro na Travessa Beltrão em Niterói e vivi a tragédia das chuvas torrenciais do dia 6 de abril último. Acordei naquela madrugada com o deslizamento a menos de 200 metros da minha janela de classe média, no 12° andar, que arrastou 11 casas e matou 13 pessoas. Naquele momento a única coisa que me veio à cabeça foi o temporal de janeiro de 1966, ao pé da pedra de Santo Inácio, no Saco de São Francisco, onde também morei. Os gritos, o desespero e a angústia dos sobreviventes foram iguais.

Dois dias depois (8/4) dessa madrugada difícil passei em frente ao Morro do Bumba duas horas antes de ele se desmanchar em parte, ampliando em dezenas o número das vítimas fatais em Niterói. Passei na estrada do Viçoso Jardim a caminho de Maria Paula porque naquele dia e naquela hora era a única opção para se chegar a Pendotiba e a Região Oceânica. Todos os outros acessos – inclusive a subida da Caixa d’Água, rodovia estadual - estavam fechados. Não havia opção.

Hoje, dias depois das tragédias, lendo jornais e vendo TV, não dá para ficar calado diante do esforço de alguns em responsabilizar por tudo o que aconteceu ao prefeito Jorge Roberto Silveira e as políticas públicas de Leonel Brizola. Puro oportunismo político que só tem repercussão no mau jornalismo: os niteroienses não merecem as acusações levianas ao prefeito que elegeram quatro vezes, muito menos a memória de Brizola – um homem que dedicou sua vida aos brasileiros desfavorecidos.

O fato de Jorge Roberto não ter tido a presença do prefeito Eduardo Paes que, bem assessorado, convocou coletiva para as cinco da manhã do dia 6/4 e pediu para os cariocas não saírem de casa; não significa que ele só governe para ricos, como o acusam ex-adversários derrotados nas urnas. Não existe pesquisa mais representativa do que voto e os pobres de Niterói sempre prestigiaram Jorge Roberto para desgosto desses falsos críticos – alguns surfando a tragédia agora – em declarações à mídia.

Jogar pedras, depois de escalar o “culpado”, é fácil. A agilidade de alguns em tentar se livrar de responsabilidades também explica muita coisa: como é que o Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Pedro Machado, afirma no “Globo” de 9/4 que a corporação fez duas vistorias no Morro do Bumba antes da queda, uma no dia anterior e a outra no próprio dia do desabamento, mas não interditou o lugar porque isso era tarefa da Defesa Civil municipal - que tem três funcionários e é comandada por um policial civil?

Como é que o jornal “O Globo”, que por três dias seguidos dedicou sua manchete principal aos acontecimentos de Niterói, sempre com acusações ao governo municipal e ao “populismo” brizolista, ignorou que o estudo preparado por professores da UFF sobre encostas problemáticas na cidade não citava o Bumba?

E por que o “Jornal Nacional” da Rede Globo de Televisão questionou e mostrou a milhões de telespectadores a maquete da torre projetada por Oscar Niemeyer, parte do Caminho que leva o nome do grande arquiteto que está sendo construído em Niterói, para desqualificar Jorge Roberto como prefeito e ser humano por ter, numa reunião com o governador Sérgio Cabral dia 7/4, solicitado “apenas” 15 milhões para os desabrigados enquanto pretendia gastar, só para erguer a torre, R$ 19 milhões?

Se isto não é editorializar noticiário, como a “Veja” também fez pondo em sua capa o Cristo Redentor em lágrimas por conta das chuvas e da “irresponsabilidade” das políticas de inclusão social de Brizola, não aprendi nada em minha vida de jornalista que começou quando tinha 12 anos e ainda estudava no Liceu “Nilo Peçanha”. Há carne embaixo desse angu, como diria o velho Raul Ryff, Secretário de Imprensa do Presidente João Goulart, que tive a honra de conviver na redação do velho JB.

André Fernandes, da Agência de Notícias das Favelas, em artigo publicado no “Globo” da última segunda (19/4), relatou algo que desconhecia: a Prefeitura do Rio, de olho nas Olimpíadas de 2016 e na Copa do Mundo de 2014, antes das chuvas torrenciais do início de abril havia pautado a remoção de 119 favelas. Agora, depois da tragédia que abalou o Brasil, aumentou o número de comunidades a serem removidas para 158.

Não sou contra a retirada de pessoas que vivem em áreas comprovadamente de risco. Mas é preciso andar devagar com o andor porque o santo é de barro. Percebo claramente que há pessoas enxergando na tragédia ótima oportunidade para botar para fora velhos planos de remoção de favelas. Se possível para bem longe dos bairros nobres do Rio de Janeiro.

Daí também, na minha suspeita opinião, esse trabalho sistemático de parte da mídia de tentar desconstruir politicamente o filho de Roberto Silveira, um dos herdeiros políticos do legado de Vargas, Jango e Brizola. Jorge é um campeão de votos, um trabalhista histórico e é aí que mora o perigo. Se Jorge não fosse quem ele é, não teriam interesse em expô-lo e obrigá-lo a se defender, até de qualquer jeito. Parece mais uma estratégia de marketing para creditar a Niterói o noticiário que deveria estar se ocupando do Rio de Janeiro, foco que não interessa diante da proximidade da Copa e das Olimpíadas.

Naquele final de tarde em que o Bumba desabou, vi um carro de som passar na Jerônimo Afonso avisando as pessoas de que a vida delas, bem maior que dispunham, estava em risco. Precisavam sair de casa por causa do perigo. Não adiantou. Muitas ficaram e morreram soterradas. Não sei se o carro de som era municipal, estadual ou de alguma associação de morador. O fato é que ele avisou a todos da tragédia antes que ela acontecesse e quem não seguiu a sua recomendação sofreu as conseqüências.

Neste momento em que os governos, todos, anunciam aos quatro ventos a remoção de famílias das áreas de risco, e também a construção de milhares de moradias populares para reassentamento dessas famílias, não é um bom momento para a sociedade discutir as questões envolvidas? Uma delas, básica, onde conseguirão morar, com o aluguel social de R$ 400,00 pago pelo governo estadual, as famílias que forem removidas das áreas de risco? Em outros barracos em outras encostas? Ou longe de seus trabalhos e das escolas de filhos?

Como resolver o problema? Qual é a saída?

Já se perguntaram por que as pessoas que sofreram com as chuvas e desabamentos, como os sobreviventes dos morros, estão voltando para suas casas inseguras agora que recomeçou a fazer Sol, mesmo estando sujeitas a remoção compulsória com o uso de força policial? Já se perguntaram por que essas pessoas fazem isto? Falta a elas amor à vida? São irresponsáveis com os seus filhos? Ou falta a elas opção melhor?

Que os poderes públicos, estadual e municipal, pensem bem nisto tudo antes de obrigarem os pobres a saírem de suas casas – construídas sempre com muito sacrifício, alguns depois de perderem bens como camas, fogões, geladeiras e tevês - sempre comprados à prazo.

Remover é fácil, garantir moradia decente e perto do trabalho para quem realmente precisa, é que é difícil. A política de remoção de favelas de Carlos Lacerda já foi para o lixo da história há tempos. Vila Kennedy, nunca mais.

(*) Osvaldo Maneschy é jornalista.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

(Israel-Cuba - Meios de comunicação) - Cuba, Israel e a midia

Comportamento diferenciado da mídiana prática desinforma sobre fatos que ocorrem em várias partes do mundo

Fonte: blog contextolivre (htttp://contextolivre.blogspot.com

Mais de sete mil palestinos realizam greve de fome.

São mais de 10 mil que sofrem nas masmorras israelenses.

Entre os presos, crianças, adolescentes e mulheres sem nenhuma acusação.

Resumindo:

1- Mais de seis mil presos são da Cisjordânia ocupada.

2- Mais de 400 estão dentro de Israel e Jerusalém oriental.

3- Mais de 700 são da Faixa de Gaza.

4- Mais de 33 são mulheres.

5- Mais de 300 são menores de 18 anos.

6- Mais de 800 foram condenados a prisão perpétua.

7- Mais de 600 foram condenados a 50 anos.

8- Mais de 40 foram condenados a 20 anos.

9- Mais de 130 foram condenados a 15 anos.

10- Mais de 250 foram condenados a mais de 10 anos.

11- Mais de 2.000 estão padecendo de doenças, dos quais160 em estado grave.

12- Mais de 20 estão com câncer e não recebem tratamento.

E sobre isso, nenhuma nota da mídia. E ainda tem gente que fala em liberdade de imprensa.

E no entanto, quando um cubano, apenas um, faz greve de fome, a grita da mídia e geral.

Se a mídia fica sabendo que um cubano faz greve de fome e não tem nenhuma informação sobre os milhares de palestinos, presos políticos- diga-se- a conclusão é apenas uma.

Cuba, em razão da liberdade total e plena, não consegue ocultar nenhuma informação;

Israel, uma ditadura onde nem a greve de fome de sete Mil palestinos consegue chegar a público.

Alguém discorda?

Data de Publicação: 21.4.2008

segunda-feira, 19 de abril de 2010

(Uruguay - Derechos humanos) - Las muchachas de abril

Un recuerdo sobre el asesinato de tres jovenes uruguayas hace 36 años por la ditadura

Fuente: Crysol Asociación de ex pres@s polític@s de Uruguay

Era 21 de abril de 1974.

En el barrio Brazo Oriental, como en tantos barrios de Uruguay,en aquellos años oscuros de la dictadura, la gente se refugiaba temprano en sus casas.

Desde el golpe militar de 1973, la vida de los uruguayos se fue alterando.

No era seguro andar por las noches en la calle, siempre se podía ser sospechoso de algo, un volante, una música inconveniente, un aspecto inadecuado podía ser un riesgo de ser demorado, detenido….torturado…

En el barrio Brazo Oriental, la noche estaba serena. Nadie podía presagiar la terrible tragedia que habría de suceder en la madrugada.

En el pequeño apartamento de la calle Mariano Soler, tres muchachas, Laura, Diana y Silvia, habrían preparado la cena y compartido charlas y emociones, en las que se entremezclarían –tal vez- sueños, temores y esperanzas….

Me gusta imaginarme que tal vez Silvia contó de su embarazo reciente, de la alegría que sentia por esta vida nueva dentro suyo, de su amor por Wáshinton, y también, de los miedos por el futuro incierto…. Y de la Esperanza, esa Esperanza grandota que las hermanaba a las tres, en un mundo nuevo, más libre, más justo…y para todos.

Me imagino que Diana, con sus enormes ojos brillantes plenos de luz, y su serena dulzura la tranquilizó, reforzando sus esperanzas.

Y me parece oir la risa cristalina de Laura, su alegre vitalidad cascabeleando entre ambas, como un bálsamo que despejara toda duda.

Me gusta imaginarlas asi, como eran, jóvenes, vitales, valientes, generosas-como son y serán por siempre en nuestro corazón….

Entonces, en aquella noche funesta del 21 de abril de 1974,en el ap.3 de la vivienda de Mariano Soler comenzó el infierno.

Algunos vecinos de apartamentos cercanos relatan :

...” de golpe me despiertan gritos y golpes terribles en las ventanas y puerta de entrada….Con mucho miedo me senté en la cama de un salto y comencé a entender lo que gritaban….

!!!Abran, abran,….somos las Fuerzas Conjuntas,…. abran que tiramos…!!!…”

“ ….. eran muchas voces y seguían golpeando y gritando como desesperados!.... Se oía el ruido de las ametralladoras y pensé que podían tirar contra las ventanas porque seguían gritando…."

"¡!!! Abran, abran que tiramos…..! "

..... “no entendíamos nada, mi madre dice que eran las 2.45 de la madrugada, nos parecía que eso no era una realidad, que era una pesadilla…..”

“... Al abrir la puerta, se abalanzaron una cantidad de militares con metralletas, que apuntaban a mis padres y a mí …. El patio estaba lleno de soldados que gritaban y corrían como locos…..”

Hubo una terrible balacera …… Los vecinos sintieron inermes como disparan hacia el apartamento de las jóvenes…. Después se hizo el silencio….y vieron como “sacaron los tres cuerpos en parihuelas,….eran como inmensas muñecas de trapo….ensangrentadas….”

Eran las jóvenes LAURA RAGGIO, DIANA MAIDANIC Y SILVIA REYES…

“.....ellos dijeron que fue un enfrentamiento-dice Horacio Raggio, uno de sus hermanos -pero a Laura la ejecutaron y a Diana la deshicieron….Yo ví a Laura con un balazo en la cabeza….y cuando la velábamos creí que se había teñido el pelo de rojo, pero era sangre. Tenía 19 años.”

"El operativo, según consta en el libro "Ovillos de la Memoria" estuvo a cargo del General Juan Rebollo, y participaron también también los Generales Julio César Rapella y Esteban Cristi, los Mayores Armando Méndez y José Nino Gavazzo, el Coronel Manuel Cordero y los entonces Capitanes Mauro Mouriño, Julio César Gutiérrez y Jorge Silveira..."

LAURA RAGGIO

Era una joven alegre, vital, positiva. Estudiante liceal, fue militante juvenil del Fer 68 y de una agrupación de base del MLN. Vivía en Malvín, con sus padres y tres hermanos varones. En 1972 estuvo unos meses detenida, en el 13º de Infantería .Cuando recobró la libertad,"....su casa, su barrio, eran una fiesta "...! Es querida y recordada por todo quien la conoció. Tenia, cuando la mataron tan sólo 19 años.

DIANA MAIDANIC

Diana era una joven generosa, inteligente, solidaria. Era estudiante avanzada de Sicología. Sensible a las injusticias que descubría en su entorno, fue militante estudiantil en el Fer 68 y en el Mov. 26 de Marzo de aquella época. Junto a Laura, compartiò unos meses en el 13º de Infantería. Amaba a los niños y con madurez y solvencia- fundó un Jardín de Infantes- El Globo Rojo-para niños de 2 a 5 años. Cuando la asesinaron tenía apenas 22 años.

SILVIA REYES

Era una joven dulce, valiente, sensible. Militante junto a su esposo-Wáshington Barrios-de una agrupación de base del MLN, compartió con Laura y Diana su casa, como un refugio cálido que las cobijara, en aquellos años tormentosos de dictadura. Embarazada de tres meses, plena de sueños y de proyectos vitales, fue también cobardemente asesinada, a sus jóvenes 19 años

Hoy, a 36 años de aquellos hechos, intentando elaborar el dolor de tan terrible matanza seguimos recordando y preguntándonos:

¿¿¿¿ por qué las asesinaron ¿???

¿¿¿¿¿ por qué semejante ferocidad con estas tres jóvenes militantes sociales ??????

De acuerdo a la Investigación sobre Terrorismo de Estado, dice el Historiador Alvaro Rico:

“El objetivo de la Dictadura Militar fue toda la población,…su objetivo inmediato fue el desmantelamiento de la oposición….pero tuvo otro a largo plazo, que tiene que ver con la reestructura de las relaciones sociales, las normas de convivencia, instalando la inseguridad, la desconfianza, el miedo…..”y que sigue operando hasta hoy día…..”

Había que sembrar el terror, había de ejemplarizar, seguir instalando el miedo, la desconfianza….la inmovilidad, que impidieran ,-que sigan impidiendo-toda forma auténtica de resistencia y organización a un modelo económico y cultural Neoliberal…..

Seamos o no conscientes, este dolor,….y tantos otros, están en nuestras vidas, condicionándolas,….impidiendo vínculos, dificultando relaciones, afectando nuestros cuerpos, limitando la concreción de nuestros auténticos proyectos y sueños alternativos.

¿ Cómo se sana una Sociedad ???

¿ Cómo elabora el dolor y supera sus miedos ¿????

¿ Cómo restablece sus proyectos de cambio ????

Recordar-atravesando el dolor-convocar la Memoria para desentrañar la Verdad de lo sucedido,y que haya Justicia, son los auténticos caminos- creemos- de Sanación, Individual y Social.

En estos días de Abril, diversas serán-suponemos- las iniciativas para recordar a las tres jóvenes asesinadas. La nuestra, apunta a ir encontrando colectivamente los caminos, que pasan sin duda por la Memoria y la Justicia.

Hasta ahora, no se ha podido investigar estos tres asesinatos, ninguno de los militares responsables de tan terrible crimen, se ha hecho cargo: lo impide la Ley de Caducidad.

Respetando el dolor aún inconsolable de sus familias y de sus amigos, los convocamos a conocer, a recordar, a difundir..... sus vidas, sus sueños,.....lo injusto de sus muertes.

El miércoles 21 de Abril, nos daremos con ellas-simbólicamente-un abrazo fraterno, en el que les prometemos y nos comprometemos, a trabajar para que su caso sea desarchivado y se pueda investigar, para que se pueda encontrar la Verdad, para que haya Justicia.

Para que Laura, Diana y Silvia y tantos otros compañeros sean reivindicados, para restablecer la confianza en nuestra capacidad de crear un mundo nuevo, más justo, más libre...más humano.

Fecha de Publicación: 19.4.2010