Um "perigosa" suspeita de ser terrorista

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Menina de 6 anos no index dos EUA

Seleção argentina apoia Avós da Pça. de Mayo para o Nobel da Paz

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Seleção de Maradona é politizada

Matéria paga censurada pelo Financial Times

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Grande imprensa britânica não se comporta democraticamente

Barão de Itararé

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Pai da imprensa alternativa, um batalhador de causas justas e muito bem humorado

Crianças palestinas acorrentadas

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A foto fala por si só

Piñera y al fondo su mentor

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Será coincidência?

Manchete de jornal venezuelano em 1992

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El Nacional informa

Ministro Jobim não se dá ao respeito

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Em traje de campanha, Ministro da Defesa se exibe para a mídia

Personagens da época da Guerra Fria

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EUA patrocinou o golpe que derrubou Jango

Ingerência da CIA na Colômbia

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Uribe acabou e agora faz falta um outro de melhor aparência

Uribe no fim de linha

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Presidente colombiano é marionete dos EUA

Coca Colla boliviana

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Refrigerante competirá com a Coca-Cola na Bolívia

A importância da agroecologia

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Transgêniucos prejudicam a agroecologia

Uma publicação sintonizada no seu tempo

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Plataforma Ocean Guardian

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Objetivo é encontrar um mar de petróleo nas Malvinas

Cutrale a, a multinacional que tudo pode

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Alerta de Latuff

Uma visão sobre a impunidade

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O desejo de muitos brasileiros

Mais arte popular desconhecida do Haiti

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Visão de mulheres trabalhadoras haitianas

A pouco conhecida arte do Haiti

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As riquezas da cultura do Haiti

General Lazaro Cardenas y Fidel em 1959

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america latina

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a gente não se despede de mario benedetti

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um escritor imortal

boris casoy

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boris para o lixo

sábado, 13 de novembro de 2010

(Chile Economia) - No Chile, há mais pobres hoje que em 2006

Governo Sebastián Piñera na prática acirra as desigualdades sociais  e os  problemas sociais se agravam

Fonte: Argenpress - divulgado por Carta Maior
Em um micro-ônibus da Transantiago havia um aviso fixado por algum usuário que dizia: "Se pago a passagem, não como". Essa é uma verdade do tamanho do sol em um pequeno país cujo PIB cresce a cerca de 6%, ao custo da mais dura desigualdade social, concentração econômica e exploração sem limite nem regulação alguma de seres humanos e natureza. Segundo dados oficiais, o Chile é hoje mais pobre que em 2006. Naquele ano, a pobreza alcançava 13,7% da população nacional, enquanto hoje esse índice é de 15,1%. E esses números, na verdade, são ainda maiores. O artigo é de Andrés Figueroa Cornejo.



Andrés Figueroa Cornejo - ARGENPRESS.info



Data: 12/11/2010

Publicado originalmente em Argenpress.Info



Enquanto Sebastián Piñera aproveita os últimos créditos político-midiáticos do espetacular resgate dos 33 mineiros da mina San José, Também em Copiapó, no dia 8 de novembro, Homero Aguirre e Daniel Lazcano, trabalhadores da mina de cobre Los Reyes, morreram em um novo acidente de trabalho. A exploração pertence à empresa Sociedad Legal Compañía Minera Del Sur.



Quando centenas de desempregados, dos milhares que ficaram na rua por ocasião do abrupto corte dos empregos emergenciais em Concepção – numa situação crítica logo após o terremoto e o maremoto de fevereiro de 2010 -, viajaram a Santiago e depois a Valparaíso para exigir a reabertura dos trabalhos emergenciais, o presidente Piñera anunciou as vigas mestras de sua agenda de governo batizada com pompa "Chile País Desenvolvido: Mais Oportunidades e Melhores Empregos". A fórmula piñerista simplesmente é uma extensão ampliada das políticas dos últimos governos da Concertação: aumentar o investimento no país, incentivos tributários para o reinvestimentos de pequenas e médias empresas e incentivo ao turismo.

Data da Publicação: 13.11.2010

A fantasia publicitária de converter o Chile em um país desenvolvido sobre pilares que intensificam a abertura econômica e o investimento transnacional sem travas nem impostos significativos só tornam o Chile mais dependente dos preços do cobre. Não é estranho que entre janeiro e outubro de 2010, o governo tenha autorizado um investimento histórico de capitais de mega corporações estrangeiras que chegou a 13,275 bilhões de dólares (mais de 200% em relação ao mesmo período de 2009), distribuídos assim: 83% para a exploração de cobre; 9,1% para serviços; 4% para os setores de eletricidade, gás e água; e 3,4% para comunicações.



Os preços do cobre estão em níveis extraordinariamente altos (como todas as matérias primas do continente) em função da demanda asiática, em especial da China. Isso, como já ocorreu em outros períodos, torna a economia chilena muito sensível ao destino das potências que hegemonizam o planeta. Neste contexto, aprofunda-se o perfil primário extrativista do país. Esses capitais estrangeiros migram segundo seu próprio capricho e de acordo com variáveis incontroláveis pelo Estado chileno. Além disso, geram pouco trabalho. Ou seja, se incrementa a natureza rentista do padrão de acumulação capitalista da classe no poder e se posterga a industrialização e a diversificação necessária ao país para impulsionar um projeto nacional e integral de desenvolvimento.



A classe dominante só persegue o lucro rápido e no curto prazo, hipotecando as bases genuínas de um país a caminho de um desenvolvimento democrático, alimentando uma estrutura econômica deformada, contra toda ideia de soberania, dramaticamente subordinada ao capital das economias centrais cujos objetivos estão muito longe de ser o bem estar e os interesses das maiorias nacionais.



Assim mesmo, com um desemprego estrutural "oficial" beirando os 10%, a simplificação na criação de microempresas – que, na maioria dos casos, são negócios familiares – é uma maneira desesperada de multiplicar o trabalho precário por conta própria em função da ausência de trabalho formal para absorver a força de trabalho desempregada. Aquelas pequenas e médias empresas que se dedicam a atividades produtivas, além disso, estão condenadas a vender seus produtos aos preços impostos por um mercado cada vez mais concentrado (a cadeia de supermercados Wal-Mart, que se chama Líder no Chile, é paradigmática neste sentido), com o agravante de ter que competir com mercadorias asiáticas cuja importação é livre.



E quando Piñera fala de "modernização do Estado", ele se refere simplesmente ao seu encolhimento, com o subsequente aumento do desemprego e menor fiscalização em todos os âmbitos. De fato, espera-se numerosas demissões para o final de novembro, no marco de uma dura negociação coletiva com os sindicatos do setor público que pedem um aumento salarial de 8,9%, sendo que, até agora, o governo só ofereceu um escasso 3,7% nominal.



A acumulação capitalista por meio do saqueio dos recursos naturais desta vez tem seu ponto duro no território do Lago Neltume, cujas comunidades mapuche resistem à construção do túnel de prospecção para a Central Neltume, propriedade da transnacional Endesa-Enel. Os mapuche denunciaram que a "Endesa-Enel invadiu nosso território, retirando-nos a água, apropriando-se dos direitos de aproveitamento contínuo dos bens de vários riachos que pertencem a famílias de nossa comunidade". Entre as maldições da prospecção está o fato de que a companhia "nos deixará sem nossas ervas medicinais ao elevar o caudal do lago Neltume, ervas que usamos desde tempos ancestrais e que, sem as quais, morreremos". Os mapuche dizem ainda que a Endesa-Enel "deve compreender que os seres humanos não são donos da natureza, mas sim parte dela, e que o dinheiro e o lucro não podem ficar acima dos direitos coletivos dos povos".



Os trabalhadores da terceira corporação de cobre privada que explora o mineral no país, Doña Inés de Collahuasi, estão em greve desde o dia 5 de novembro. A 4.500 metros de altura na região norte, o presidente do sindicato, Manuel Muñoz informou que a companhia, em 2010, terá investimentos de 3 bilhões de dólares, enquanto os trabalhadores estão exigindo 50 milhões de dólares em três anos, somando todas as suas demandas.



Em outro setor, os trabalhadores da construção civil que edificam o Hospital de Puerto Montt, no sul do Chile, cujas empresas selecionadas para a obra são Besalco, Moller y Pérez Cotapos, associadas no Consórcio Hospital de Puerto Montt, mobilizaram-se contra as más condições de segurança e higiene no interior de uma obra estatal. Os operários agrupados na Federação de Trabalhadores da Construção (Fetracoma), foram desalojados da obra com extrema violência por Forças Especiais de Carabineiros, com a anuência do governador da zona, Francisco Muñoz, da secretária regional do Ministério da Saúde, Mônica Winkler, e da secretária do Trabalho, Andrea Rosmanich, que conheciam perfeitamente as péssimas condições de trabalho na construção. 23 trabalhadores e dirigentes sindicais foram detidos pela polícia.



Segundo a Pesquisa de Caracterização Socio-Econômica 2009 (Casen), realizada pelo Ministério do Planejamento a cada 3 anos, o Chile é hoje mais pobre que em 2006. De acordo com os dados oficiais, em 2006 a pobreza alcançava 13,7% da população nacional, enquanto hoje esse índice é de 15,1%. Por regiões, a pesquisa aponta como líderes do ranking da miséria a região de La Araucanía, com 27,1%, a de Bio Bío, com 21%, a de Maule, com 20,8%, a de Los Ríos, com 20,4%, Atacama, com 17,4% e Coquimbo com 16,6%. As mulheres são mais pobres do que os homens (15,7% x 14,5%); e a população originária (indígena) mais pobre que a mestiça (19,9% x 14,8%).



Agora vem o importante. O corte ou linha de pobreza fixado pelo Estado é de 64 mil pesos por mês (128 dólares) para os que vivem nas cidades e de 43 mil pesos mensais (86 dólares) para os que vivem em zonas rurais. Ou seja, se no momento da realização da pesquisa a pessoa obtém um peso a mais que os mínimos assinalados, para efeitos estatísticos já não é mais considerada pobre. E a linha de pobreza é fabricada mediante uma misteriosa cesta "básica de alimentos por pessoa cujo conteúdo calórico e proteico permita satisfazer um nível mínimo de exigências nutricionais". Isto é, um conjunto de produtos alimentícios – cuja qualidade e origem não interessa – que um ser humano precisa para não desfalecer de inanição.



E mais. Com uma suposição fundada no cinismo mais abjeto, o informe da Casen indica que "se assume que os lares que conseguem cobrir adequadamente suas necessidades de alimentação satisfazem, ao mesmo tempo, os padrões mínimos das outras necessidades básicas". Por que se supõe que alguém que mal tem recursos para comer conta com recursos para ter acesso aos serviços básicos (moradia, eletricidade, água, gás telefone), à saúde, à educação, à seguridade social, à recreação, a um emprego estável e a um larguíssimo etcétera?



Que ciência apóia essa hipótese?



O Estado fixa a linha de pobreza em 64 mil pesos, em um Chile onde duas viagens no transporte público custam mil pesos, um quilo de pão outros mil pesos, uma mensalidade universitária mais de 200 mil pesos em média e o aluguel de uma habitação ou quarto com banho compartilhado custa entre 60 e 80 mil pesos/mês. Quantos chilenos ganham com seu trabalho – considerando um desemprego estrutural que não sai de 8 a 10% - menos de 350 mil pesos (700 dólares). Cerca de 70 ou 80% da população?



Resulta óbvio que a pobreza ou o empobrecimento da população do país é muito maior que 15,1%, e que esse número não é mais que um indicador colocado na vitrine para as agências avaliadoras de risco multinacionais que orientam o grande capital investidor para benefício de uma minoria rentista e grande proprietária.



Em um micro-ônibus da Transantiago havia um aviso fixado por algum usuário que dizia: "Se pago a passagem, não como". Essa é uma verdade do tamanho do sol em um pequeno país cujo PIB cresce a cerca de 6%, ao custo da mais dura desigualdade social, concentração econômica e exploração sem limite nem regulação alguma de seres humanos e natureza.



Tradução: Katarina Peixoto

(America Latina - Medios de Comunicación) - Declaración de la Cumbre Continental de Comunicación Indígena

Los pueblos originarios defenden la consolidación de medios proprios de comunicación y denuncian aciones de las classes dominantes en varios paises de America Latina

Fuente: Minga Informativa de Movimientos Sociales / La María Piendamó, Cauca, Colombia 2010.

A las hermanas y hermanos indígenas de todo el Abya Yala.

A los gobiernos de los estados nacionales y organismos internacionales

A toda la sociedad.

Cobijados en este territorio de convivencia, diálogo y negociación, bajó la guía de los espíritus de la Madre Tierra, Fuego, Agua y Viento, los comunicadores y comunicadoras, provenientes de diferentes pueblos y naciones indígenas del continente Abya Yala, en cumplimiento al Mandato establecido entre nosotros en Puno, Perú, a las orillas del lago sagrado

Titicaca, en la IV Cumbre Continental de los Pueblos y Nacionalidades Indígenas, después de enriquecedoras discusiones, análisis y experiencias vertidas durante los días 8 al 12 de noviembre del 2010.

Considerando:

Que la comunicación indígena sólo tiene sentido si la practicamos en el marco de nuestra cosmovisión, nuestra lengua y cultura, para dar a conocer a todos los pueblos y naciones del Abya Yala y al mundo, las luchas por nuestros territorios, por nuestros derechos, por nuestra dignidad e integridad y por la vida.

Que la comunicación indígena es un derecho que nos comprometemos a ejercer con autonomía, con profundo respeto a nuestro mundo espiritual, en el marco de la pluralidad cultural y lingüística de nuestros pueblos y nacionalidades.

Que la comunicación es un poder que debemos apropiarnos y ejercer para incidir en la sociedad y en la formulación de políticas públicas que nos garanticen el derecho de acceder a los medios de comunicación.

Declaramos
Establecer como espacio permanente a la Cumbre Continental de Comunicación Indígena del Abya Yala, como una minga del pensamiento y la palabra de la comunicación y como el espacio legítimo para:
• Compartir nuestras experiencias, problemas y aspiraciones en el campo de la comunicación y la formulación de estrategias al servicio de nuestros pueblos y naciones indígena en las luchas por el territorio, el pleno reconocimiento y vigencia de nuestros derechos por la vida y la dignidad.

• Construir una plataforma continental capaz de encaminar y articular nuestros esfuerzos, a nivel del continente Abya Yala, para que la comunicación indígena esté siempre al servicio de los Pueblos y
Nacionalidades Indígenas y de nuestras legítimas aspiraciones. Como primer paso decidimos establecer un enlace continental de comunicación indígena continental que articule las diferentes redes, procesos y
experiencias de los pueblos y naciones indígenas.

• Articular el esfuerzo continental de los comunicadores indígenas para exigir a los Estados nacionales el respeto al derecho a la comunicación y a la información, un marco legal normativo que fomente los sistemas de comunicación propios y la formación permanente en todos los niveles, de acuerdo a nuestra cosmovisión.

• Avanzar en los procesos de concertación con y en los organismos internacionales para desarrollar normativas que garanticen el pleno ejercicio de la comunicación indígena, teniendo en cuenta la Declaración Universal de las Naciones Unidas sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas, la Declaración y Plan de Acción de la Cumbre Mundial de la Sociedad de la Información, el Convenio 169 de la OIT y las leyes de países del continente que hayan avanzado sobre la materia.

Exigir a las Organización de las Naciones Unidas y a sus organismos, incluyan en sus agendas de trabajo el derecho a la comunicación e información de los pueblos y naciones indígenas a fin de que se respete y se cumpla la normativa internacional que favorece ese derecho.

Exigimos a los estados nacionales:

Respeto a los sitios sagrados indígenas de comunicación con la naturaleza, porque existen prácticas de apropiación y profanación por parte de multinacionales y de instituciones y oficinas gubernamentales.

Respeto a la vida de los comunicadores y comunicadoras indígenas y al ejercicio libre y autónomo de la comunicación indígena.

Una legislación que garantice que los pueblos y nacionalidades indígenas contemos con un espectro suficiente para cubrir las demandas de comunicación en todos nuestros territorios.

El acceso de manera libre, legítima y reconocida a recursos presupuestales para el ejercicio de la comunicación indígena y que se eliminen los impuestos a los medios de comunicación indígena sin fines
de lucro.

Frenar la agresión y el desmantelamiento a los medios de comunicación indígenas, porque es hoy una práctica cotidiana que lesiona y limita el ejercicio de la comunicación.

Crear dentro de sus respectivos ámbitos, una Comisión o Comité de Protección y Prevención de riesgos a comunicadores y comunicadoras indígenas.

Favorecer la legislación para proteger los derechos de propiedad intelectual y de autoría, en la producción en la comunicación indígena, para que el conocimiento tradicional indígena no se pierda, se conculque o se robe por los que tienen el poder de comprar la información.

Solicitamos a la reunión de Ministros que se efectuará próximamente en Perú para que se definan políticas públicas a favor de la comunicación indígena, desde el renglón de presupuestos hasta la capacitación y equipamiento de los medios.

Demandamos a los gobiernos y organismos internacional que se declare y esta Cumbre lo declara, el año 2012, como Año Internacional de la Comunicación Indígena.

Demandamos a los medios de comunicación públicos y privados:

Respeto a los pueblos y naciones indígenas en su línea editorial y en programación, porque reproducen prácticas discriminatorias a la imagen y a la realidad de los pueblos y naciones indígenas del continente, así como violenta y desvaloriza la identidad de nuestros pueblos.



Espacios en su programación para difundir valores culturales, lingüísticos, así como realidades socioculturales y políticas de los pueblos y nacionalidades indígenas del continente Abya Yala, para el
fomento a la interculturalidad, especialmente a través de contenidos elaborados por los y las comunicadores indígenas.

Denunciamos:

• La grave situación de violencia que estamos viviendo los pueblos originarios del amplio continente y en especial los pueblos de Colombia atormentados y violentados por las políticas estatales de genocidio, por los paramilitares, la policía y la guerrilla. No por casualidad ésta primera Cumbre Continental de Comunicación Indígena del Abya Yala se realizo en estas tierras. Uno de los casos más grave es la del Pueblo indígena Awa que en Colombia es asesinado por los distintos grupos armados que generan masacres, desapariciones, desplazamiento y despoblamiento. Las fumigaciones de la coca con glifosato por parte de las industrias causan enfermedades, alergias y un deterioro de la salud.

Hasta la fecha han sido asesinados 25 hermanos. En algunos casos han sido perpetrados por la guerrilla, pero también se ha podido comprobar la conexión del Ejército en estos hechos así como de su conexión con los grupos paramilitares, que se autodenominan AGUILAS NEGRAS y RASTROJOS, ya que ellos siempre operan en los mismos territorios. Las consecuencias de todo este accionar violento sobre el Pueblo Awa son catastróficas que amenazan con desaparecer a este pueblo originario.

• La persecución, hostigamiento y violencia que vivimos las comunicadoras y los comunicadores indígenas y comunitarios por parte de los grupos económicos de poder y de los gobiernos. Cuando queremos ejercer nuestro trabajo comunicacional y el derecho a la información,  las puertas de las instituciones estatales se cierran sin ninguna explicación siendo víctimas de discriminación y racismo.

• Los asesinatos de las y los comunicadores indígenas permanecen impunes. Por mencionar algunos casos relevantes: Rodolfo Maya, integrante de la Escuela de Comunicación (ACIN) del Cauca (Colombia), Mauricio Medina, indígena Pijao de Colombia; Teresa Bautista Merino y Felícitas Martínez Sánchez, Beatriz Alberta Cariño Trujillo (Mexico).

Pero nuestras hermanas y hermanos comunicadores asesinados no serán olvidados porque permanecen en nuestra memoria y luchamos por lograr justicia ante sus crimines.

• Se ha requisado material y violentado a comunicadores y cineastas no indígenas comprometidos con la vida de nuestros pueblos, y como ha sucedido en Chile, el Estado ha deportado y prohibido el ingreso al país de comunicadores y periodistas extranjeros que quieren conocer y transmitir la difícil situación de nuestros pueblos originarios.

• La violación de los derechos humanos de los Pueblos Indígenas generada  por las transnacionales mineras, petroleras, gasíferas y forestales que destruyen nuestros territorios, generan altos niveles de contaminación ambiental y un cruel impacto en nuestras culturas.

• En el denominado “Bicentenario” que los Estados latinoamericanos celebraron, los pueblos originarios no tenemos nada que festejar. Estos 200 años representan saqueo, ultraje, discriminación, racismo y genocidios por parte de los Estados hacia nuestros pueblos.


Fecha de Publicación: 12.11.2010

domingo, 7 de novembro de 2010

(Movimentos sociais - financiamento) - A fabricação da dissidência

Reflexão sobre financiamentos por parte de fundações de entidades e ongs com atuação nos movimentos sociais
Michel Chossudovsky*

"Tudo aquilo que a Fundação [Ford] fez pode ser considerado no âmbito de

"tornar o mundo seguro para o capitalismo, diminuindo as tensões sociais ao ajudar a socorrer os angustiados, a proporcionar válvulas de segurança aos raivosos e a melhorar o funcionamento do governo"

(McGeorge Bundy, conselheiro de Segurança Nacional dos Presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson (1961-1966) e Presidente da Fundação Ford (1966-1979).



"Ao pôr os fundos e o enquadramento político à disposição de muita gente preocupada e dedicada que trabalha no setor não lucrativo, a classe dirigente pode ir buscar líderes às comunidades de base, e pode tornar o financiamento, a contabilidade e os componentes de avaliação do trabalho tão demorado e oneroso que o trabalho de justiça social é praticamente impossível nessas condições"

(Paul Kivel, You Call this Democracy, Who Benefits, Who Pays and Who Really Decides, 2004, p. 122 )



"Na Nova Ordem Mundial, o ritual de convidar líderes da "sociedade civil" para os círculos interiores do poder - enquanto simultaneamente reprime os cidadãos comuns - satisfaz diversas funções importantes. Primeiro, diz ao Mundo que os críticos da globalização "têm que fazer concessões" para ganharem o direito de se misturar. Segundo, transmite a ilusão de que, embora as elites globais devam - no que eufemísticamente se chama democracia - estar sujeitas à crítica, governam legitimamente. E terceiro, diz "não há alternativa" à globalização: não é possível uma mudança radical e o mais que podemos esperar é negociar com esses governantes um ineficaz "dar e receber".

Mesmo que os "Globalizadores" possam adotar algumas frases progressistas para demonstrar que têm boas intenções, os seus objetivos fundamentais não são contestados. E o que esta "miscelânea da sociedade civil" faz é reforçar o coio da instituição empresarial, ao mesmo tempo em que enfraquece e divide o movimento de protesto. A compreensão deste processo de cooptação é importante, porque dezenas de milhares dos jovens mais íntegros em Seattle, Praga e Quebec [1999-2001] estão envolvidos nos protestos anti-globalização porque rejeitam a noção de que o dinheiro é tudo, porque rejeitam o empobrecimento de milhões e a destruição da Terra frágil para que alguns fiquem mais ricos.

Esta arraia-miúda e também alguns dos seus líderes merecem ser aplaudidos. Mas é preciso ir mais longe. É preciso contestar o direito dos "Globalizadores" a governar. Para isso é necessário repensar a estratégia do protesto. Poderemos mudar para um nível superior, desencadeando movimentos de massas nos nossos respectivos países, movimentos que transmitam a mensagem do que a globalização está fazendo às populações? Porque são eles a força que tem que ser mobilizada para contestar aqueles que pilham o Globo". (Michel Chossudovsky, The Quebec Wall, abril 2001)

A expressão "fabricação do consenso" foi inicialmente cunhada por Edward S Herman and Noam Chomsky.

A "fabricação do consenso" descreve um modelo de propaganda usado pelos meios de comunicação corporativos para manipular a opinião pública e "inculcar valores e crenças nos indivíduos…"

Os meios de comunicação de massas servem como um sistema de comunicação de mensagens e símbolos à arraia-miúda. É sua função divertir, entreter e informar, e inculcar nos indivíduos valores, crenças e códigos de comportamento que os integrarão nas estruturas institucionais da sociedade mais ampla. Para cumprir este papel num mundo de riqueza concentrada e de importantes conflitos de interesses de classe, é necessário uma propaganda sistemática. (Manufaturing Consent por Edward S. Herman e Noam Chomsky)

A "fabricação do consenso" implica a manipulação e a modelação da opinião pública. Institui a conformidade e a aceitação à autoridade e à hierarquia social. Procura a obediência a uma ordem social instituída. A "fabricação do consenso" descreve a submissão da opinião pública à narrativa dos meios de comunicação predominantes, às suas mentiras e maquinações.

"A fabricação da dissidência"

Neste artigo, concentramo-nos num conceito relacionado, ou seja, o processo de "fabricação da dissidência" (em vez do "consenso") que desempenha um papel decisivo ao serviço dos interesses da classe dirigente.

No capitalismo contemporâneo, tem que se manter a ilusão da democracia. É do interesse das elites corporativas aceitar a dissidência e o protesto como uma característica do sistema tanto mais que não ameaçam a ordem social instituída. O objetivo não é reprimir os dissidentes mas, pelo contrário, modelar e moldar o movimento de protesto, estabelecer os limites exteriores da dissidência.

Para manter a sua legitimidade, as elites econômicas favorecem formas de oposição limitadas e controladas, com vista a impedir o desenvolvimento de formas radicais de protesto, que podiam abalar as fundações e as instituições do capitalismo global. Por outras palavras, a "fabricação da dissidência" funciona como uma "válvula de segurança" que protege e sustenta a Nova Ordem Mundial.

Mas, para ser eficaz, o processo da "fabricação da dissidência" tem que ser cuidadosamente regulado e monitorizado por aqueles que são o alvo do movimento de protesto.

"Financiar a dissidência"

Como é que se consegue fabricar a dissidência?

Essencialmente, "financiando a dissidência", nomeadamente canalizando recursos financeiros daqueles que são o objeto do movimento de protesto para aqueles que estão envolvidos na organização do movimento de protesto.

A cooptação não se limita a comprar os favores de políticos. As elites econômicas - que controlam importantes fundações - também fiscalizam o financiamento de inúmeras Organizações Não Governamentais (ONGs) e organizações da sociedade civil, que historicamente têm estado envolvidas no movimento de protesto contra a ordem econômica e social instituída. Os programas de muitas ONGs e movimentos populares dependem fortemente de financiamentos de organismos públicos ou privados, incluindo as fundações Ford, Rockefeller, McCarthy, entre outras.

O movimento anti-globalização opõe-se a Wall Street e aos gigantes petrolíferos do Texas controlados por Rockefeller e outros. Mas as fundações e os organismos caritativos de Rockefeller e outros financiam generosamente redes progressistas anti-capitalistas assim como os ambientalistas (que se opõem ao Grande Petróleo) com vista a vir a fiscalizar e a modelar as suas diversas atividades.

Os mecanismos da "fabricação da dissidência" exigem um ambiente manipulador, um processo de braço de ferro e uma sutil cooptação de indivíduos do interior de organizações progressistas, incluindo coligações anti-guerra, ambientalistas e o movimento anti-globalização.

Enquanto que os meios de comunicação "fabricam o consenso", as elites corporativas utilizam a complexa rede de ONGs (incluindo segmentos dos meios de comunicação alternativos) para moldar e manipular o movimento de protesto.

Na sequência da desregulamentação do sistema financeiro global nos anos 90 e do rápido enriquecimento da instituição financeira, o financiamento através de fundações e instituições caritativas disparou. Ironicamente, parte dos ganhos financeiros fraudulentos de Wall Street nos últimos anos foram reciclados para fundações e instituições caritativas livres de impostos das elites. Estes ganhos financeiros inesperados não só foram usados para comprar políticos, como também foram canalizados para ONGs, institutos de pesquisa, centros comunitários, igrejas, ambientalistas, meios de comunicação alternativos, grupos de direitos humanos, etc. A "fabricação da dissidência" também se aplica à "esquerda corporativa" e aos "meios de comunicação progressistas" financiados por ONGs ou diretamente pelas fundações.

O objetivo encoberto é "fabricar a dissidência" e estabelecer as fronteiras duma oposição "politicamente correta". Por sua vez, muitas ONGs são infiltradas por informantes que atuam frequentemente por conta dos organismos de informações ocidentais. Além disso, um segmento cada vez maior dos meios noticiosos progressistas alternativos na internet passou a ficar dependente do financiamento de fundações corporativas e de organizações caritativas.

Ativismo fragmentado

O objetivo das elites corporativas tem sido fragmentar o movimento popular num enorme mosaico "faça você mesmo". A guerra e a globalização já não estão na linha da frente do ativismo da sociedade civil. O ativismo tem tendência para se fragmentar. Não há um movimento anti-guerra e anti-globalização integrado. A crise econômica não está sendo vista como tendo uma relação com a guerra liderada pelos EUA.

A dissidência foi compartimentalizada. São encorajados e generosamente financiados movimentos de protesto separados "orientados por assuntos" (por ex. ambiente, antiglobalização, paz, direitos das mulheres, alteração climática), em oposição a um movimento de massas coeso. Este mosaico já era prevalecente na manifestação contra as Cúpulas G7 e nas Cúpulas Populares dos anos 90.

O movimento anti-globalização

A Contra-Cúpula Seattle 1999 é invariavelmente considerada como um triunfo para o movimento anti-globalização: "uma coligação histórica de ativistas fez encerrar a Cúpula da Organização Mundial do Comércio em Seattle, a faísca que incendiou um movimento global anti-empresas". (Ver Naomi Klein, Copenhagen: Seattle Grows Up, The Nation, 13 de novembro, 2009).

Seattle foi de fato um marco importante na história do movimento de massas. Mais de 50.000 pessoas de diversas origens, organizações da sociedade civil, dos direitos humanos, sindicatos de trabalhadores, ambientalistas juntaram-se com um objetivo comum. O seu objetivo era desmantelar à força a agenda neoliberal incluindo a sua base institucional.

Mas Seattle é também um marco de uma mudança importante. Com a escalada da dissidência por parte de todos os setores da sociedade, a Cúpula oficial da Organização Mundial do Comércio (OMC) precisava desesperadamente da participação simbólica dos líderes da sociedade civil "por dentro", para dar exteriormente o aspecto de ser "democrática".

Embora tenham convergido milhares de pessoas a Seattle, o que se passou nos bastidores foi na verdade uma vitória para o neoliberalismo. Um punhado de organizações da sociedade civil, formalmente opostas à OMC contribuiu para legitimar a arquitetura comercial global da OMC. Em vez de contestar a OMC como um órgão intergovernamental ilegal, aceitaram um diálogo pré-Cúpula com a OMC e os governos ocidentais. "Participantes acreditados das ONG foram convidados a participar num ambiente amistoso com embaixadores, ministros do comércio e magnatas de Wall Street em vários dos eventos oficiais, incluindo os numerosos cocktails e recepções".(Michel Chossudovsky, Seattle and Beyond: Disarming the New World Order, Covert Action Quarterly, novembro 1999, Ver:Ten Years Ago: "Manufaturing Dissent" in Seattle).

A agenda oculta era enfraquecer e dividir os movimentos de protesto e orientar o movimento anti-globalização para áreas que não ameaçassem diretamente os interesses da instituição dos negócios.

Financiado por fundações privadas (incluindo a Ford, a Rockefeller, a Rockefeller Brothers, a Charles Stewart Mott, The Foundation for Deep Ecology), estas organizações "acreditadas" da sociedade civil passaram a funcionar como grupos de pressão, agindo formalmente em nome do movimento popular. Lideradas por ativistas conhecidos e empenhados, tinham as mãos atadas. Acabaram por contribuir (involuntariamente) para enfraquecer o movimento anti-globalização ao aceitarem a legitimidade do que era essencialmente uma organização ilegal, (o acordo da Cúpula de Marraqueche de 1994 que levou à criação da OMC em 1 de janeiro de 1995). (ibid).

Os líderes das Organizações Não Governamentais (ONGs) tinham plena consciência de onde é que vinha o dinheiro. No entanto, na comunidade das ONGs americanas e européias, as fundações e as organizações caritativas são consideradas como órgãos filantrópicos independentes, separados das corporações; nomeadamente a Fundação Rockefeller Brothers, por exemplo, é considerada como separada e distinta do império de bancos e empresas petrolíferas da família Rockefeller.

Com os salários e as despesas operacionais dependentes de fundações privadas, isso tornou-se uma rotina aceita: numa lógica distorcida, a batalha contra o capitalismo corporativo iria ser travada usando os fundos das fundações isentas de impostos, propriedade do capitalismo corporativo.

As ONGs foram metidas numa camisa-de-forças; a sua própria existência dependia das fundações. As suas atividades eram monitorizadas de perto. Numa lógica distorcida, a própria natureza do ativismo anti-capitalista era controlada indiretamente pelos capitalistas através das suas fundações independentes.

"Cães de guarda progressistas"

Nesta saga em evolução, as elites corporativas, cujos interesses são defendidos inexoravelmente pelo FMI, pelo Banco Mundial e pela OMC, financiam de boa vontade (através das suas diversas fundações e obras caritativas) organizações que estão na vanguarda do movimento de protesto contra a OMC e as instituições financeiras internacionais com sede em Washington.

Sustentados pelo dinheiro das fundações, foram colocados diversos "cães de guarda" nas ONGs para fiscalizar a implementação de políticas neoliberais, sem no entanto colocar a questão mais ampla de como é que os gêmeos Bretton Woods e a OMC, através das suas políticas, tinham contribuído para o empobrecimento de milhões de pessoas.

A SAPRIN (Structural Adjustment Participatory Review Network), foi fundada pelo Development Gap, uma USAID (Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional) e o Banco Mundial financiou a ONG com sede em Washington DC.

Amplamente documentada, a imposição do Programa de Ajustamento Estrutural FMI-Banco Mundial (SAP) aos países em desenvolvimento constitui uma forma escandalosa de interferência nos assuntos internos de estados soberanos em nome de instituições credoras.

Em vez de contestar a legitimidade da "medicina econômica letal" do FMI-Banco Mundial, a organização central da SAPRIN procurou estabelecer um papel participativo para as ONGs, de braço dado com a USAID e o Banco Mundial. O objetivo era dar um "rosto humano" à agenda política neoliberal, em vez de rejeitar liminarmente o enquadramento político do FMI-Banco Mundial:

"A SAPRIN é a rede global da sociedade civil que foi buscar o seu nome à Structural Adjustment Participatory Review Initiative (SAPRI), que foi lançada com o Banco Mundial e o seu presidente, Jim Wolfensohn, em 1997.

A SAPRI destina-se a um exercício tripartido para reunir organizações da sociedade civil, os seus governos e o Banco Mundial numa análise conjunta de programas de ajustamento estrutural (SAPs) e na exploração de novas opções políticas. Está legitimando um papel ativo para a sociedade civil na tomada de decisões econômicas, já que lhe compete indicar áreas em que são necessárias mudanças na política econômica e no processo de implementar políticas econômicas. (http://www.saprin.org/overview.htm - website da SAPRIN).

Do mesmo modo, o Observatório do Comércio (anteriormente WTO Watch), que opera a partir de Genebra, é um projeto do Instituto para a Política de Agricultura e Comércio (IATP), com base em Minneapolis, que é generosamente financiado pela Ford, Rockefeller, Charles Stewart Mott, entre outros (ver Quadro 1 abaixo).

O Observatório do Comércio tem por função fiscalizar a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Acordo de Comércio Livre Norte-americano (NAFTA) e a proposta Área de Comércio Livre das Américas (FTAA). (IATP,About Trade Observatory, setembro 2010).

O Observatório do Comércio também pretende melhorar dados e informações assim como estimular a "governação" e a "responsabilidade". Responsabilidade em relação às vítimas das políticas da OMC ou responsabilidade para com os protagonistas das reformas neoliberais?

As funções de cão de guarda do Observatório do Comércio não ameaçam de modo algum a OMC. Muito pelo contrário: a legitimidade das organizações e dos acordos comerciais nunca são postas em questão.

Quadro 1 - Principais doadores ao Instituto para a

Política Agrícola e Comercial Minneapolis (IATP)

Doadores EUA dólares Período

Fundação Ford 2.612.500 1994-2006

Fundo Rockefeller Brothers 2.320.000 1995-2005

Fundação Charles Stewart Mott 1.391.000 1994-2005

Fundação McKnight 1.056.600 1995-2005

Fundação Joyce 748.000 1996-2004

Fundação Bush 610.000 2001-2006

Fundação Família Bauman 600.000 1994-2006

Fundo Proteção Grandes Lagos 580.000 1995-2000

Fundação John D. & Catherine T. MacArthur 554.100 1991-2003

Fundo John Merck 490.000 1992-2003

Fundação Harold K. Hochschild 486.600 1997-2005

Fundação Deep Ecology 417.500 1991-2001

Fundação Jennifer Altman 366.500 1992-2001

Fundação Rockefeller 344.134 2000-2004



Fonte: http://ativistcash.com/organization_financials.cfm/o/16-institute-for-agricultura-and-trade-policy

O Fórum Econômico Mundial. "Todos os caminhos vão dar em Davos"

O movimento popular foi assaltado. Intelectuais escolhidos, executivos sindicais, e líderes das organizações da sociedade civil (incluindo a Oxfam, a Amnistia Internacional, o Greenpeace) são sistematicamente convidados para o Fórum Mundial Econômico de Davos, onde se misturam com os atores econômicos e políticos mais poderosos do Mundo. Esta mistura de elites corporativas do mundo com "progressistas" escolhidos a dedo faz parte do ritual subjacente ao processo de "fabricação da dissidência".

A tática é escolher a dedo seletivamente líderes da sociedade civil "em quem podemos confiar" e integrá-los num "diálogo", isolá-los das suas bases, fazer com que eles se sintam "cidadãos globais" agindo no interesse dos trabalhadores seus colegas mas fazendo com que eles ajam de modo a servir os interesses da instituição corporativa:

"A participação de ONGs no Encontro Anual em Davos é uma prova de que procuramos intencionalmente integrar um largo espectro dos principais participantes na sociedade para… definir e impulsionar a agenda global… Acreditamos que o Fórum Mundial Econômico [de Davos] proporciona à comunidade dos negócios o enquadramento ideal para se empenhar num esforço colaborativo com os outros participantes principais [as ONGs] da economia global para "melhorar o estado do mundo", que é a missão do Fórum. (Fórum Mundial Econômico, Comunicado à Imprensa 5 janeiro 2001)

O FME não representa a comunidade de negócios mais ampla. É um grupo elitista: Os seus membros são gigantescas corporações globais (com um mínimo de 5 bilhões de dólares de volume de negócios anual). As organizações não governamentais (ONGs) selecionadas são consideradas como "participantes" parceiros assim como um conveniente "porta-voz para os que não têm expressão que ficam quase sempre fora dos processos de tomada de decisões". (World Economic Forum - Non-Governmental Organizations, 2010)

"[As ONGs] desempenham uma série de papéis na parceria com o Fórum para melhorar o estado do mundo, incluindo servir de ponte entre os negócios, o governo e a sociedade civil, ligando os políticos às bases, pondo soluções práticas em cima da mesa…" (ibid).

Uma "parceria" da sociedade civil com corporações globais em nome dos "que não têm voz", que são "deixados de fora"?

Também são cooptados executivos sindicais com prejuízo para os direitos dos trabalhadores. Os líderes da Federação Internacional dos Sindicatos (IFTU), da AFL-CIO, da Confederação dos Sindicatos Europeus, do Congresso do Trabalho Canadense (CLC), entre outros, são sistematicamente convidados para assistir tanto às reuniões anuais do FME em Davos, na Suíça, como às Cúpulas regionais. Também participam na Comunidade de Líderes Trabalhistas do FME que se concentra em padrões mutuamente aceitáveis de comportamento para o movimento dos trabalhadores. O FME "acredita que a voz do Trabalho é importante para um diálogo dinâmico sobre as questões da globalização, da justiça econômica, da transparência e responsabilidade, e garante um sistema financeiro global saudável".

"Garante um sistema financeiro global saudável" eivado de fraudes e corrupção? A questão dos direitos dos trabalhadores nem sequer é referida. (World Economic Forum - Labour Leaders, 2010).

O Fórum Social Mundial: "É possível outro mundo"

Em muitos aspectos a Contra-Cúpula de Seattle 1999 estabeleceu os alicerces para o desenvolvimento do Fórum Social Mundial.

A primeira reunião do Fórum Social Mundial (FSM) realizou-se em Janeiro de 2001, em Porto Alegre, Brasil. Esta reunião internacional envolveu a participação de dezenas de milhares de ativistas de organizações de bases de e de ONGs.

A reunião do FSM de ONGs e organizações progressistas realiza-se simultâneamente com o Fórum Econômico Mundial (FEM) de Davos. Destinava-se a dar voz à oposição e à dissidência em relação ao Fórum Econômico Mundial de líderes corporativos e de ministros das finanças.

No início, o FSM foi uma iniciativa da ATTAC de França e de várias ONGs brasileiras:

"… Em fevereiro de 2000, Bernard Cassen, chefe duma ONG francesa, a plataforma ATTAC, Oded Grajew, chefe duma organização de empregadores brasileiros, e Francisco Whitaker, chefe duma associação de ONGs brasileiras, reuniram-se para discutir uma proposta para um "evento mundial da sociedade civil"; em março de 2000, asseguraram formalmente o apoio do governo municipal de Porto Alegre e do governo estatal de Rio Grande do Sul, ambos controlados na época pelo Partido dos Trabalhadores Brasileiros (PT)… Um grupo de ONGs francesas, incluindo a ATTAC, os Amigos do L'Humanité e os Amigos do Le Monde Diplomatique, patrocinaram um Fórum Social Alternativo em Paris intitulado "Um Ano Após Seattle", a fim de preparar uma agenda para os protestos a ser encenados na Cúpula da União Européia em Nice, que se aproximava. Os oradores apelaram à "reorientação de certas instituições internacionais tais como o FMI, o Banco Mundial, a OMC… a fim de criar uma globalização a partir de baixo" e à "implementação de um movimento internacional de cidadãos, não para destruir o FMI, mas para reorientar as suas missões". (Research Unit For Political Economy, The Economics and Politics of the World Social Forum, Global Research, 20 de janeiro, 2004)

Desde o início em 2001, o FSM foi sustentado por um financiamento substancial da Fundação Ford, que, como se sabe, tem ligações com a CIA que remontam aos anos 50: "A CIA usa fundações filantrópicas como a via mais eficaz para canalizar grandes somas de dinheiro para projetos da Agência sem avisar os recebedores quanto à sua origem". (James Petras, The Ford Foundation and the CIA, Global Research, 18 de setembro, 2002)

O mesmo procedimento de Contra-Cúpulas ou Cúpulas Populares com fundos doados, que caracterizou as Cúpulas Populares dos anos 90, foi utilizado no Fórum Social Mundial:

"… outros fundadores do FSM (ou 'parceiros', conforme são designados na terminologia do FSM) incluíam a Fundação Ford - basta dizer aqui que esta sempre funcionou na mais estreita colaboração com a CIA e com os interesses estratégicos em geral dos EUA; a Fundação Heinrich Boll Foundation, que é controlada pelo partido alemão Os Verdes, um parceiro no atual [2003] governo alemão e apoiador das guerras na Iugoslávia e no Afeganistão (o seu líder Joschka Fischer é o [antigo] ministro alemão dos negócios estrangeiros); e importantes organismos financiadores como o Oxfam (Reino Unido), o Novib (Holanda), o ActionAid (EUA), etc.

Curiosamente, um membro do Conselho Internacional do FSM relata que os "fundos consideráveis" recebidos desses organismos não tivera "até agora motivado quaisquer debates significativos [nos órgãos do FSM] sobre as possíveis relações de dependência que poderiam gerar". Mas reconhece que "para receber fundos da Fundação Ford, os organizadores tiveram que convencer a fundação de que o Partido dos Trabalhadores não estava envolvido no processo". Há aqui dois pontos dignos de registro. Primeiro, isto demonstra que os financiadores puderam medir as forças e determinar o papel das diferentes forças no FSM - tiveram que ser "convencidos" das credenciais daqueles que estariam envolvidos. Segundo, se os financiadores objetaram à participação do cuidadosamente domesticado Partido dos Trabalhadores, teriam objetado ainda com mais determinação se fosse dado relevo a forças genuinamente anti-imperialistas. Que eles fizeram essas objeções tornar-se-á claro quando descrevermos quem foi incluído e quem foi excluído da segunda e da terceira reuniões do FSM…

… A questão do financiamento [do FSM] nem sequer figura na carta de princípios do FSM, aprovada em Junho de 2001. Os marxistas, que são materialistas, fariam notar que se deve analisar a base material do fórum para apanhar a sua natureza. (Claro que não é preciso ser-se marxista para compreender que "quem paga a despesa é quem manda"). Mas o FSM não está de acordo. Pode aceitar fundos de instituições imperialistas como a Fundação Ford, e ao mesmo tempo lutar contra o "domínio do mundo pelo capital e qualquer outra forma de imperialismo".(Research Unit For Political Economy, The Economics and Politics of the World Social Forum, Global Research, 20 de janeiro, 2004)

A Fundação Ford forneceu apoio fundamental ao FSM, com contribuições indiretas para participar em "organizações parceiras" da Fundação McArthur, da Fundação Charles Stewart Mott, de The Friedrich Ebert Stiftung, da Fundação W. Alton Jones, da Comissão Européia, de diversos governos europeus (incluindo o governo trabalhista de Tony Blair), do governo canadense, assim como de uma série de órgãos da ONU (incluindo a UNESCO, a UNICEF, a UNDP, a OIT e a FAO). (Iibid.)

Para além do apoio fundamental inicial da Fundação Ford, muitas das organizações da sociedade civil participantes recebem fundos de importantes fundações e organizações caritativas. Por seu lado, as ONGs com sede nos EUA e na Europa operam frequentemente como organismos de financiamento secundário, canalizando dinheiro Ford e Rockefeller para organizações parceiras em países em desenvolvimento, incluindo movimentos de base de camponeses e de direitos humanos.

O Conselho Internacional (CI) do FSM é composto por representantes das ONGs, sindicatos, organizações de meios de comunicação alternativos, institutos de investigação, muitos dos quais são fortemente financiados por fundações assim como por governos. (Ver Fórum Social Mundial). Os mesmos sindicatos, que são rotineiramente convidados para se misturarem com diretores de Wall Street no Fórum Econômico Mundial de Davos, incluindo a AFL-CIO, a Confederação Européia de Sindicatos e o Congresso do Trabalho Canadense também se sentam no Conselho Internacional do Fórum Social Mundial. Entre as ONGs financiadas pelas principais fundações que têm assento no Conselho Internacional do FSM encontra-se o Instituto para a Politica de Agricultura e Comércio (ver a nossa análise mais acima) que fiscaliza o Observatório do Comércio com sede em Genebra.

A Rede de Financiadores para o Comércio e Globalização (FTNG), que tem o estatuto de observador no Conselho Internacional do FSM desempenha um papel chave. Enquanto canaliza apoio financeiro para o FSM, atua como uma câmara de compensação para importantes fundações. A FTNG descreve-se a si mesma como "uma aliança de doadores empenhados na construção de comunidades justas e sustentadas em todo o mundo". Alguns membros desta aliança são a Fundação Ford, a Rockefeller Brothers, Heinrich Boell, C. S. Mott, a Fundação da Família Merck, Open Society Institute, Tides, entre outros. (Para uma lista completa dos organismos financiadores da FTNG ver: FNTG: Funders). A FTNG atua como uma entidade angariadora de fundos por conta do FSM.

Governos ocidentais financiam as Contra-Cúpulas e reprimem o movimento de protesto

Ironicamente, governos que fazem parte da União Européia atribuem dinheiro para financiar grupos progressistas (incluindo o Fórum Social Mundial) envolvidos na organização de protestos contra esses mesmos governos que financiam as suas atividades:

"Também os governos têm sido financiadores significativos de grupos de protesto. A Comissão Européia, por exemplo, financiou dois grupos que mobilizaram grande número de pessoas para protestar nas Cúpulas da União Européia em Gotenburgo e Nice. A loteria nacional da Grã-Bretanha, que é fiscalizada pelo governo, ajudou a financiar um grupo no centro do contingente britânico em ambos os protestos". (James Harding, Counter-capitalism,FT.com, 15 de outubro 2001)

Trata-se de um processo diabólico: O governo anfitrião financia a Cúpula oficial assim como as ONGs ativamente envolvidas na Contra-Cúpula. Também financia a operação policial anti-motins que tem como missão reprimir os participantes de base da Contra-Cúpula, incluindo membros de ONGs financiadas diretamente pelo governo.

O objetivo destas operações combinadas, incluindo ações violentas de vandalismo perpetradas por polícias à paisana (Toronto G20, 2010) disfarçados em ativistas, é desacreditar o movimento de protesto e intimidar os seus participantes. O objetivo mais amplo é transformar a Contra-Cúpula num ritual de dissidência, que serve para patrocinar os interesses da Cúpula oficial e o governo anfitrião. Esta lógica tem funcionado em numerosas contra Cúpulas desde os anos 90.

Na Cúpula da América em Quebec em 2001, o governo federal canadense concedeu financiamentos a ONGs e a sindicatos mais importantes mediante certas condições. Um grande segmento do movimento de protesto acabou por ficar excluído da Cúpula Popular. Isso deu origem a uma segunda reunião paralela, que alguns observadores descreveram como "Contra a Cúpula Popular". As autoridades provinciais e federais exigiram que a marcha de protesto seguisse para um local a uma distância de 10 km da cidade, em vez de seguirem na direção da área do centro histórico onde estava-se realizando a Cúpula FTAA por detrás dum "perímetro de segurança" fortemente guardado".

"Em vez de avançar para a vedação do perímetro e para o local das reuniões da Cúpula das Américas, os organizadores do desfile escolheram um percurso que se afastava da Cúpula Popular, passando por áreas residenciais quase vazias até ao parque de estacionamento de um estádio numa área isolada a alguns quilômetros de distância. Henri Masse, o presidente da Federação dos trabalhadores e trabalhadoras de Quebec (FTQ) explicou, "Lamento estarmos tão longe do centro da cidade… Mas foi por uma questão de segurança". Um milhar de seguranças da FTQ mantiveram um controle muito apertado sobre o desfile. Quando o desfile chegou ao ponto em que alguns ativistas pretenderam dividir-se e subir a colina até à vedação, os seguranças da FTQ fizeram sinal ao contingente dos Trabalhadores Canadenses de Automóveis (CAW) que caminhavam atrás do CUPE para se sentarem e fazerem parar o desfile, a fim de os seguranças da FTQ poderem formar um cordão e impedir que houvesse quem saísse do percurso oficial do desfile". (Katherine Dwyer, Lessons of Quebec City, International Socialist Review, junho/julho 2001)

A Cúpula das Américas efetuou-se no interior de um "bunker" de quatro quilômetros, feito com uma vedação de concreto e de aço galvanizado. A parte cercada do centro histórico da cidade, o "Muro de Quebec" de 3 metros de altura, incluía o complexo parlamentar da Assembleia Nacional, hoteis e áreas comerciais.

Líderes de ONGs versus suas bases

A instituição do Fórum Social Mundial em 2001 foi sem dúvida um marco histórico, reunindo dezenas de milhares de ativistas empenhados. Foi um acontecimento importante que permitiu a troca de idéias e o estabelecimento de laços de solidariedade.

O que está em questão é o papel ambivalente dos líderes das organizações progressistas. A sua relação estreita e bem-educada com os círculos internos do poder, com os financiamentos corporativos e governamentais, organismos de apoio, Banco Mundial, etc. corrói a sua relação e responsabilidades com as suas bases. O objetivo da dissidência fabricada é precisamente esse: distanciar os líderes das suas bases como um meio de silenciar e enfraquecer eficazmente as ações das bases.

Financiar a dissidência é também uma forma de infiltração nas ONGs, assim como de adquirir informações por dentro sobre estratégias de protesto e resistência dos movimentos de base.

A maior parte das organizações de base que participam no Fórum Social Mundial, incluindo organizações camponesas, de trabalhadores e de estudantes, firmemente empenhadas em combater o neoliberalismo não tinham conhecimento da relação do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial com o financiamento corporativo, negociado nas suas costas por um punhado de líderes de ONGs com ligações a organismos de financiamento oficiais e privados.

O financiamento a organizações progressistas não se faz sem condições. O seu objetivo é "pacificar" e manipular o movimento de protesto. Os organismos financiadores estabelecem condicionalismos minuciosos. Se não forem cumpridos, cessam os pagamentos e a ONG recebedora vai à falência por falta de fundos.

O Fórum Social Mundial define-se como "um local de encontro aberto para pensamento refletivo, debate de ideias democrático, formulação de propostas, livre troca de experiências e inter-ligação para ação eficaz, de grupos e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e qualquer forma de imperialismo e estão empenhados na construção de uma sociedade centrada na pessoa humana". (Ver Fórum Social Mundial, 2010).

O Fórum Social Mundial é um mosaico de iniciativas individuais que não ameaça diretamente nem contesta a legitimidade do capitalismo global e das suas instituições. Reúne-se anualmente. Caracteriza-se por uma imensidade de sessões e de grupos de trabalho. Quanto a este aspecto, uma das características do Fórum Social Mundial era manter o enquadramento "faça você mesmo", característico

Esta estrutura aparentemente desorganizada é propositada. Embora favoreça o debate sobre uma série de tópicos individuais, a moldura do FSM não conduz a uma articulação duma plataforma comum coesiva e dum plano de ação dirigido contra o capitalismo global. Além disso, a guerra liderada pelos EUA no Oriente Médio e na Ásia Central, que rebentou poucos meses depois da reunião inaugural do FSM em Porto Alegre em janeiro de 2001, nunca foi uma questão central nas discussões do Fórum.

O que prevalece é uma vasta e intrincada rede de organizações. As organizações de base recebedoras dos países em desenvolvimento estão normalmente inconscientes de que as suas ONGs parceiras nos Estados Unidos ou na União Européia, que lhes estão fornecendo o apoio financeiro, estão elas próprias serem financiadas por importantes fundações. O dinheiro escorre, impondo constrangimentos às ações das bases. Muitos destes líderes de ONGs estão empenhados e são indivíduos bem intencionados que agem num enquadramento que estabelece os limites da dissidência. Os líderes destes movimentos são frequentemente cooptados, sem sequer perceber que, em consequência do financiamento corporativo, ficam com as mãos atadas.

O capitalismo global financia o anti-capitalismo: uma relação absurda e contraditória

"É Possível um Outro Mundo", mas este não pode ser alcançado de forma significativa com a atual situação.

É preciso um abanão no Fórum Social Mundial, na sua estrutura organizativa, nos seus financiamentos e na sua liderança.

Não pode haver um movimento de massas significativo quando a dissidência é tão generosamente financiada pelos mesmos interesses corporativos que são o alvo desse movimento de protesto. Nas palavras de McGeorge Bundy, presidente da Fundação Ford (1966-1979), "Tudo o que a Fundação [Ford] fez pode ser considerado no âmbito de 'tornar o mundo seguro para o capitalismo".

data de publicação: 30/outubro - 1/novembro/2010

O original encontra-se em: http://www.odiario.info/?p=1794

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

(Brasil - Violência) - Trem da Vale faz mais uma vítima em assentamento no Pará

Mais um trabalhador morre atropelado por trem entre os Estados do Para e Maranhão. Desde 2007 foram 32 mortes em 2860 acidentes


João Márcio

Fonte: Página do MST



Joaquim Madeira, de 74 anos, foi morto na manhã desta sexta-feira (29/10) na Ferrovia de Ferro Carajás, sob concessão da Vale, na altura do assentamento Palmares, do MST, atropelado pelo tem da mineradora. O idoso já havia perdido o filho, Juari Madeira, na mesma circunstância e local há oito anos.



Neste momento, os assentados interditam a ferrovia em protesto contra mais uma morte no corredor de Carajás, que corta municípios dos estados do Pará e Maranhão, sendo o principal meio de escoamento do minério extraído da Serra dos Carajás, no Pará.



Segundo a organização Justiça nos Trilhos, a Vale é responsável por uma série de atropelamentos ferroviários. Em 2007 foram contabilizados 23 mortos, em 2008, foram registradas nove mortes e nada menos do que 2860 acidentes.



Essa é a segunda vez que a ferrovia é interditada pelos moradores do assentamento. A primeira ocorreu em 2007 por aproximadamente um mês para pressionar a Vale a cumprir seus deveres sociais perante a comunidade.


Data da Publicação: 29 de outubro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

(Uruguay - Derechos Humanos) - Legislador es contra homenagen a un vitima de la ditadura uruguaya

“Ricardo era un joven minuano, asesinado a los 20 años, el 8 de octubre de 1969. Era tupamaro y participó ese día en la toma de Pando. En ese marco, participó en un tiroteo en el que fue herido, y se entregó. Lo hicieron caminar una cuadra hasta un camión de la Guardia Metropolitana. Allí lo tiraron al suelo y lo ejecutaron de un balazo en la nuca”. Homero Guadalupe (miembro de la Comisión de la Verdad. Ciudad de Minas)

La placa que está colocada en la casa donde vivió Ricardo en Minas dice lo siguiente:

AQUÍ VIVIO RICARDO ZABALZA WAKSMAN 1948 * 1969.
“FORMO PARTE DEL GRUPO DE JOVENES IDEALISTAS Y SOÑADORES QUE QUERIAN UNA PATRIA MEJOR COMO LO SOÑO ARTIGAS.
INTEGRO EL MLN TUPAMAROS.
PARTICIPO EN LA LLAMADA TOMA DE PANDO Y FUE HERIDO EN EL PARAJE CAPRA, CAYO EN EL SUELO SANGRANDO CON VARIAS HERIDAS, FUE EJECUTADO CON UN TIRO EN LA NUCA POR UN SOLDADO QUE RECIBIO LA ORDEN DE UN CORONEL.
DE AMBOS SE SABE EL NOMBRE.
MINAS, ABRIL DE 2009.
COMISION POR LA VERDAD”.

El Consejo de Secundaria avaló que en el liceo N° 1 de Minas, departamento de Lavalleja, se coloque una placa en homenaje a Ricardo Zabalza Waksman, esto ha despertado una fuerte polémica.

Al legislador Mario García no le gusta el contenido de la placa porque "no se cumple con los requisitos que exige la normativa en la materia, ya que dentro de las exigencias está, primero que nada, la trayectoria de la persona a la que se le realiza el homenaje, y en el caso este requisito está totalmente ausente". Ricardo Zabalza pudo haber hecho muchas cosas en la vida, pudo haber tenido una trayectoria más larga, mucho más larga, pero no tuvo oportunidad porque fue asesinado cobardemente. Según el diputado blanco una placa de homenaje en un centro de educación debe estar avalada por toda la sociedad.

Cuando García afirma que el contenido de la placa "está en franca disonancia con lo que ha sido y debería ser la educación en nuestro país", me surgen serias dudas sobre lo que le quiere trasmitir a la juventud, espero que no pretenda perpetuar la historia que nos obligaron a estudiar en época de dictadura; cuando en el liceo teníamos que llamarle democracia al fascismo y al terrorismo de estado, ocultar que había torturados, presos en condiciones infrahumanas, desaparecidos, exiliados y represión.

En el Espectador debaten también el tema, alguien comenta que hubiera sido inadmisible que se hubiera colocado una placa en el liceo Acosta y Lara con su nombre... oh divina doble moral; no es sin embargo inadmisible que el propio liceo se llame Acosta y Lara. Me pregunto que es lo que están apoyando cuando trasmiten eso a los estudiantes, o cuando se quedan callados frente al hecho de que en la Jefatura de Policía exista una placa que recuerda al torturador Dan Mitrione, ¿de que principios nos hablan?.

El diputado blanco José Carlos Cardoso y el diputado colorado Gustavo Espinosa, en tradicional mezcla rosada, se ponen de acuerdo al declarar que Zabalza "no es el ejemplo que debemos promover". no debe estar colocada en un liceo donde les puede trasmitir un concepto dudoso a los estudiantes. A pesar de mi indignación, entiendo esa forma de pensar, a estas alturas no me sorprende que quienes sostienen que no tenemos derecho a la verdad y a la justicia, quienes justifican los horrores cometidos por el terrorismo de estado y maquillan la historia según su conveniencia, tengan miedo de que se sepa que Zabalza al igual que Cultelli y Salerno fueron asesinados fría y salvajemente por esos militares a los que dan trato especial y que de una u otra manera intentan proteger cueste lo que cueste. No es sin motivo que mencionan a Cardoso con orgullo en páginas fascistas como ”En voz alta”

José Carlos Mahía, diputado frenteamplista de Asamblea Uruguay no conoce los méritos de Zabalza Waksman pero declara que a primera vista, su nombre “es claramente controversial”, la ignorancia lo lleva seguramente a acoplar las discrepancias que puede tener con Jorge Zabalza a la historia de Ricardo Zabalza en una suerte de mixtura de conceptos. Declara que han tenido mucho cuidado en buscar nombres que tengan consensos cuando se trata de realizar homenajes en centros educativos, dejando al descubierto que lo importante es evitar que se genere irritación en otras tiendas políticas. Hoy es un merito transar con los principios, la historia, la verdad, la justicia, los valores y hasta con los nombres de nuestros muertos.

Cuando se utiliza el argumento de que no todos los uruguayos están de acuerdo con colocar la placa en el liceo número 1 de Minas, se olvidan de la enormidad de homenajes, placas, monumentos y nombres de calles y plazas que recuerdan y homenajean a personajes maquiavélicos de nuestra historia, hecho con el cual hay muchos uruguayos que discrepan.

Ricardo era un joven, un estudiante lleno de sueños, querido por sus amigos, su familia y quienes lo conocían. No tuvo oportunidad de dar continuidad a sus ideas y sueños, no tuvo oportunidad de ser mejor ni peor de lo que era, le arrebataron el futuro. Otros que sobrevivieron ese día, tuvieron mejor suerte y ocupan importantísimos cargos en la vida política del Uruguay sin que se los cuestione como”forajidos”.

Es lógico y natural que las personas tengan diferentes opiniones sobre la toma de Pando, sobre el MLN y los Tupamaros de esa época, pero me imagino que por más distorsionados que puedan estar los valores hoy en día, nadie puede estar de acuerdo con la manera en que fueron asesinados estos jóvenes, o negar que son parte de nuestra historia. Nada de lo que está escrito en la placa es mentira, más allá de que a algunos les guste y a otros no. Obviamente hay que hacer algunos cambios porque la placa dice ”aquí vivió…” y eso dejará de ser verdad si es colocada en el liceo.

Estoy totalmente de acuerdo con el director de Secundaria Guasco, cuando expresa que Secundaria va a tener que revisar algunos casos de liceos públicos que llevan nombres de personas que pueden considerarse cuestionables. Seguramente hay una larga lista que cuestiona, por ejemplo (utilizando el mismo ejemplo del Expectador), que un centro de educación se llame Acosta y Lara.

Si esa placa configura una afrenta a la verdad y una apología de la violencia, como dicen, comencemos a repasar muchos hechos acaecidos en el Uruguay, seamos coherentes con TODA nuestra historia. Por suerte varios liceos han homenajeado a sus víctimas con una placa y seguramente muchos más lo van a seguir haciendo, no todos quieren ocultar la cabeza debajo de la tierra como las avestruces.

“También Ricardo Zabalza
cayó porque le tocaba
pero él sabía que en la causa
por la que tanto luchaba
palabras que no coinciden
con hechos no vale nada”
(Daniel Viglietti)
Fechade Publicación: 27 de octubre de 2010

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

(Cuba-EEUU - Bloqueo) - 187 países apoyan en Naciones Unidas resolución contra el bloqueo

Naciones Unidas ratificó en este martes por décimo novena ocasión el rechazo mundial al bloqueo impuesto por Estados Unidos contra Cuba desde hace casi medio siglo y el aislamiento de Washington en el mantenimiento de ese asedio. Sólo EEUU y Israel votaran a favor del bloqueo


Fuente: Naciones Unidas
La soledad del gobierno norteamericano volvió a quedar en evidencia en la Asamblea General durante la votación de una resolución titulada Necesidad de poner fin al bloqueo económico, comercial y financiero impuesto por los Estados Unidos de América contra Cuba.

El principal órgano de la ONU repudió la continuación de esa medida por 187 votos a favor, dos en contra (Estados Unidos e Israel) y tres abstenciones (Islas Marshall, Micronesia y Palau).

Se trata de la décimo novena ocasión en igual cantidad de años que el plenario de la Asamblea condena el cerco estadounidense a la isla caribeña.

La primera fue el 24 noviembre de 1992 cuando la 47 sesión ordinaria de ese órgano aprobó por 59 votos a favor, tres en contra y 71 abstenciones el primer pronunciamiento en ese sentido.

La resolución aprobada este martes reafirma los principios de igualdad soberana entre los Estados, no intervención y no injerencia en los asuntos internos y libertad de comercio y navegación internacionales.

También rechaza la promulgación y aplicación de leyes y disposiciones como la llamada Helms-Burton, cuyos efectos extraterritoriales afectan a la soberanía de otros Estados, a los intereses legítimos de entidades o personas bajo su jurisdicción y a la libertad de comercio y navegación .

Además recuerda las 18 resoluciones aprobadas por la Asamblea General cada año desde 1992 a 2009 y las declaraciones y acuerdos de distintos foros intergubernamentales, órganos y gobiernos en rechazo a la promulgación y aplicación de medidas de ese tipo.

Al respecto, apunta que a pesar de esas decisiones del máximo foro de la ONU , continúan promulgándose y aplicándose nuevas medidas dirigidas a reforzar y ampliar el bloqueo económico, comercial y financiero contra Cuba.

En ese sentido, expresa la preocupación de la ONU por los efectos negativos de esas medidas sobre la población cubana y los nacionales de Cuba residentes en otros países.

En su parte resolutiva, el texto reitera su exhortación a todos los Estados a que se abstengan de promulgar y aplicar leyes y medidas como las del bloqueo a Cuba y llama a cumplir las obligaciones contenidas en la Carta de la ONU y el derecho internacional.

También insta una vez más a los Estados en los que existen y continúan aplicándose leyes y medidas de ese tipo a que, en el plazo más breve posible y de acuerdo con su ordenamiento jurídico, tomen las medidas necesarias para derogarlas o dejarlas sin efecto .

Por último, pide al secretario general de la ONU que prepare un informe sobre el cumplimiento de la resolución para presentarlo en el 66 período de sesiones de la Asamblea el año próximo, cuando el tema del bloqueo volverá a ser debatido.

En la votación del año pasado, 187 países se pronunciaron contra la medida norteamericana, la cantidad más alta registrada sobre ese asunto, con solo tres en contra (Estados Unidos, Israel y Palau) y dos abstenciones (Islas Marshall y Micronesia).

De acuerdo con las autoridades de la isla caribeña, el bloqueo ha costado a Cuba 751 mil 363 millones de dólares, cifra aún conservadora basada en la depreciación del dólar frente al oro.

Fecha de Publicación: 26 de octubre de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

(Ecuador - Politica) - En el país todos los cuadros de inteligencia trabajaban para la CIA

Hay grupos con vinculación política a los que no les interesa la democracia, sino mantener sus conductas represivas, afirma e, Presidente Rafael Correa
Fuente: Periódico La Jornada, Mexico


Quito - El presidente Rafael Correa llega con un poco de atraso a su oficina en el Palacio de Carondelet, donde ha citado a La Jornada, porque antes ha ido a visitar en el hospital infantil a un niño de 11 años que el 30 de septiembre, entre el caos y la violencia desatada, recibió un disparo de bala expansiva en la pierna. El chico sufrió dos paros cardiacos pero por fin, casi al mes de los sucesos, se restablece satisfactoriamente.



Durante la entrevista Correa se expresa a ratos con una franqueza poco común en jefes de Estado: Estamos ciegos, en ceros, en materia de inteligencia para la seguridad interna. Indignado con los sectores que participaron en la conspiración, incluidas las organizaciones indígenas que ahora hacen política en alianza con la oposición de derecha. Cauteloso antes de avalar la lealtad de las fuerza armadas a su gobierno: se portaron muy profesionales. No todos, pero en general. Ahí también hay infiltración.



Basta con ponerle el tema de las horas de peligro que vivió el 30 de septiembre sobre la mesa para que reviva con vehemencia y evidente tensión los tres o cuatro momentos en los que sintió que podía morir, sobre todo durante el tiempo que estuvo retenido en el Hospital de la Policía: “Hubo un momento en el que lo único que hice fue rezar un padrenuestro y acostarme en el piso de la habitación. Más que miedo sentía indignación por la traición de esa gente. Y tristeza. Si me tocaba morir dejaba este proceso a medias, dejaba a mi familia, mis hijos.



En una sociedad civilizada, con gente como los golpistas no se conversa: se aplica la ley. Desencantado: Yo me siento como un perdedor; todos perdimos. Y retado: No vamos a claudicar, vamos a radicalizar este proceso. Es una deuda con la ciudadanía heroica que salió a la calle a defender la democracia.



Pero lo que de verdad lo enoja es la estrategia de sectores conservadores, repetida por medios de peso como CNN y The Washington Post, de negar que lo de hace un mes fue un complot: “Niegan el intento de asesinato del presidente, niegan que estuve secuestrado, dicen que esto es un show. ¿Quién se puede tragar esa piedra de molino? Ahí están las pruebas, ahí están los muertos, ¡por Dios!”



Es un dolor personal. Y se le nota. Alguien cercano al presidente nos contaría que en las primeras horas del conflicto, cuando se presentó al regimiento Quito para atender la protesta de los policías y se vio acosado y gaseado por éstos, uno de los sublevados llevaba un bate y le lanzó un golpe que iba directo a su rodilla lesionada, que lo tiene ya desde hace meses entrando y saliendo del quirófano, usando muletas y hasta silla de ruedas. Un escolta se interpuso. Le fracturaron el tobillo.



Más tarde otro guardia, uno de sus más cercanos, se quitó el chaleco antibalas para colocárselo al presidente. Le tocó una bala en la espalda y se teme que quede parapléjico. Finalmente, otro más, joven del Grupo de Operaciones Especiales, cayó abatido en el momento del rescate cuando cubría con su cuerpo la ventanilla de la camioneta sin blindaje en la que sacaban al presidente en medio de un intenso tiroteo.



Después de Zelaya, el siguiente soy yo



–Después del golpe a Manuel Zelaya, en Honduras (28 de junio 2009), usted declaró: yo soy el que sigue. ¿Qué señales veía usted entonces?



–Desde el primer día de mi gobierno vivimos una conspiración permanente, como todos los gobiernos del cambio en América Latina. Qué casualidad que somos nosotros –2002 Venezuela, 2008 Bolivia, 2009 Honduras, 2010 Ecuador– los que hemos sufrido intentos de golpe. La posibilidad de que esto sea casualidad es nula. ¿Por qué? Porque estamos cambiando las cosas.



–Sorprende la forma en que usted reconoce que las estructuras de inteligencia han sido penetradas por la CIA.



–Es que es así. Cuando yo llego al gobierno, sinceramente, por mi origen académico, ese tema ni siquiera era una prioridad. Fue mi gran error. ¿Qué es lo que me devuelve a la realidad? El primero de marzo de 2008, cuando tuvimos evidencia de que las instancias de seguridad del Estado ecuatoriano conocieron con anticipación del ataque colombiano a Angostura y no nos informaron. Le avisaron a la embajada de Estados Unidos.



“Ahí nos damos cuenta de que esas unidades recibían presupuesto de EU. Se forma una comisión que se pone a investigar y entre sus recomendaciones está desmantelarlas. Tenemos evidencias de que su jefe, el coronel Mario Pazmiño, era empleado de la CIA.



Cuando lo despido y decidimos que somos nosotros los que vamos a nombrar a la directiva de la unidad, la embajada de Estados Unidos decide llevarse el equipo que había dado. Pero los directores no sólo les dan los equipos, sus camionetas, las computadoras, sino ¡la información de las computadoras! Imagínese el servilismo de esta gente.



–¿Qué tan grande fue el boquete que se le hizo a la seguridad interna?



–Quedamos en cero. Todos los cuadros de inteligencia trabajaban para la CIA. Hemos tenido que buscar cuadros alternativos, algo que no se forma de la noche a la mañana. Recién en 2009 logramos aprobar la ley del sistema nacional de inteligencia.



–¿Esta debilidad es lo que se manifestó el 30 de septiembre?



–Por supuesto. Hubo traición en ciertos sectores de inteligencia de la policía.



–¿Y de las fuerzas armadas?



–También. El partido Sociedad Patriótica estuvo involucrado. Su origen es militar. Hay núcleos duros que, según consta en el informe de la Comisión de la Verdad, atentaron contra los derechos humanos y se sienten identificados con estos partidos.



–¿A esta hora usted puede confiar en la lealtad de las fuerzas armadas?



–Bueno, se portaron profesionalmente. No todos. Y en general tienen un agradecimiento con este gobierno, ya que les hemos duplicado el salario, los hemos equipado. Cuando llegamos los encontramos en un estado de indefensión. Sólo 7 mil, de 42 mil policías, tenían armas. Los dotamos con patrullas, municiones, equipos de telecomunicaciones. Lo mismo en la Fuerza Aérea. Al principio no teníamos prácticamente nada, ni helicópteros. Ahora tenemos ya 14 Super Tucanos.



Pero hay grupos duros con vinculaciones políticas a quienes no les interesa ni la Fuerza Aérea ni la democracia, sino mantener sus privilegios y sus conductas represivas.



–¿Que mecanismos tiene la ciudadanía para defenderse de conspiraciones de este tipo?



–En esto Hugo Chávez y Evo Morales nos llevan ventaja. Chávez viene de una formación militar, conoce de esto y ha transformado el inmenso capital político que tiene en estructuras organizadas. Evo viene de los movimientos sociales, de una larga lucha, y tiene el apoyo de todas esas bases. En Ecuador el proyecto de Alianza PAIS es una reacción de la ciudadanía ante tanto desastre, tanto saqueo. Y sinceramente no soy experto en cuestiones militares o policiacas. El desafío de la revolución ciudadana es transformar el apoyo popular que tenemos en estructuras movilizadas como la mejor manera de disuadir estas intentonas.



Desencuentros



–Usted viene de la academia, pero de la mano de un movimiento popular. Ecuador en los 90 fue pionero en la participación del movimiento indígena. ¿Ésa ya no es la base de su gobierno?



–Tenemos el apoyo de muchos movimientos sociales, pero cuidado: se ha manoseado mucho el nombre de movimiento social. Ahora cualquier cosa es movimiento social, cuando muchos de sus dirigentes son en realidad políticos fracasados que perdieron en las elecciones y hacen política desde sus estructuras para imponer su agenda.



“Hay un movimiento social e indígena que está con el status quo, con la derecha. Hay que separar la miel de la cizaña. Tiene razón en que el despertar del movimiento indígena de Ecuador en los 90 fue el movimiento social más importante de América Latina. Y nosotros estamos con ellos.



Pero se ha distorsionado mucho esa pureza inicial. Ese movimiento hizo un partido político, Pachakutik. Su directiva está tomada por ciertos líderes que votan con la derecha, y el 30 de septiembre pedían la renuncia del presidente. Es una pena enorme. La CONAIE y Pachakutik han perdido totalmente la brújula.



–El primer pronunciamiento de la CONAIE fue de rechazo al golpe.



–Después se desdijeron. Los asambleístas de Pachakutik estuvieron y están con los golpistas. Tibán hace unos días usó expresiones muy groseras. Dijo que si el presidente hubiera muerto no era por valiente, sino por cojudo. Su hermano, dicho sea de paso, es policía y está preso.



–¿Descarta usted un rencuentro con estos sectores?



–No. Yo estoy abierto. Pero ojo: movimiento indígena como proceso histórico de emancipación, ahí estamos totalmente de acuerdo. Nuestro gobierno es de los indígenas. En las elecciones pasadas donde sacamos mayor votación fue en la provincia de Embaburo, con mayor población indígena del país. Con los dirigentes de la CONAIE, con su miopía, con las barbaridades que han dicho –me han llamado genocida, xenófobo, etnocida–, con ellos va a ser muy difícil.



–Habla de la penetración de la CIA, pero no del gobierno estadunidense. ¿Cual fue su papel en este episodio?



–Como gobierno, yo creo que Estados Unidos aquí no intervino. No excluimos la participación de ciertos sectores que actúan incluso contra el presidente Barack Obama. De ellos no tengo ninguna prueba, pero no excluyo que hayan intervenido de algún modo. Lo que sí excluyo, por la confianza que les tengo, es a Hillary Clinton y al presidente Obama.



–¿Dice que es de confianza su relación con Obama?



–Él me llamó un par de veces después del 30, muy cortés, preocupado por lo que se decía en ciertas publicaciones. Me aseguró que no tuvo nada que ver. Le respondí que no tenía que darme explicaciones. Es buena persona, pero no ha podido cambiar la inercia de gran parte del aparato político de Estados Unidos.



–La versión de que el 30 de septiembre no hubo un intento golpista ha encontrado mucho eco. La duda ha calado. ¿Qué se pretende negando las evidencias?



–La ignorancia de la derecha y de ciertos medios de comunicación es tal, que ni siquiera conocen que una de las categorías básicas de sociología política latinoamericana es que cualquier levantamiento de fuerza pública ya se considera un golpe de Estado. Lo que hubo fue una agenda política que se puso en marcha desde el momento en que yo llego al Regimiento Quito y cercan la caravana presidencial. Ahí estaba el lugarteniente del coronel Lucio Gutiérrez (ex presidente golpista y derrocado a la vez, fundador del partido opositor Sociedad Patriótica), Fidel Araujo, con chaleco antibalas dirigiendo la operación. (Araujo fue detenido sin derecho a fianza el 5 de octubre). En sus declaraciones ha dicho que estaba ahí porque había ido a visitar a su mamacita que estaba cerca.



–¿Por qué esta estrategia?



–Porque nos tratan de desacreditar. Niegan el intento de asesinato, que estuve secuestrado. Ahí están las pruebas, ahí están los muertos, los registros de las telecomunicaciones de las radiopatrullas con la orden maten a Correa. ¿En una protesta policial por mejoras salariales tratas de tomarte las antenas de televisión, la televisora oficial, cierras el aeropuerto? Creo que con estas mentiras están cayendo en ridículo. En buena hora.



De La hoguera bárbara y la cercanía de la muerte



–Estos días, a propósito del plan B, el del magnicidio, hay quienes han recordado el libro La hoguera bárbara, sobre el brutal asesinato, hace un siglo, de Eloy Alfaro.



–El relato de Alfredo Pareja sobre cómo arrastraron hasta la muerte a nuestro líder liberal. No, no me voy a comparar con Eloy Alfaro, el único que ha hecho una verdadera revolución en este país y que para nosotros es una inspiración. Pero esto que pasó el 30 sí tuvo mucho de bárbaro. Vengo de visitar a un niño que a tres cuadras de aquí fue herido ese día. Estos desalmados le dieron 17 balazos a una ambulancia, hirieron al conductor y al asistente y en esa balacera una bala le atraviesa la pierna al menor.



–¿Qué pasó por su cabeza, pensó que de verdad podía morir?



–Sí, claro, no en uno, sino en varios momentos. Ahora sé que cuando a mí me llevaban al hospital, entre los gases y los sublevados que me golpeaban, el director del Hospital de la Policía (César Carrión) mandó poner candados para que no pudiéramos entrar. La seguridad mía tuvo que rastrear el área, penetró por otro lado, quitaron los candados y abrieron. Luego declaró a CNN que yo no estuve secuestrado, sino que estuve perfectamente atendido.



“¿Cual es la verdad? Que cuando nos llevan a emergencias no nos dejan salir, tuvimos que refugiarnos en el tercer piso con la poca seguridad que tenía en ese momento y cerramos la puerta. La quisieron tumbar. Siempre estuvimos acorralados, hasta que llegó una unidad de elite a darnos resguardo.



Hubo tres o cuatro momentos en que sí sentí la muerte muy cerca. Uno, cuando golpeaban la puerta del tercer piso estos salvajes para buscarnos. No nos venían a saludar, ¿verdad? Y después...



Correa se detiene unos segundos, da un gran suspiro. Es notorio que está reviviendo momentos de gran intensidad. Se repone instantáneamente y sigue:



“Después viene mi seguridad y me dice que interceptó comunicaciones con la orden de matarme, que ya vienen, están subiendo francotiradores. Se oía la balacera. Yo lo único que hice fue rezar un padrenuestro y acostarme en el piso de la habitación.



“Otro momento fue durante el rescate. Balas por todos lados. Llegaron a rescatarme en una silla de ruedas, tengo 25 puntos en la rodilla de la última operación. No se podía salir por la puerta principal. Tuvieron que esconderme unos 10 minutos en un cuartito de limpieza, oscuro. Dieron la orden de salir por atrás y ahí también nos balearon. Con todo mi equipo sentíamos la muerte muy cerca, pero hubo mucha serenidad.



–Perdón por la pregunta, pero ¿qué sintió?



–Más que miedo, una indignación enorme por la traición. Y tristeza. Si me tocaba morir dejaba este proceso a medias, dejaba a mi familia, mis hijos. (sacude la cabeza casi imperceptiblemente.)



Hubo cinco muertes y decenas de heridos entre mi gente. Es un verdadero milagro que esté vivo, porque ¡cómo nos dieron bala!



–Políticamente, ¿cómo se siente ahora? ¿Cuales son las perspectivas de su proyecto?



–Dicen que el 30 de septiembre hubo una victoria porque aumentó nuestro índice de popularidad. Pero yo me siento un perdedor. Renunciaría a esos puntos de popularidad si pudiera volver a la vida a estos jóvenes que murieron ese aciago día. Tengo a mi escolta en un hospital en Estados Unidos. Dios quiera que no quede parapléjico. Todos perdimos.



–¿Es hora de cambiar, de frenar la revolución o, por el contrario, de radicalizar algunas medidas?


–Por supuesto, radicalizar. ¿Cambiar qué, por qué? Si tenemos más apoyo que nunca. No podemos claudicar ante balas asesinas. Sería traicionar a los que murieron ese día, a esa ciudadanía heroica que salió desarmada a defender la democracia. Reconciliar con criminales es imposible, eso sería permitir la impunidad. Vamos a continuar. Aún más: radicalizaremos la revolución.

Fecha de Publicación: 25 de octubre de 2010,