Deu no MSIA Informa, 23.10.2009
Ação deliberada para dominar
Adriano Benayon*
A oligarquia que domina as finanças mundiais e as demais indústrias de grande peso, não cessa de agir para concentrar mais poder, visando a tornar absoluto seu império sobre o Planeta.
Além da concentração econômica favorecida pelos governos, mercê do crescente uso do dinheiro e da mídia em eleições, essa oligarquia, com sedes principais em Londres e Nova York, serve-se, há mais de um século, da comunicação social, da indústria do entretenimento e da publicidade, para solapar os fundamentos da natureza humana.
Por que e para que isso? Eliminar esses fundamentos implica inviabilizar qualquer resistência ao projeto de governo mundial. Com efeito, a humanidade só poderá afastar os males crescentes que vem sofrendo, se o homem preservar a consciência de sua dignidade e o entendimento de que esses males não resultam da ordem natural das coisas, mas de ações deliberadas dos que se arrogam o comando do Mundo.
Em suma, eles tratam de apassivar os seres humanos, a ponto de estes perderem essa condição. Torná-los nada mais que consumidores teleguiados, quando não destituídos de emprego, saúde e prematuramente excluídos da vida, para servir sempre o poder totalitário, ora como súditos do mercado, nas altas e nas depressões econômicas, ora nas guerras.
Os monopolizadores do poder real não se mostram. Põem sob o foco das atenções, como se poder tivessem, “governantes” que não passam de títeres. Os regimes democráticos disso só têm aparências.
Para fazer que os povos tolerem condições insuportáveis, um dos métodos principais é destruir suas culturas. Isso se tornou possível a partir do desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, e foi sendo realizado cada vez mais intensamente, à medida que a tecnologia desenvolveu novos meios.
Na primeira metade do século XX, surgiram o rádio e o cinema. Ambos foram utilizados na propaganda e na difusão de informação e de desinformação. Também como veículos da indústria do entretenimento, com novelas e música no rádio.
Chegaram a veicular manifestações de verdadeira cultura popular e erudita.
Mas essas foram perdendo espaço, ao intensificar-se a exploração comercial e o aviltamento dos gostos. Com a indústria fonográfica, por exemplo, no Brasil, o samba e outras formas musicais foram modificados, para pior, por dissonâncias e ritmos em voga nos EUA.
Durante a segunda guerra mundial e até algum tempo após seu término (1939-1947) predominou de modo absoluto o cinema norte-americano, tendo Hollywood funcionado como atraente e poderosa máquina de moldagem dos gostos, das modas e das opiniões. Ao lado de bons filmes, grande volume de produções acostumou as massas à mediocridade musical, ao consumismo e à banalização da violência. Britânicos e norte-americanos apareciam como heróis. Espanhóis, mexicanos e franceses como figuras ridículas.
As rádios sofreram a invasão de produções fonográficas dos EUA, com alguma música autêntica desse país e a da Broadway. O grosso, porém, constituído de ritmos desagradáveis e ruidosos, associados a melodias cada vez mais pobres, o que há de pior nos EUA. Essa americanização, conducente à degradação, era incentivada por propinas aos disc-jockeys, patrocinadas pela USIS, a agência governamental de difusão dos EUA.
O efeito devastador já era grande, mas nada de comparável ao verificado especialmente a partir dos anos 50, quando começaram os festivais de rock e o recrudescimento das bandas cujo êxito comercial acompanha a selvageria dos ruídos e do comportamento cênico.
Passados alguns decênios de tais importações generalizou-se a deformação do senso artístico, o que leva hoje as pessoas a chamarem de música o que nada tem de musical: ritmos destruidores do equilíbrio energético das pessoas, ausência de melodia e de harmonia.
Não coincidentemente, outra fonte da contracultura é a Inglaterra, sede tradicional do império anglo-americano. Também a Holanda, antiga associada do poder britânico, foi centro propagador dos modos porcos e do niilismo dos hippies, beatniks etc.
Ou seja, para anular seus servidores, o sistema age de dois modos. Primeiro, promove distorções irreparáveis na estrutura econômica e social, e faz que os povos delas se esqueçam por meio de desgraças ainda maiores: guerras crescentemente devastadoras, à medida que as armas incorporam os avanços tecnológicos.
Segundo, aproveitando-se do desespero que tudo isso provoca, faz surgir e difundir modos de pensar niilistas e negadores da realidade. Assim, a máquina de comunicação social estimula a fuga, o falso refúgio nos vícios, a busca deliberada da autodegradação.
Isso se combina com o uso de drogas e a promoção, da promiscuidade sexual, das tatuagens e dos piercings a fim de acabar com a capacidade de distinguir entre o que preserva a vida - e as características do ser humano – e o que as destrói..
Voltando à música, um dos efeitos da segunda guerra mundial foi a virtual extinção das composições musicais populares e semi-eruditas em vários países europeus. Isso deu com a ocupação militar norte-americana, seguida da penetração econômica e política, também manipulada por Londres. Acabou assim, entre outras, a maravilhosa criatividade melódica que caracterizou a península itálica, ao longo de mais de dois milênios.
Sabe-se, desde Platão, que a música é elemento essencial da educação, pois esta não existe sem a componente da elevação espiritual. Os promotores do governo mundial totalitário percebem que seu objetivo só é possível, se anularem o discernimento das pessoas. Sabem também, com Aristóteles, que o hábito é uma segunda natureza. Por isso, não há modo mais eficiente de escravizar que fazer acreditar que qualquer coisa é a mesma coisa.
(*) - Adriano Benayon é Doutor em Economia.. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras. abenayon@brturbo.com.br
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Comenzó homenaje masivo al cantautor chileno Víctor Jara
Homenaje al inovidable cantautor chileno Víctor Jara
Salió en Tribuna Popular
Santiago de Chile (03 dic. 2009) - Jorge Arrate, candidato presidencial del izquierdista "Juntos Podemos", describió hoy al asesinado cantautor Víctor Jara como "un gran músico, un gran hombre, corazón de izquierda y, sobre todo, de memoria".
Así lo escribió en uno de los libros de condolencias dispuestos frente a la Fundación Víctor Jara, donde son velados los restos del autor, entre otras, de Te recuerdo Amanda, Canto libre y Cuando voy al trabajo.
Entre otras personalidades, Arrate desfiló junto a cientos de chilenos ante el féretro que guarda los restos del popular cantante asesinado hace 36 años tras el golpe militar de Augusto Pinochet.
También concurrieron al homenaje, previsto que dure tres días, hasta el sábado, que será enterrado en el Cementerio General, la ministra de Cultura, Paulina Urrutia, el presidente del Partido Comunista, Guillermo Teillier, y diplomáticos de Cuba y Venezuela, entre otros.
Frente a la Fundación, en un parque, numerosos artistas alternan canciones en tributo a Jara y a todos los detenidos-desaparecidos y ejecutados políticos de Chile.
Los restos del cantautor fueron exhumados en junio para practicarle peritajes y esclarecer su asesinato y, ahora, serán enterrados con el funeral masivo que se merece, recordó Gloria Konig, directora de la Fundación.
Similares actividades, llamadas aquí "velatones", se efectúan también en otras partes de Santiago y del interior del país, afirmaron los organizadores.
En las primeras guardias en torno al féretro estuvieron su viuda, la coreógrafa británica Joan Turner, y sus hijas, entre otros allegados, mientras se transmitían canciones del cantautor.
En Venezuela este viernes 4 de dicembre, organizaciones sociales y políticas populares, desarrollaran desde la Plaza de los Museos, a partir de las 4 pm, un homenaje al cantautor chileno, con canto, poesía y música.
Salió en Tribuna Popular
Santiago de Chile (03 dic. 2009) - Jorge Arrate, candidato presidencial del izquierdista "Juntos Podemos", describió hoy al asesinado cantautor Víctor Jara como "un gran músico, un gran hombre, corazón de izquierda y, sobre todo, de memoria".
Así lo escribió en uno de los libros de condolencias dispuestos frente a la Fundación Víctor Jara, donde son velados los restos del autor, entre otras, de Te recuerdo Amanda, Canto libre y Cuando voy al trabajo.
Entre otras personalidades, Arrate desfiló junto a cientos de chilenos ante el féretro que guarda los restos del popular cantante asesinado hace 36 años tras el golpe militar de Augusto Pinochet.
También concurrieron al homenaje, previsto que dure tres días, hasta el sábado, que será enterrado en el Cementerio General, la ministra de Cultura, Paulina Urrutia, el presidente del Partido Comunista, Guillermo Teillier, y diplomáticos de Cuba y Venezuela, entre otros.
Frente a la Fundación, en un parque, numerosos artistas alternan canciones en tributo a Jara y a todos los detenidos-desaparecidos y ejecutados políticos de Chile.
Los restos del cantautor fueron exhumados en junio para practicarle peritajes y esclarecer su asesinato y, ahora, serán enterrados con el funeral masivo que se merece, recordó Gloria Konig, directora de la Fundación.
Similares actividades, llamadas aquí "velatones", se efectúan también en otras partes de Santiago y del interior del país, afirmaron los organizadores.
En las primeras guardias en torno al féretro estuvieron su viuda, la coreógrafa británica Joan Turner, y sus hijas, entre otros allegados, mientras se transmitían canciones del cantautor.
En Venezuela este viernes 4 de dicembre, organizaciones sociales y políticas populares, desarrollaran desde la Plaza de los Museos, a partir de las 4 pm, un homenaje al cantautor chileno, con canto, poesía y música.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Para comentarista da Globo, ditadura militar ensinou verdadeira democracia
No mundo da Globo
A Rede Globo, bem como as Organizações Globo de um modo geral engordaram na estufa da ditadura, como diria o então Governador do Estdo do Rio de Janeiro, Leonel Brizola.
Este comentarista global de nome Luis Carlos Prates falou claro o que muitos atuais dirigentes do grupo pensam escondido. Neste caso, a sinceridade do cara é algo a se destacar.
Cá entre nós, o referido é do time da extrema-direita que ainda pulula na web, com colunistas defresores ardorosos da ditadura que vigorou no Brasil a partir da derrubada do Presindente constitucional João Goulart. Estes grupos estão cada vez mais isolados, falam para eles mesmo, mas quando aparece um Prates passa a ser muito divulgado.É o que acontecerá, podem crer.
O time desta gente no Uruugai, na Argentina, no Chile e no Paraguai está pagando pelos crimes contra a humanidade que praticaram nos anos de chumbo. Aqui no Brasil, os arquivos continuam fechados e ninguém até hoje respondeu pelo que fez em matéria de violação dos direitos humanos.
Vamos ver o que acontecerá com o hoje deputado Paulo Maluf e o hoje senador Romeu Tuma, que terão de responder a acusação formulada pelo Ministério Público por ocultação de cadáveres nos anos 70. Entre outros acusados encontram-se também um ex-prefeito de São Paulo, Miguel Colassuano e um legista conhecido por assistir torturas, o tristemente famoso Romeu Shibata.
Os defensores da consolidação e aprofundamento do processo democrático devem repudiar pronunciamentos como o proferido por Prates. É vergonhoso e depõe contra a história.
Gente do quillate do Prates, ardoroso defensor da paz dos cemitérios, é capaz de tudo. Até mesmo vir a púbico defender a ditadura ou considerá-la ditabranda... (Mário Augusto Jakobskind)
Deu na Rede Brasil
Ao analisar os 30 anos da Novembrada, protestos em Florianópolis de 1979, Luiz Carlos Prates, da RBS de Santa Catarina, afirma que Figueiredo ensinou o caminho da "verdadeira e legítima democracia"
O comentarista Luiz Carlos Prates, da retransmissora da Rede Globo de Santa Catarina, RBS, defendeu a Ditadura Militar em comentário durante o Jornal do Almoço de segunda-feira (30). Ele analisava os 30 anos da Novembrada, manifestação popular realizada em Florianópolis em 30 de novembro de 1979, diante de uma visita do então presidente João Batista Figueiredo.
Prates negou que tenha ocorrido censura e repressão no período dos militares. Criticou o regime democrático porque desde o fim da ditadura "o Brasil andou para trás" e dedicou seu comentário a Figueiredo que "nos ensinou o caminho da verdadeira luta e da verdadeira e legítima democracia".
"O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob a chamada Ditadura Militar", começou, Prates. "Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares. João Figueiredo, o general, o duro, grosso, morreu pobre. Muito pobre. Tendo de ser ajudado por amigos", declarou.
Ele criticou os estudantes que participaram das manifestações contra a ditadura e em defesa da liberdade e da democracia. "Liberdade eu tinha como jovem, de andar pelas madrugadas de Porto Alegre, Rio, São Paulo, Belo Horizonte, como jornalista, com um radinho de pilha no ouvido. Não era molestado por quem quer que seja. Eu tinha segurança de cidadão brasileiro. Hoje, saia a noite. Não tem mais segurança", prosseguiu.
"E desde quando, ao tempo dos militares, fomos impedidos de estudar, de entrar nas livrarias e comprar um livro, de escolher onde trabalhar, de ter o direito de ir e vir. Eu não fui", orgulhou-se.
"A imoralidade tomou conta de todos nós. E se Rui Barbosa estivesse vivo, haveria de dizer que, verdadeiramente, estamos cansados, constrangidos de ter vergonha. Que Brasil é esse que melhorou?", concluiu.
A Rede Globo, bem como as Organizações Globo de um modo geral engordaram na estufa da ditadura, como diria o então Governador do Estdo do Rio de Janeiro, Leonel Brizola.
Este comentarista global de nome Luis Carlos Prates falou claro o que muitos atuais dirigentes do grupo pensam escondido. Neste caso, a sinceridade do cara é algo a se destacar.
Cá entre nós, o referido é do time da extrema-direita que ainda pulula na web, com colunistas defresores ardorosos da ditadura que vigorou no Brasil a partir da derrubada do Presindente constitucional João Goulart. Estes grupos estão cada vez mais isolados, falam para eles mesmo, mas quando aparece um Prates passa a ser muito divulgado.É o que acontecerá, podem crer.
O time desta gente no Uruugai, na Argentina, no Chile e no Paraguai está pagando pelos crimes contra a humanidade que praticaram nos anos de chumbo. Aqui no Brasil, os arquivos continuam fechados e ninguém até hoje respondeu pelo que fez em matéria de violação dos direitos humanos.
Vamos ver o que acontecerá com o hoje deputado Paulo Maluf e o hoje senador Romeu Tuma, que terão de responder a acusação formulada pelo Ministério Público por ocultação de cadáveres nos anos 70. Entre outros acusados encontram-se também um ex-prefeito de São Paulo, Miguel Colassuano e um legista conhecido por assistir torturas, o tristemente famoso Romeu Shibata.
Os defensores da consolidação e aprofundamento do processo democrático devem repudiar pronunciamentos como o proferido por Prates. É vergonhoso e depõe contra a história.
Gente do quillate do Prates, ardoroso defensor da paz dos cemitérios, é capaz de tudo. Até mesmo vir a púbico defender a ditadura ou considerá-la ditabranda... (Mário Augusto Jakobskind)
Deu na Rede Brasil
Ao analisar os 30 anos da Novembrada, protestos em Florianópolis de 1979, Luiz Carlos Prates, da RBS de Santa Catarina, afirma que Figueiredo ensinou o caminho da "verdadeira e legítima democracia"
O comentarista Luiz Carlos Prates, da retransmissora da Rede Globo de Santa Catarina, RBS, defendeu a Ditadura Militar em comentário durante o Jornal do Almoço de segunda-feira (30). Ele analisava os 30 anos da Novembrada, manifestação popular realizada em Florianópolis em 30 de novembro de 1979, diante de uma visita do então presidente João Batista Figueiredo.
Prates negou que tenha ocorrido censura e repressão no período dos militares. Criticou o regime democrático porque desde o fim da ditadura "o Brasil andou para trás" e dedicou seu comentário a Figueiredo que "nos ensinou o caminho da verdadeira luta e da verdadeira e legítima democracia".
"O Brasil nunca cresceu tanto quanto sob a chamada Ditadura Militar", começou, Prates. "Estradas rasgaram o Brasil, universidades foram multiplicadas. Ciência e tecnologia começaram para valer no país sob a tutela dos militares. João Figueiredo, o general, o duro, grosso, morreu pobre. Muito pobre. Tendo de ser ajudado por amigos", declarou.
Ele criticou os estudantes que participaram das manifestações contra a ditadura e em defesa da liberdade e da democracia. "Liberdade eu tinha como jovem, de andar pelas madrugadas de Porto Alegre, Rio, São Paulo, Belo Horizonte, como jornalista, com um radinho de pilha no ouvido. Não era molestado por quem quer que seja. Eu tinha segurança de cidadão brasileiro. Hoje, saia a noite. Não tem mais segurança", prosseguiu.
"E desde quando, ao tempo dos militares, fomos impedidos de estudar, de entrar nas livrarias e comprar um livro, de escolher onde trabalhar, de ter o direito de ir e vir. Eu não fui", orgulhou-se.
"A imoralidade tomou conta de todos nós. E se Rui Barbosa estivesse vivo, haveria de dizer que, verdadeiramente, estamos cansados, constrangidos de ter vergonha. Que Brasil é esse que melhorou?", concluiu.
Un misterio todavia poco claro
SE REPORTA ESTADOS UNIDOS EN PANICO LUEGO DE QUE AVIONES CON COLA DE AGENTES QUÍMICOS FUERON OBLIGADOS A DESCENDER EN LA INDIA Y NIGERIA
Por: Sorcha Faal
Analistas militares rusos están informando hoy en el Kremlin que las fuerzas militares de los Estados Unidos están “en pánico” por los aterrizajes forzosos ordenados por las Fuerzas Aéreas de la India y Nigeria, de dos aeronaves ucranianas AN-124 (foto izquierda superior) operadas por la Fuerza Aérea Estadounidense y con base en su gigantesca y secreta base aérea de Diego García en el Océano Índico.
Según estos informes, la Fuerza Aérea del Ejército de la Liberación del Pueblo de China (PLAAF), notificó a los funcionarios de inteligencia de la India y de Nigeria sobre la presencia de estas aeronaves ucranianas operadas por los Estados Unidos por su creciente preocupación de que los Estados Unidos estén esparciendo “agentes biológicos” en toda la atmósfera de la Tierra y que algunos funcionarios chinos están advirtiendo que sea un intento estadounidense-europeo de llevar a cabo un genocidio en masa a través de esparcir el virus de la influenza porcino H1N1 que ha puesto en peligro a toda la población mundial.
La primera de estas aeronaves que se obligó a aterrizar, continúan señalando estos informes, fue sobre la India cuando un avión AN-124 operado por los Estados Unidos cambió su señal de llamada de civil a militar al estarse preparando para entrar al espacio aéreo Pakistaní, y que detonó una respuesta inmediata de la Fuerza Aérea de la India (IAF) que lo obligó aterrizar en Bombay, y el segundo fue obligado a descender por un jet de combate Nigeriano que luego arrestaron tanto a la tripulación como al aparato.
Lo más extraño de estos reportes presentados por las agencias de inteligencia de la India y de Nigeria sobre estas aeronaves, más que los armamentos que transportaban, fueron sus sistemas de desecho que estos reportes dicen podrían contener más de 45,000 kg (100,000 libras) y de los cuales una red “tecnológicamente sofisticada” de nano-tubos llevaban a las orillas colgantes de las alas y a los estabilizadores horizontales para “dispersar” el contenido de los tanques de desecho en un “rocío tipo aéreo”.
"Furiosas” exigencias hechas por los Estados Unidos tanto a la India como a Nigeria para la liberación de sus aviones llevaron a los funcionarios de la Defensa India a permitir que el AN-124 que capturaron fuera liberado. Nigeria, sin embargo, tuvo que ser “persuadida a la fuerza” a liberar al avión capturado cuando después de su negativa inicial de hacerlo, sufrió la voladura de un de sus oleoductos por los muchos grupos terroristas que cuentan con el respaldo de los Estados Unidos y que operan en ese país.
Para los muchos y conflictivos temas que rodean estas colas de químicos no contamos con la pericia para examinarlos a profundidad, más que hacer la observación de que la organización Sunshine Project (Proyecto Rayo de Sol) con base estadounidense en el 2002 acusó al ejército estadounidense de “llevar a cabo una investigación de armas químicas y un programa para su desarrollo violando las leyes internacionales del control de armas” y señaló:
"El programa secreto del JNLWD (Directorado de Armas No Letales del Departamento de la Defensa de los Estados Unidos), no se está enfocando en agentes altamente leales como la VX o la sarina. Mas bien, el énfasis está en las armas químicas “no letales” que incapacitan. Los asesores de ciencia del JNLWD definen como “no letal” como el resultado de muerte o lesiones permanentes en 1 a 100 víctimas (1) El Director de Investigaciones del JNLWD dijo a una revista militar Estadounidense “Necesitamos algo además del gas lacrimógeno, como calmantes, agentes anestésicos, que pondrían a la gente a dormir o de buen humor” (2) Estas armas tienen el propósito para usarse contra “civiles potencialmente hostiles”, en operaciones anti-terrorismo, contra-insurgencia y otras operaciones militares.
El enfoque principal de la operación del JNLWD está en el uso de las drogas como armas, particularmente las llamadas “calmantes”, un término militar para la alteración mental o sueño inducido por medio de armas químicas”.
Es curioso señalar sobre este programa secretor militar estadounidenses de soltar sobre sus ciudadanos “agentes calmantes” es que parece estar funcionario pues ninguna otra nación en el mundo es tan dócil y complaciente ante su destrucción que el estadounidense, que, sólo en un ejemplo, permitió que su voto presidencial por Al Gore les fuera robado por George Bush en las elecciones de 2000. y peor todavía, ni siquiera se dieron cuenta de que su actual presidente Barack Obama, continúa las políticas ilegales de Bush, incluyendo una de las más peligrosas para este pueblo que permite que el Gobierno los detenga para siempre sin juicio si es que los etiqueta como “terroristas”.
Pero, en cuanto a los peores temores para nuestro mundo sobre estos acontecimientos, y como lo habíamos reportado con anterioridad, y si es que las agencias de inteligencia de China están correctas en sus informes sobre el plan de los Estados Unidos para un genocidio global, podemos leer lo que reportó la periodista investigadora Austriaca, Jane Burgermeister, quien en su anterior denuncia de cargos penales junto con el FBI contra la Organización Mundial de la Salud (OMS), las Naciones Unidos, de las que se dice:
“En sus cargos, Burgermeister presente evidencia de actos de bio-terrorismo que viola la ley Estadounidense por parte de un grupo que opera dentro de los Estados Unidos bajo la dirección de banqueros internacionales que controlan a la Reserva Federal, así como la OMS, la ONU y la OTAN. Este bio-terrorismo es con el propósito de llevar a cabo un genocidio en masa contra la población Estadounidense por medio del uso de un virus de pandemia de influenza genéticamente diseñado con la intención de causar la muerte. Este grupo se ha anexado oficinas del alto gobierno en los Estados Unidos.
Específicamente, la evidencia que se presenta, los acusados, Barack Obama, Presidente los Estados Unidos, David Nabarro, Coordinador para la Influenza de la ONU, Margaret Chan, Director General de la OMS, Kathleen Sibelius, Secretaria del Departamento de Salud y de Servicios Humanos, Janet Napolitano, Secretaria del Departamento de Seguridad Interior, David de Rotschild, banquero, David Rockefeller, banquero, George Soros, banquero, Werner Faymann, canciller de Austria, y Alois Stoger, Ministro de Salud de Austria, entre otros, son parte de este sindicato criminal corporativo internacional que ha desarrollado, producido, acumulado y empleado armas biológicas para eliminar a la población de los Estados Unidos y otros países para su ganancia financiera y política.
Las acusaciones sostienen que estos acusados conspiraron uno con otro y otros para idear, financiar y participar en la fase final de la implementación de un programa internacional encubierto de armas biológicas que implican a las compañía farmacéuticas Baxter y Novartis. Hicieron esto por medio de la bio-ingeniería y luego liberando agentes biológicos letales, específicamente, el virus de la “influenza aviar” y el “virus de la influenza porcina” con el fin de tener un pretexto para implementar un programa de vacunación masiva forzada que sería el medio para administrar un agente biológico tóxico para causar la muerte y lesiones al pueblo de los Estados Unidos. Esta acción es una violación directa a la Ley de Anti-Terrorismo de las Armas Biológicas”.
Para el mismo pueblo estadounidense, tal vez, lo peor está por sucederles pues nuevos reportes de los Estados Unidos están señalando que sus Centros para el Control de Enfermedades (CDC) ha ordenado una cantidad sin precedentes de 600 millones de dosis de la vacuna para la influenza porcina que se administrará obligadamente a estas gentes bajo la presente Emergencia de Salud Pública de Influenza Porcina y no tienen otra opción más que tomarlas o enfrentar prisión por 10 años.
Lo que hace extraño de estas 600 millones de dosis de vacuna contra la influenza porcina, hasta donde se conoce hoy, es IMPOSIBLE que se produzca alguna vacuna para el virus H1N1 de la influenza porcina pues continúa evolucionando como lo apuntan nuevos reportes desde Brasil y que muestran claramente y lo más horribles, y en los Estados Unidos donde un niño de Oregon “identificado únicamente como ‘menor de 5 años’ murió el 15 de junio y se confirmó el virus de influenza porcina por parte de los laboratorios de Salud Pública del Estado de Oregon. El niño “no contaba con condiciones médicas subyacentes conocidas y tenía una historia de fiebre de dos días’ y no fue hospitalizado”.
No es necesario decirlo por supuesto, que este pueblo estadounidense no tiene ni idea del proceso de más de un año que requiere elaborar cualquier tipo de vacuna para la influenza una vez que el virus ha dejado de mutar, pero de nuevo, nadie ha acusado jamás a estas gentes de ser nada más que simplones semejantes a los borregos mientras continuan observando la destrucción de su otrora gran nación en las propias manos de aquellos que creen que les están ayudando.
Y para aquellos que, como nosotros, continuamos gritándoles alertas verdaderas? Por absurdo que pueda parecer, queda la triste realidad de que a los que les dicen la verdad, los llaman mentirosos y a los que les mienten les creen. Ni una sola vez cuestionan ellos los que sus líderes y medios de propaganda les dicen que piensen o crean.
Por: Sorcha Faal
Analistas militares rusos están informando hoy en el Kremlin que las fuerzas militares de los Estados Unidos están “en pánico” por los aterrizajes forzosos ordenados por las Fuerzas Aéreas de la India y Nigeria, de dos aeronaves ucranianas AN-124 (foto izquierda superior) operadas por la Fuerza Aérea Estadounidense y con base en su gigantesca y secreta base aérea de Diego García en el Océano Índico.
Según estos informes, la Fuerza Aérea del Ejército de la Liberación del Pueblo de China (PLAAF), notificó a los funcionarios de inteligencia de la India y de Nigeria sobre la presencia de estas aeronaves ucranianas operadas por los Estados Unidos por su creciente preocupación de que los Estados Unidos estén esparciendo “agentes biológicos” en toda la atmósfera de la Tierra y que algunos funcionarios chinos están advirtiendo que sea un intento estadounidense-europeo de llevar a cabo un genocidio en masa a través de esparcir el virus de la influenza porcino H1N1 que ha puesto en peligro a toda la población mundial.
La primera de estas aeronaves que se obligó a aterrizar, continúan señalando estos informes, fue sobre la India cuando un avión AN-124 operado por los Estados Unidos cambió su señal de llamada de civil a militar al estarse preparando para entrar al espacio aéreo Pakistaní, y que detonó una respuesta inmediata de la Fuerza Aérea de la India (IAF) que lo obligó aterrizar en Bombay, y el segundo fue obligado a descender por un jet de combate Nigeriano que luego arrestaron tanto a la tripulación como al aparato.
Lo más extraño de estos reportes presentados por las agencias de inteligencia de la India y de Nigeria sobre estas aeronaves, más que los armamentos que transportaban, fueron sus sistemas de desecho que estos reportes dicen podrían contener más de 45,000 kg (100,000 libras) y de los cuales una red “tecnológicamente sofisticada” de nano-tubos llevaban a las orillas colgantes de las alas y a los estabilizadores horizontales para “dispersar” el contenido de los tanques de desecho en un “rocío tipo aéreo”.
"Furiosas” exigencias hechas por los Estados Unidos tanto a la India como a Nigeria para la liberación de sus aviones llevaron a los funcionarios de la Defensa India a permitir que el AN-124 que capturaron fuera liberado. Nigeria, sin embargo, tuvo que ser “persuadida a la fuerza” a liberar al avión capturado cuando después de su negativa inicial de hacerlo, sufrió la voladura de un de sus oleoductos por los muchos grupos terroristas que cuentan con el respaldo de los Estados Unidos y que operan en ese país.
Para los muchos y conflictivos temas que rodean estas colas de químicos no contamos con la pericia para examinarlos a profundidad, más que hacer la observación de que la organización Sunshine Project (Proyecto Rayo de Sol) con base estadounidense en el 2002 acusó al ejército estadounidense de “llevar a cabo una investigación de armas químicas y un programa para su desarrollo violando las leyes internacionales del control de armas” y señaló:
"El programa secreto del JNLWD (Directorado de Armas No Letales del Departamento de la Defensa de los Estados Unidos), no se está enfocando en agentes altamente leales como la VX o la sarina. Mas bien, el énfasis está en las armas químicas “no letales” que incapacitan. Los asesores de ciencia del JNLWD definen como “no letal” como el resultado de muerte o lesiones permanentes en 1 a 100 víctimas (1) El Director de Investigaciones del JNLWD dijo a una revista militar Estadounidense “Necesitamos algo además del gas lacrimógeno, como calmantes, agentes anestésicos, que pondrían a la gente a dormir o de buen humor” (2) Estas armas tienen el propósito para usarse contra “civiles potencialmente hostiles”, en operaciones anti-terrorismo, contra-insurgencia y otras operaciones militares.
El enfoque principal de la operación del JNLWD está en el uso de las drogas como armas, particularmente las llamadas “calmantes”, un término militar para la alteración mental o sueño inducido por medio de armas químicas”.
Es curioso señalar sobre este programa secretor militar estadounidenses de soltar sobre sus ciudadanos “agentes calmantes” es que parece estar funcionario pues ninguna otra nación en el mundo es tan dócil y complaciente ante su destrucción que el estadounidense, que, sólo en un ejemplo, permitió que su voto presidencial por Al Gore les fuera robado por George Bush en las elecciones de 2000. y peor todavía, ni siquiera se dieron cuenta de que su actual presidente Barack Obama, continúa las políticas ilegales de Bush, incluyendo una de las más peligrosas para este pueblo que permite que el Gobierno los detenga para siempre sin juicio si es que los etiqueta como “terroristas”.
Pero, en cuanto a los peores temores para nuestro mundo sobre estos acontecimientos, y como lo habíamos reportado con anterioridad, y si es que las agencias de inteligencia de China están correctas en sus informes sobre el plan de los Estados Unidos para un genocidio global, podemos leer lo que reportó la periodista investigadora Austriaca, Jane Burgermeister, quien en su anterior denuncia de cargos penales junto con el FBI contra la Organización Mundial de la Salud (OMS), las Naciones Unidos, de las que se dice:
“En sus cargos, Burgermeister presente evidencia de actos de bio-terrorismo que viola la ley Estadounidense por parte de un grupo que opera dentro de los Estados Unidos bajo la dirección de banqueros internacionales que controlan a la Reserva Federal, así como la OMS, la ONU y la OTAN. Este bio-terrorismo es con el propósito de llevar a cabo un genocidio en masa contra la población Estadounidense por medio del uso de un virus de pandemia de influenza genéticamente diseñado con la intención de causar la muerte. Este grupo se ha anexado oficinas del alto gobierno en los Estados Unidos.
Específicamente, la evidencia que se presenta, los acusados, Barack Obama, Presidente los Estados Unidos, David Nabarro, Coordinador para la Influenza de la ONU, Margaret Chan, Director General de la OMS, Kathleen Sibelius, Secretaria del Departamento de Salud y de Servicios Humanos, Janet Napolitano, Secretaria del Departamento de Seguridad Interior, David de Rotschild, banquero, David Rockefeller, banquero, George Soros, banquero, Werner Faymann, canciller de Austria, y Alois Stoger, Ministro de Salud de Austria, entre otros, son parte de este sindicato criminal corporativo internacional que ha desarrollado, producido, acumulado y empleado armas biológicas para eliminar a la población de los Estados Unidos y otros países para su ganancia financiera y política.
Las acusaciones sostienen que estos acusados conspiraron uno con otro y otros para idear, financiar y participar en la fase final de la implementación de un programa internacional encubierto de armas biológicas que implican a las compañía farmacéuticas Baxter y Novartis. Hicieron esto por medio de la bio-ingeniería y luego liberando agentes biológicos letales, específicamente, el virus de la “influenza aviar” y el “virus de la influenza porcina” con el fin de tener un pretexto para implementar un programa de vacunación masiva forzada que sería el medio para administrar un agente biológico tóxico para causar la muerte y lesiones al pueblo de los Estados Unidos. Esta acción es una violación directa a la Ley de Anti-Terrorismo de las Armas Biológicas”.
Para el mismo pueblo estadounidense, tal vez, lo peor está por sucederles pues nuevos reportes de los Estados Unidos están señalando que sus Centros para el Control de Enfermedades (CDC) ha ordenado una cantidad sin precedentes de 600 millones de dosis de la vacuna para la influenza porcina que se administrará obligadamente a estas gentes bajo la presente Emergencia de Salud Pública de Influenza Porcina y no tienen otra opción más que tomarlas o enfrentar prisión por 10 años.
Lo que hace extraño de estas 600 millones de dosis de vacuna contra la influenza porcina, hasta donde se conoce hoy, es IMPOSIBLE que se produzca alguna vacuna para el virus H1N1 de la influenza porcina pues continúa evolucionando como lo apuntan nuevos reportes desde Brasil y que muestran claramente y lo más horribles, y en los Estados Unidos donde un niño de Oregon “identificado únicamente como ‘menor de 5 años’ murió el 15 de junio y se confirmó el virus de influenza porcina por parte de los laboratorios de Salud Pública del Estado de Oregon. El niño “no contaba con condiciones médicas subyacentes conocidas y tenía una historia de fiebre de dos días’ y no fue hospitalizado”.
No es necesario decirlo por supuesto, que este pueblo estadounidense no tiene ni idea del proceso de más de un año que requiere elaborar cualquier tipo de vacuna para la influenza una vez que el virus ha dejado de mutar, pero de nuevo, nadie ha acusado jamás a estas gentes de ser nada más que simplones semejantes a los borregos mientras continuan observando la destrucción de su otrora gran nación en las propias manos de aquellos que creen que les están ayudando.
Y para aquellos que, como nosotros, continuamos gritándoles alertas verdaderas? Por absurdo que pueda parecer, queda la triste realidad de que a los que les dicen la verdad, los llaman mentirosos y a los que les mienten les creen. Ni una sola vez cuestionan ellos los que sus líderes y medios de propaganda les dicen que piensen o crean.
Perseguição no RS é comparada a práticas da ditadura
Deu no Brasil de Fato
Relatório da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência aponta que MP e governo gaúchos criminalizam movimentos sociais
Bianca Costa,
de Porto Alegre (RS)
A Comissão Especial do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos (CDDPH), órgão ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), apura tentativas de criminalização dos movimentos sociais no Rio Grande do Sul. O relatório final aponta para 28 recomendações a instituições dos governos estadual e federal e para o Ministério Público Estadual. O documento foi apresentado em uma audiência pública na Assembléia Legislativa gaúcha, no dia 26 de novembro.
O texto é resultado de dois anos de investigações da Comissão, criada após denúncias do deputado federal Adão Pretto (PT-RS), morto em fevereiro, sobre a criminalização dos movimentos sociais por parte da Brigada Militar (a Política Militar do RS), do Ministério Público Estadual e do governo estadual. O trabalho foi realizado com base em ações da Brigada Militar, depoimentos de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da entidade patronal Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), de representantes da sociedade civil e de movimentos sociais urbanos.
De acordo o secretário adjunto da SEDH Rogério Sottili, a Comissão comprovou que ouve um aumento das ações violentas da Brigada Militar a partir de 2005. Além disso, Sotilli aponta que a Nota de Instrução Operacional 006.1, instituída em 2007 no governo de Yeda Crusius (PSDB), identifica os movimentos sociais como organizações criminosas. “É a partir dessa Instrução que a Brigada Militar começa a abordar os movimentos sociais dessa forma, é de uma gravidade sem tamanho, uma gravidade que nós não assistíamos no Brasil desde a derrubada da ditadura militar, pois são práticas autoritárias, que nós, e a sociedade brasileira como um todo, não queremos mais ver no Brasil”, avalia.
No documento constam também as declarações do procurador Gilberto Thums sobre o MST. Ele foi um dos promotores que aprovou um relatório do Conselho Superior do Ministério Público gaúcho que pedia a dissolução do movimento. Conforme entrevista do procurador ao Diário da Manhã, “o MST é um braço de guerrilha da Via Campesina”. Para os membros da Comissão Especial, as ações de criminalização e identificação de integrantes de movimentos sociais são um atentado ao Estado Democrático de Direito.
Violência crescente
O relator do documento e coordenador-geral do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos da SEDH, Fernando Matos, alertou que há um avanço da repressão por parte da Brigada Militar nos últimos quatro anos. Na conclusão de seu relatório, Matos aponta que há, de fato, indícios de criminalização dos movimentos sociais do campo e da cidade por parte dos poderes locais. Ele afirmou ainda que os fatos mais recentes, as torturas registradas na ação de reintegração de posse da Prefeitura de São Gabriel e o assassinato do sem-terra Elton Brum da Silva, em agosto, mostram a gravidade do problema.
Conforme o relator, desde a tragédia de Eldorado dos Carajás, em 1996, ninguém havia sido morto pela polícia em operação semelhante. “Não ocorriam mortes causadas pela polícia militar em reintegração de posse em nenhum estado desde 1996. Ao contrário, a Ouvidoria Agrária Nacional produziu um manual de reintegração de posse pacífica e mediada e a Brigada Militar foi a única polícia estadual que não assinou essa iniciativa em nível nacional. Então nós nos preocupamos bastante, porque no nosso entendimento, se há a constatação de criminalização, a gente não pode permitir que isso se aprofunde e resulte em tragédias e perdas de vidas”, analisa.
Saídas
Matos aponta no relatório a necessidade da criação de uma Comissão Estadual de Mediação de Conflitos Agrários; a revogação pelo Comando Geral da Brigada Militar, da Nota de Instrução Operacional nº 006.1; a suspensão pela Brigada do processo de fichamento de lideranças dos movimentos sociais; a recomendação à Brigada que adote o Manual de Diretrizes Nacionais para Execução de Mandados Judiciais de Manutenção e Reintegração de Posse coletiva, da Ouvidoria Agrária Nacional; e a garantia às crianças dos acampamentos do MST do acesso à educação, à saúde e à alimentação. Além disso, recomenda ao Ministério Público Federal que analise a possibilidade de denunciar, por crime de tortura, os atos praticados pela Brigada Militar na madrugada do dia 12 de março de 2006.
O documento apresentado na Assembléia Legislativa ainda relata outros casos de truculência da polícia. O relatório faz referência a desocupação da fazenda São João da Armada, em Canguçu, em 2008 na qual a Brigada revida com intimidações e humilhações. No mesmo ano, foram registrados atos de violência contra os manifestantes da Marcha dos Sem, no Parque Harmonia, em Porto Alegre. No documento ainda estão apontados o cerco às festividades dos 25 anos do MST e a norma do Ministério Público Estadual, em fevereiro de 2009, de fechar as escolas itinerantes do movimento.
Entretanto, para o MST, as recomendações do relator não podem ficar somente no papel. De acordo com Cedenir de Oliveira, da coordenação estadual do MST, o relatório é importante pois reafirma as denúncias que o movimento já havia feito. Mas, de acordo com Oliveira, somente o relatório não resolve o problema da criminalização. “Por um lado ele é importante, pois revela e reafirma as denúncias do movimento. Agora, não podemos esperar que somente o relatório irá resolver os problemas da criminalização no RS. Precisamos de uma postura mais ativa e neste momento nós estamos cobrando que o MPF assuma esse papel e toque adiante essas denúncias”, afirma.
Relatório da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência aponta que MP e governo gaúchos criminalizam movimentos sociais
Bianca Costa,
de Porto Alegre (RS)
A Comissão Especial do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos (CDDPH), órgão ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), apura tentativas de criminalização dos movimentos sociais no Rio Grande do Sul. O relatório final aponta para 28 recomendações a instituições dos governos estadual e federal e para o Ministério Público Estadual. O documento foi apresentado em uma audiência pública na Assembléia Legislativa gaúcha, no dia 26 de novembro.
O texto é resultado de dois anos de investigações da Comissão, criada após denúncias do deputado federal Adão Pretto (PT-RS), morto em fevereiro, sobre a criminalização dos movimentos sociais por parte da Brigada Militar (a Política Militar do RS), do Ministério Público Estadual e do governo estadual. O trabalho foi realizado com base em ações da Brigada Militar, depoimentos de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da entidade patronal Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), de representantes da sociedade civil e de movimentos sociais urbanos.
De acordo o secretário adjunto da SEDH Rogério Sottili, a Comissão comprovou que ouve um aumento das ações violentas da Brigada Militar a partir de 2005. Além disso, Sotilli aponta que a Nota de Instrução Operacional 006.1, instituída em 2007 no governo de Yeda Crusius (PSDB), identifica os movimentos sociais como organizações criminosas. “É a partir dessa Instrução que a Brigada Militar começa a abordar os movimentos sociais dessa forma, é de uma gravidade sem tamanho, uma gravidade que nós não assistíamos no Brasil desde a derrubada da ditadura militar, pois são práticas autoritárias, que nós, e a sociedade brasileira como um todo, não queremos mais ver no Brasil”, avalia.
No documento constam também as declarações do procurador Gilberto Thums sobre o MST. Ele foi um dos promotores que aprovou um relatório do Conselho Superior do Ministério Público gaúcho que pedia a dissolução do movimento. Conforme entrevista do procurador ao Diário da Manhã, “o MST é um braço de guerrilha da Via Campesina”. Para os membros da Comissão Especial, as ações de criminalização e identificação de integrantes de movimentos sociais são um atentado ao Estado Democrático de Direito.
Violência crescente
O relator do documento e coordenador-geral do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos da SEDH, Fernando Matos, alertou que há um avanço da repressão por parte da Brigada Militar nos últimos quatro anos. Na conclusão de seu relatório, Matos aponta que há, de fato, indícios de criminalização dos movimentos sociais do campo e da cidade por parte dos poderes locais. Ele afirmou ainda que os fatos mais recentes, as torturas registradas na ação de reintegração de posse da Prefeitura de São Gabriel e o assassinato do sem-terra Elton Brum da Silva, em agosto, mostram a gravidade do problema.
Conforme o relator, desde a tragédia de Eldorado dos Carajás, em 1996, ninguém havia sido morto pela polícia em operação semelhante. “Não ocorriam mortes causadas pela polícia militar em reintegração de posse em nenhum estado desde 1996. Ao contrário, a Ouvidoria Agrária Nacional produziu um manual de reintegração de posse pacífica e mediada e a Brigada Militar foi a única polícia estadual que não assinou essa iniciativa em nível nacional. Então nós nos preocupamos bastante, porque no nosso entendimento, se há a constatação de criminalização, a gente não pode permitir que isso se aprofunde e resulte em tragédias e perdas de vidas”, analisa.
Saídas
Matos aponta no relatório a necessidade da criação de uma Comissão Estadual de Mediação de Conflitos Agrários; a revogação pelo Comando Geral da Brigada Militar, da Nota de Instrução Operacional nº 006.1; a suspensão pela Brigada do processo de fichamento de lideranças dos movimentos sociais; a recomendação à Brigada que adote o Manual de Diretrizes Nacionais para Execução de Mandados Judiciais de Manutenção e Reintegração de Posse coletiva, da Ouvidoria Agrária Nacional; e a garantia às crianças dos acampamentos do MST do acesso à educação, à saúde e à alimentação. Além disso, recomenda ao Ministério Público Federal que analise a possibilidade de denunciar, por crime de tortura, os atos praticados pela Brigada Militar na madrugada do dia 12 de março de 2006.
O documento apresentado na Assembléia Legislativa ainda relata outros casos de truculência da polícia. O relatório faz referência a desocupação da fazenda São João da Armada, em Canguçu, em 2008 na qual a Brigada revida com intimidações e humilhações. No mesmo ano, foram registrados atos de violência contra os manifestantes da Marcha dos Sem, no Parque Harmonia, em Porto Alegre. No documento ainda estão apontados o cerco às festividades dos 25 anos do MST e a norma do Ministério Público Estadual, em fevereiro de 2009, de fechar as escolas itinerantes do movimento.
Entretanto, para o MST, as recomendações do relator não podem ficar somente no papel. De acordo com Cedenir de Oliveira, da coordenação estadual do MST, o relatório é importante pois reafirma as denúncias que o movimento já havia feito. Mas, de acordo com Oliveira, somente o relatório não resolve o problema da criminalização. “Por um lado ele é importante, pois revela e reafirma as denúncias do movimento. Agora, não podemos esperar que somente o relatório irá resolver os problemas da criminalização no RS. Precisamos de uma postura mais ativa e neste momento nós estamos cobrando que o MPF assuma esse papel e toque adiante essas denúncias”, afirma.
SI, SEÑOR, EL “PEPE”...PRESIDENTE
Un hecho historico en Uruguay y America Latina
El tipo es todo lo contrario.Los zapatos comunes lo lastiman. Sus pies son un desafío para el podólogo y las hormas.
La tierra de su quinta, y del camino de su casa, siempre viajan con él de alguna forma. No tiene perros de raza y con papeles, apenas una perrita común y sin una pata. Los diseños de Armani y Versace no están pensados para su cuerpo ancho y pesado.
Las corbatas de seda no encuentran un cuello desde donde colgar elegantemente hasta la cintura. No huele a Polo, Mont Blanc o Dolce & Gavana. Apenas una colonia popular, después de afeitarse. Su pelo y las tijeras se resisten mutuamente al encuentro, pero hacen pactos puntuales, por obligación. El bigote ganó su permanencia por intransigente.
Su perfil no ofrece garantías de nobleza.
Las pequeñas gafas encuentran apoyo suficiente en la punta de la nariz afilada. Y bajo las cejas pobladas sus ojos inquisidores y socarrones devuelven una mirada de niño de gruesas pestañas. La fotografía social no se deleita con su sonrisa. No practica ningún deporte.
El cigarrillo censurado seguramente realiza incursiones clandestinas entre sus dedos y su garganta sabe gustar de una buena copa o de un mate amargo bien cebado. Forma parte de aquellos que se asomaron al infierno y saben disfrutar de la vida, pero también de aquellos que eligieron no detenerse en el Paraíso.
Fue líder de la guerrilla urbana.. Fue derrotado. Fue acribillado. Fue rehén de la dictadura militar y sobrevivió a la tortura, a la locura, a once años de cautiverio y de venganza. Fue liberado en democracia, pero nunca amnistiado, y se dedicó a la política sosteniendo los mismos valores y principios que lo impulsaron a la lucha armada.
Cuando habla, todo el mundo presta atención.
Sus verdaderos adversarios saben que hay coherencias y verdades que no las sostiene el que quiere, sino el que puede.
Aunque su gesto natural es la sonrisa y el buen humor, no se demora en alzar la voz y en maldecir groseramente cuando se le vuelan los pájaros de la paciencia. No es precisamente la imagen de un abuelo venerable.
Pobre por elección, sueña en voz alta, estudia, trabaja, agita los cambios colectivos. Los poderosos no pueden encontrarle la vuelta, la gente lo vota sin que prometa nada. La política, el aparato, el partido, las cúpulas, se quedaron de pronto sin casilleros para este hombre que está adentro pero a la vez está afuera del trillo habitual, de los moldes establecidos, del juego fácil.
Sus propios seguidores saben que no pueden acompasarle el tranco. Más bien, siempre saben que están en falta.
Los frívolos saben que no está en venta. El tipo es todo lo contrario. Tal vez por eso nunca pueda ser políticamente correcto.
Cuando puede, se ocupa de sus flores. Porque sabe que sus flores, algún día, se ocuparán de él.
Pero todavía no es tiempo. Hay mucho por hacer, por proponer y por molestar.
Fue Ministro de Ganadería.
Es Senador de la República.
Sus íntimos, le dicen “el Viejo”.
Todos lo conocen como “el Pepe”.
Este domingo 29 de noviembre de 2009 ha sido electo Presidente de la República Oriental del Uruguay...
De tanto en tanto, la historia nos interpela, nos desafía, nos conmueve...Y uno intuye, olfatea, y elige, de que lado estará...
El tipo es todo lo contrario.Los zapatos comunes lo lastiman. Sus pies son un desafío para el podólogo y las hormas.
La tierra de su quinta, y del camino de su casa, siempre viajan con él de alguna forma. No tiene perros de raza y con papeles, apenas una perrita común y sin una pata. Los diseños de Armani y Versace no están pensados para su cuerpo ancho y pesado.
Las corbatas de seda no encuentran un cuello desde donde colgar elegantemente hasta la cintura. No huele a Polo, Mont Blanc o Dolce & Gavana. Apenas una colonia popular, después de afeitarse. Su pelo y las tijeras se resisten mutuamente al encuentro, pero hacen pactos puntuales, por obligación. El bigote ganó su permanencia por intransigente.
Su perfil no ofrece garantías de nobleza.
Las pequeñas gafas encuentran apoyo suficiente en la punta de la nariz afilada. Y bajo las cejas pobladas sus ojos inquisidores y socarrones devuelven una mirada de niño de gruesas pestañas. La fotografía social no se deleita con su sonrisa. No practica ningún deporte.
El cigarrillo censurado seguramente realiza incursiones clandestinas entre sus dedos y su garganta sabe gustar de una buena copa o de un mate amargo bien cebado. Forma parte de aquellos que se asomaron al infierno y saben disfrutar de la vida, pero también de aquellos que eligieron no detenerse en el Paraíso.
Fue líder de la guerrilla urbana.. Fue derrotado. Fue acribillado. Fue rehén de la dictadura militar y sobrevivió a la tortura, a la locura, a once años de cautiverio y de venganza. Fue liberado en democracia, pero nunca amnistiado, y se dedicó a la política sosteniendo los mismos valores y principios que lo impulsaron a la lucha armada.
Cuando habla, todo el mundo presta atención.
Sus verdaderos adversarios saben que hay coherencias y verdades que no las sostiene el que quiere, sino el que puede.
Aunque su gesto natural es la sonrisa y el buen humor, no se demora en alzar la voz y en maldecir groseramente cuando se le vuelan los pájaros de la paciencia. No es precisamente la imagen de un abuelo venerable.
Pobre por elección, sueña en voz alta, estudia, trabaja, agita los cambios colectivos. Los poderosos no pueden encontrarle la vuelta, la gente lo vota sin que prometa nada. La política, el aparato, el partido, las cúpulas, se quedaron de pronto sin casilleros para este hombre que está adentro pero a la vez está afuera del trillo habitual, de los moldes establecidos, del juego fácil.
Sus propios seguidores saben que no pueden acompasarle el tranco. Más bien, siempre saben que están en falta.
Los frívolos saben que no está en venta. El tipo es todo lo contrario. Tal vez por eso nunca pueda ser políticamente correcto.
Cuando puede, se ocupa de sus flores. Porque sabe que sus flores, algún día, se ocuparán de él.
Pero todavía no es tiempo. Hay mucho por hacer, por proponer y por molestar.
Fue Ministro de Ganadería.
Es Senador de la República.
Sus íntimos, le dicen “el Viejo”.
Todos lo conocen como “el Pepe”.
Este domingo 29 de noviembre de 2009 ha sido electo Presidente de la República Oriental del Uruguay...
De tanto en tanto, la historia nos interpela, nos desafía, nos conmueve...Y uno intuye, olfatea, y elige, de que lado estará...
A CONFECOM E A SOBERANIA INFORMATIVO-CULTURAL
Uma verdadeira democratização dos meios decomunuicação
"Uma notícia tá chegando lá do interior0
não deu no rádio, no jornal, nem na televisão"
(Notícias do Brasil
Milton Nascimento/ Fernando Brandt)
Podemos considerar plenamente soberano um país que tenha o seu setor audiovisual invadido em 95 por cento por produção estrangeira pesadamente em sintonia com interesses e valores destrutivos, imperiais e anti-nacionais?
Pode o Brasil pretender e alcançar melhorar seu desempenho no jogo pesado do poder mundial – como está tentando legitimamente - sem dispor de soberania plena sobre seu sistema de satélites, hoje nas mãos de uma empresa desnacionalizada (Embratel) e controlada por um país que está instalando bases militares na América do Sul, além da Quarta Frota?
É admissível um país possuidor de descomunais riquezas minerais e de um tesouro de biodiversidade - despertando cobiças igualmente colossais e sinistras num mundo marcado pelo intervencionismo de grandes potências - não dispor de um sistema de comunicação nacional voltado para a defesa da brasilidade, dos interesses nacionais, educativo, informativo e humanizador?
Será aceitável do ponto de vista da soberania-informativa um país como Brasil possuir salas de cinema em apenas 8 por cento dos seus municípios? É tolerável um país com inequívoco potencial para posições de liderança no cenário internacional registrar taxas tão indigentes de leitura de livros, jornais e revistas, inferior à registrada na Bolívia, sendo tão pobre também no número de bibliotecas e livrarias?
Vulnerabilidade informativo-cultural
Na idade da mídia, na idade do conhecimento, é decisivo que temas tão estratégicos para a emancipação de um povo e de uma nação recebam na Conferência Nacional de Comunicação que se avizinha o tratamento adequado como questão de soberania informativo-cultural. Assim, nesta primeira Confecom - convocada por um presidente que sintetiza em sua própria história de vida a luta de um povo por soberania informativo-cultural - a sociedade brasileira está inapelavalmente desafiada a descobrir, criativamente, caminhos eficazes para libertar seus sistemas de informação e comunicação do controle imposto por interesses rebaixados por um vale-tudo do mercado cartelizado e controlados por ideologias, modelos e valores de países intervencionistas e expansionistas! Estamos confrontados com a obrigação de construir um modelo de comunicação capaz de enfrentar a imensa vulnerabilidade informativo-cultural que pesa como uma ameaça à Nação Brasileira.
Partindo do princípio que só se pode considerar livre um povo efetivamente culto, constata-se estarmos diante de uma gigantesca tarefa de iniciar nesta I Conferência Nacional de Comunicação, uma caminhada para tentar fazer com que finalmente a comunicação no Brasil cumpra , pelo menos o que define a Constituição Federal. O capítulo da Comunicação Social da Constituição, se cumprido plenamente, já seria uma grande transformação comunicativa, pois prevê a proibição de monopólio e oligopólio, a regionalização, a finalidade educativa e informativa, e, especialmente, a complementaridade entre sistemas público, privado e estatal de comunicação, o que felizmente vemos estar sendo construído por nossos hermanos argentinos, com a aprovação de uma nova lei democrática de comunicação, que democratiza até mesmo a exibição de futebol na TV. Aqui, as tvs públicas estão proibidas de transmitir futebol. E as partidas se realizam muito tarde para um povo trabalhador, depois das telenovelas..... o que é imposto por uma trama de interesses não públicos.
A Confecom e os dois projetos
As importantes mudanças comunicativas em curso na América Latina, apresentadas falsamente pelos magnatas da mídia e pelo mais intervencionista dos países do mundo como se fossem formas de censura estatal, realmente são o pano de fundo de tudo o que se está discutindo pelo Brasil afora após a realização das Confecons estaduais. Algumas delas exemplarmente televisionadas pelas tvs do campo estatal, como a paranaense, transmitida ao vivo pela TVE do Paraná e a de Minas, transmitida também ao vivo pela TV Assembléia, ambas em sinal aberto. Fica evidente o desafio para que também a TV Brasil e outras, seguindo o feito exemplar das duas tvs estatais, também transmita as conferências que ainda faltam realizar e a própria Confecom Nacional.
Estes singelos porém importantes exemplos do Paraná e de Minas, estão sincronizados com a disputa de dois projetos em curso na América Latina. De um lado movem-se os poderosos interesses do grande capital pretendendo introduzir maiores facilidades para as grandes empresas oligopolistas da mídia mundial, demolindo ou flexibilizando os instrumentos de defesa de estado porventura ainda vigentes nos países da periferia. Aquilo que pretendiam com a Alca, projeto derrotado pelos povos que desenharam um novo mapa geopolítico latino-americano. Mas, continuam tentando fazer de outro modo. Ainda nos querem impor a Doutrina Monroe, agora para a era digital. Historicamente, não pode o império deixar de ser império. Registre-se que Obama é Prêmio Nobel da Paz mas ameaça militarmente o Irã, exige que a China - maior produtor mundial de computadores - renuncie à sua capacidade de concorrência, instala sete bases militares na Colômbia, com evidente capacidade operacional para todo o continente, como adverte, com lucidez, o Ministro Samuel Pinheiro Guimarães. Neste quadro de sombras, o Brasil, nem empresa nacional de satélites possui mais: FHC internacionalizou a Embratel. Os movimentos intervencionistas visando expandir a ocupação de mercados cada vez mais anexados à produção e à ideologia dos EUA, também são parte essencial do quadro de vulnerabilidades ideológicas em que ocorre a Confecom. Ainda que isto ainda não esteja explícito plenamente
Desnacionalização
Empresas transnacionais querem internacionalizar, desnacionalizar e obviamente cartelizar mais
e mais a comunicação no Brasil. O Projeto de Lei número 29, em tramitação na Câmara Federal, é um exemplo claro dos movimentos intervencionistas imperiais para retirar qualquer restrição ou defesa para livre operação dos oligopólios internacionais na tv por assinatura e também para que as telefônicas transnacionais - com suas sinistras ramificações de acionistas e anunciantes que conduzem até à indústria bélica - possam atuar na televisão local, em todas as modalidades. Para confundir os distraídos e ingênuos discutiram “cotas de produção nacional”, quando deveria ser o contrário. É indispensável que o Brasil tenha um instrumento de estado capaz de sustentar a soberania informativo-cultural dos brasileiros, como também restrições a esta deletéria invasão estrangeira de ideologias e valores imperiais, sustentados por grandes empresas estadunidenses, muitas delas localizadas no epicentro da crise financeira internacional e que, impunemente, continuam a beneficiar-se da emissão de dólar sem lastro, papel pintado, com o qual bancam projetos de renovada ingerência na América Latina.
Fazem parte deste projeto, entre outras, ações como a do Usaid, financiando praticamente a fundo perdido, Ongs , jornalistas e intelectuais latino-americanos para a defesa dos valores estratégicos do Departamente de Estado dos EUA sempre entrelaçados com os grandes interesses das empresas norte-americanas, como denunciam a advogada norte-americana Eva Golinger e o jornalista canadense Jean-Guy Allard. Essas operações são ampliadas agora pela recente determinação do programa radiofônico oficial do governo dos EUA, a ”Voz da América”, que decidiu fortalecer sua presença na América Latina, convocando jornalistas para cursos e estabelecendo um formato de rede com outras 300 emissoras de rádio na região.
Impedir os cambios
O objetivo é impedir a transformação comunicativa em curso, cujo significado mais preciso é o da recuperação dos espaços públicos midiáticos. Venezuela recupera o espaço radioelétrico como um bem público antes seqüestrado por oligarcas da comunicação vassalos da ditadura petroleira norte-americana e começa a fortalecer sua tv e rádio públicas, a comunicação comunitária é um fator democrático e soberano tangível na pátria de Bolívia, instala-se uma poderosa indústria de cinema, a “Villa del Cine”, clássicos da literatura internacional como “Dom Quixote”, recebem tiragem na casa dos milhões e são distribuídos gratuitamente. Até “Contos”, de Machado de Assis, mereceu na Venezuela uma tiragem de 350 mil exemplares, quando aqui no Brasil a tiragem padrão de livros é de apenas 3 mil exemplares. E nossa indústria gráfica tem uma capacidade ociosa de 50 por cento....
As mudanças percorrem os Andes, e a Bolívia forma uma Rede de Rádios dos Povos Originários, lança um jornal público, “Cambio” que, em apenas seis meses de vida, já vende tanto quanto o maior jornal privado que tem décadas de privilégios de mercado, nas quais apoiou todos os numerosos golpes de estado no país. No Equador a novidade avança pela TV e Rádio públicos, cria-se um Conselho de Comunicação, há uma revisão dos critérios para novas concessões atacando os privilégios para as oligarquias tradicionais, que se consideravam portadoras de algum “direito divino” para comandar a radiodifusão. A Argentina quebra o monopólio do Grupo Clarim, reestrutura, fortalece e qualifica a TV e Rádio públicos fundados na era peronista, reservando espaços iguais na radiodifusão para o setor privado, o setor público-estatal e também para a sociedade organizada, que terá direito a um terço do fazer comunicativo. Nicarágua e Uruguai também fortalecem legislações que expandem e qualificam o papel da comunicação pública. Estas mudanças estão na mira do império...
É neste pano de fundo que ocorre a Confecom no Brasil, com a oposição da Sociedade Interamericana de Prensa, entidade fundada pela Cia, e com seus jornais afiliados repetindo, esbaforidos, que “vem aí a censura estatal”, além de publicarem todo e qualquer tipo de ofensas aos governantes eleitos pelo voto das grandes massas pobres, chamando Evo Morales de narcotraficante, Hugo Chávez de psicopata e a Lula de analfabeto e outras baixarias. Se dissessem “cuidado, podemos perder nossos privilégios”, ou “a ditadura de mercado sobre a mídia está em risco”, ou “vamos ter que aceitar o absurdo de dividir a comunicação com o setor público e a sociedade”, talvez estivessem divulgando possibilidades mais realistas sobre o que está verdadeiramente em curso, mesmo que ainda muito embrionariamente. E com barreiras imensas a serem transpostas. Se Cristina Kirchner teve maioria parlamentar suficiente para aprovar uma lei democrática de comunicação, o mesmo não ocorre aqui no Brasil, pois a heterogênea base aliada de Lula possui forte e inconfiável presença de radiodifusores.
Ainda com todas estas evidentes ações de intervenção dos EUA contra as mudanças em curso ou contra aquelas que apenas começam a ser desenhadas, como no Brasil, há quem defenda, inclusive no chamado campo progressista, exemplos de práticas de comunicação norte-americanas, ao invés de buscarmos elaborar as linhas mestras para construir nosso próprio modelo de informação e comunicação, presidido pelo princípio da soberania informativo-cultural.
Uma voz para o Brasil
Será que um país com a experiência sócio-histórica acumulada que tem o Brasil, com pensadores do porte de um Álvaro Vieira Pinto, Câmara Cascudo, Roquette Pinto, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Anísio Teixeira, Josué de Castro e tantos e tantos outros, não teria também a condição de estruturar um sistema comunicativo livre destes padrões e ingerências nefastas do intervencionismo neocolonial? Não há clareza quanto aos objetivos avassaladores das políticas comunicativas emanadas pela Casa Branca para o mundo e em particular para a América Latina? Não se pratica lá uma das mais sofisticadas ditaduras midiáticas do mundo, capaz até de seduzir e enganar toda uma sociedade para que apoiasse a invasão do Iraque em base à mentirosa tese das armas de destruição em massa, divulgada criminosa e incessantemente pelo sistema de comunicação dos EUA, inclusive o público, com o que se cometeu um sanguinário massacre? E ainda há quem apresente o sistema de rádio público de lá como modelar... ...quando estão construindo um consenso interno para atacar nuclearmente o Irã. Basta dizer que todo o sanguinário intervencionismo dos EUA no mundo foi sustentado por sua mídia, inclusive sua comunicação pública, o que nos leva a afirmar que o sistema comunicativo estadunidense está entre os mais anti-democráticos do planeta, sobretudo se considerarmos a capacidade que possui para submeter a voz e os direitos históricos dos povos no mundo.
Carnaval, Rede, Câmara Cascudo, Villa-Lobos...
O povo brasileiro foi capaz de desenvolver inúmeras experiências sócio-culturais altamente comunicativas. Mencionemos a inteligência da invenção da rede lembrada por Câmara Cascudo, ou dos Coros Orfeônicos de massa criados pelo gênio de Villa-Lobos durante a Era Vargas. Ou do Cine-Educativo de Roquette Pinto e Humberto Mauro, nesta mesma fase de nossa história, quando a Rádio Nacional chegou a ser a quarta mais potente emissora do mundo, emitindo em 4 idiomas, alcançando todos os continentes e tendo entre seus escritores e cronistas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Nestor de Hollanda, Cecília Meirelles etc. Tão significativa foi aquela experiência comunicativa da emissora estatal que Carmem Miranda chegou a ser das principais cantoras nos Eua e a música “Aquarela do Brasil” a canção mais tocada no mundo em certo momento. Produziu-se importante publicação de integração cultural panamericana como “Pensamento da América”, retratada no interessante livro “América aracnídea”. E nem é preciso discorrer muito sobre esta exuberante expressão de comunicação de alcance planetário que é o Carnaval Brasileiro. Se lembrarmos que tivemos uma Rádio Mauá – a Emissora do Trabalhador - com razoável participação de segmentos sindicais e que fomos capazes de criar o programa como o “Voz do Brasil” quando o país era rural, quando as taxas de leitura eram ainda mais indigentes que as de hoje, um programa que chegava e ainda chega a todos os grotões levando informação relevante dos poderes públicos e que hoje está ameaçado pelos magnatas da comunicação que preferem o Voz da América.....constatamos que podemos aproveitar parte importante da nossa história. A Confecom é a oportunidade para tomar consciência de nossas vulnerabilidades informativo-culturais, dimensionar com realismo nossa imensa dívida e para iniciar a construção de um novo rumo a seguir, um modelo democrático , brasileiro e soberano de informação.
Ousar inventar, romper padrões
Como ensina Álvaro Vieira Pinto: na nossa história, todas as vezes em que os brasileiros tentaram ousar e inovar, quebrando padrões e modelos impostos das metrópoles, como os quebrados pelo o gênio de Villa-Lobos, sempre surgiam os “conselheiros”, os “especialistas” dizendo que tudo já estava feito, que não há nada de novo a fazer, que bastava seguir o caminho traçado....por eles. Foi assim que implantamos e desenvolvemos sob as asas sombrias da ditadura e posteriormente da tirania do mercado cartelizado, um sistema comercial de comunicação verdadeiramente embrutecedor, basicamente seguindo o modelo dos EUA.
Se Vargas tivesse dado ouvidos aos "especialistas" dos EUA que juravam que no Brasil não havia petróleo, hoje a Petrobrás não seria o colosso que é e nem teria a mais avançada das tecnologias de prospecção marítima de petróleo! Nem estaríamos a discutir a soberania sobre o petróleo pré-sal!!! Inovamos, ousamos, criamos, inventamos lá atrás! Se fomos capazes de gestar um espírito inovador e criativo como o de Santos Dumont, desdobrado posteriormente na construção de uma indústria aeronáutica própria como a Embraer - embora internacionalizada na Era da Privataria - fica claro que temos sim, como país e como povo, a capacidade de construir um modelo também inovador de comunicação. Aproveitar o que se fez de útil no passado, readaptar para os desafios da contemporaneidade, mas, sobretudo, retomando o caminho de dotar o estado de instrumentos capazes de realizar políticas públicas soberanas e estratégicas, como as praticadas por muitos países que não se avassalam e que por isso avançam na elevação informativo-cultural de seus povos.
Venezuela, Equador e Bolívia já derrotaram o analfabetismo. A mídia atuou favorávelmente a esta conquista. Aqui o sistema midiático, com o mais profundo desprezo, expande a dívida informativo-cultural que esmaga o nosso povo.
Rádio Mauá: a Emissora do Trabalhador
Sim, há tudo de novo por ser feito. Desde a recuperação dos espaços públicos midiáticos para sua verdadeira dimensão e missão públicas, a começar pela própria redistribuição do espectro radioelétrico, conforme prevê a Constituição, na forma tripartite que nunca foi regulamentada, como também para preservar o que é essencial, como o programa Voz do Brasil. Ou ainda a recuperação daquilo que foi importante e que foi demolido, como a experiência da Rádio Mauá. Que tal se a Rádio Mec em Brasília, hoje apenas encarregada de repetir o quase imperceptível sinal da Rádio Mec Rio - portanto, subutilizada - fosse destinada à recuperação da histórica Rádio Mauá, remodelada, potencializada, para que alcançasse todo o território nacional e tendo parte de sua programação elaborada por uma Fundação de Comunicação do Trabalhador, gerida democraticamente e de modo colegiado pelas centrais sindicais? A emissora já existe, hoje está sub-aproveitada, bastaria uma decisão de governo. Seria uma nova emissora do trabalhador, voltada para o mundo do trabalho, para educar profissionalmente, ecologicamente, para o consumo responsável, a para a agroecologia, para conceitos cidadãos de saúde, para educação estética, para o trânsito civilizado, podendo sim fazer um grande diferencial. Recursos para dotá-la de capacidade técnica e de quadros não faltam, já que são fartos, por exemplo, os recursos públicos dirigidos para o Telecurso Segundo Grau , programa escondido de seu público algo em transmissões pela madrugada, desrespeitando os contribuintes que pagam por sua produção.
As propostas aprovadas pelas conferências estaduais de comunicação indicam primeiramente, pelo seu volume e caráter repetitivo, o rompimento, o transbordar de algo que está engasgado, está represado. Mas, indicam também que ainda falta uma política mais realista para que se possa aproveitar a oportunidade da primeira Confecom para avançar naquilo que é indispensável e que, em boa medida, depende da organização das forças políticas progressistas em torno de uma tática eficiente. Que consiste inicialmente em avaliar atentamente que Lula não conta com a maioria parlamentar que Cristina Kirchner, Rafael Correa, Hugo Chávez e Evo Morales possuem para fazer as mudanças que estão operando na comunicação em seus países.
O significado das 59 propostas da Secom
As 59 propostas à Confecom apresentadas pelo governo Lula, por meio da Secom, indicam um importante grau de sintonia entre governo, amplas parcelas do movimento sindical-social e segmentos anti-monopolistas do empresariado. Muitas das propostas da Secom podem perfeitamente ser subscritas pelos delegados da Sociedade Civil, são coincidentes. Do gesto de convocação da Confecom por Lula à apresentação destas 59 propostas está a comprovação de que há condições reais para que a Conferência vá além da produção de um documento a ser enviado e posteriormente engavetado pelo Congresso Nacional, que é pressionado pela maioria dos magnatas da mídia. As 59 propostas da Secom também revelam a impropriedade de não se considerar o governo Lula como parte central na aliança do campo popular para democratização da comunicação, incompreensão que ainda permanece em alguns segmentos.
As grandes mudanças na comunicação do Brasil que dependem de mudanças constitucionais ou de sua regulamentação desembocam necessariamente na discussão do cenário que emergirá das urnas de 2010. Teremos uma maioria parlamentar não-capturada pela bancada do coronelismo eletrônico com capacidade para impor mudanças hoje? Essa base de sustentação deverá ser construída a partir da Confecom para assegurar um processo de mudanças, difíceis de ocorrer sem um campo popular organizado, no qual incluem-se governo Lula, movimentos sindical-social, partidos políticos e até segmentos não-monopolistas do empresariado.
A ciência da tática
Mas, há mudanças que podem ser operadas hoje, que estão ao alcance das políticas de estado, de ações de governo. Exemplo disso é a proposta de recuperação da RTVI (Rede de TVs Institucionais). Em 2004, Lula emitiu decreto presidencial criando tal rede que levaria a todos os municípios brasileiros, por meio de um sistema de repetição, o sinal das emissoras institucionais, com a possibilidade de que houvesse a geração de programação própria por um determinado período a cargo de municípios. Como era esperado, tal proposta encontrou raivosa oposição da Abert. Mas, obteve também a oposição, esta inesperada, da Fenaj, contrariada pela forma do decreto-lei escolhida pelo presidente da república. Como se o presidente eleito com mais 63 milhões de votos não tivesse representatividade para tal decisão. Perdemos tempo. Mas, com a Confecom a proposta pode ser recuperada já que foi aprovada no Paraná e no Rio de Janeiro. E pode ser atualizada para a tecnologia de TV digital, podendo inclusive incorporar em seu novo formato as TVs Comunitárias, evidentemente, operando em sinal aberto digital. O resultado bem poderia ser a municipalização da TV no Brasil, com forte impulso na indústria de equipamentos, gerando empregos, fortíssimo impulso no audiovisual brasileiro, também ampliando empregos e inovação de linguagem, identidade cultural e elevação estética, além de representar, simultaneamente, a regionalização da produção jornalístico-cultural e a integração informativo-cultural num país rico e continental, cujo vizinho, a Colômbia, está a instalar bases militares dos EUA, provavelmente, não para uma política de boa-vizinhança.....
Portanto, é preciso definir prioridades nesta Confecom e entre elas está a operação de políticas de comunicação e a construção de instrumentos de comunicação pública que nos permitam, como povo cada vez mais organizado, assegurar de fato a soberania informativo-cultural indispensável para que o Brasil possa atuar com legítimo e mais eficiente protagonismo no perigoso e explosivo jogo do poder político internacional. Mesmo que enormes mudanças sejam necessárias no sistema de comunicação do Brasil, devemos nos perguntar, nas condições atuais, na relação de forças atuais, e dentro do arco de alianças indispensável para enfrentar potentes oligopólios estrangeiros e internos, até onde vão as nossas forças e quais são as propostas que mais nos unem agora?
Não será nesta Confecom o ajuste final de contas com a ditadura midiática. Não será ainda o dia do juízo final midiático. Provavelmente, as forças progressistas não tenham a possibilidade de fazer a “virada de mesa” que desejam, inclusive porque muitas delas estavam céticas até mesmo quanto a participar da Confecom. É apenas uma etapa mais elevada desta longa caminhada, que deve ser aproveitada para alinhavar a sustentação e implementação de várias propostas, algumas delas emblemáticamente defendidas pelo próprio Governo Lula, sustentação que requer uma tática e um campo popular da comunicação pública cada vez mais unido e fortalecido.
Beto Almeida, Presidente da TV Cidade Livre de Brasília e
Membro da Junta Diretiva da Telesur
"Uma notícia tá chegando lá do interior0
não deu no rádio, no jornal, nem na televisão"
(Notícias do Brasil
Milton Nascimento/ Fernando Brandt)
Podemos considerar plenamente soberano um país que tenha o seu setor audiovisual invadido em 95 por cento por produção estrangeira pesadamente em sintonia com interesses e valores destrutivos, imperiais e anti-nacionais?
Pode o Brasil pretender e alcançar melhorar seu desempenho no jogo pesado do poder mundial – como está tentando legitimamente - sem dispor de soberania plena sobre seu sistema de satélites, hoje nas mãos de uma empresa desnacionalizada (Embratel) e controlada por um país que está instalando bases militares na América do Sul, além da Quarta Frota?
É admissível um país possuidor de descomunais riquezas minerais e de um tesouro de biodiversidade - despertando cobiças igualmente colossais e sinistras num mundo marcado pelo intervencionismo de grandes potências - não dispor de um sistema de comunicação nacional voltado para a defesa da brasilidade, dos interesses nacionais, educativo, informativo e humanizador?
Será aceitável do ponto de vista da soberania-informativa um país como Brasil possuir salas de cinema em apenas 8 por cento dos seus municípios? É tolerável um país com inequívoco potencial para posições de liderança no cenário internacional registrar taxas tão indigentes de leitura de livros, jornais e revistas, inferior à registrada na Bolívia, sendo tão pobre também no número de bibliotecas e livrarias?
Vulnerabilidade informativo-cultural
Na idade da mídia, na idade do conhecimento, é decisivo que temas tão estratégicos para a emancipação de um povo e de uma nação recebam na Conferência Nacional de Comunicação que se avizinha o tratamento adequado como questão de soberania informativo-cultural. Assim, nesta primeira Confecom - convocada por um presidente que sintetiza em sua própria história de vida a luta de um povo por soberania informativo-cultural - a sociedade brasileira está inapelavalmente desafiada a descobrir, criativamente, caminhos eficazes para libertar seus sistemas de informação e comunicação do controle imposto por interesses rebaixados por um vale-tudo do mercado cartelizado e controlados por ideologias, modelos e valores de países intervencionistas e expansionistas! Estamos confrontados com a obrigação de construir um modelo de comunicação capaz de enfrentar a imensa vulnerabilidade informativo-cultural que pesa como uma ameaça à Nação Brasileira.
Partindo do princípio que só se pode considerar livre um povo efetivamente culto, constata-se estarmos diante de uma gigantesca tarefa de iniciar nesta I Conferência Nacional de Comunicação, uma caminhada para tentar fazer com que finalmente a comunicação no Brasil cumpra , pelo menos o que define a Constituição Federal. O capítulo da Comunicação Social da Constituição, se cumprido plenamente, já seria uma grande transformação comunicativa, pois prevê a proibição de monopólio e oligopólio, a regionalização, a finalidade educativa e informativa, e, especialmente, a complementaridade entre sistemas público, privado e estatal de comunicação, o que felizmente vemos estar sendo construído por nossos hermanos argentinos, com a aprovação de uma nova lei democrática de comunicação, que democratiza até mesmo a exibição de futebol na TV. Aqui, as tvs públicas estão proibidas de transmitir futebol. E as partidas se realizam muito tarde para um povo trabalhador, depois das telenovelas..... o que é imposto por uma trama de interesses não públicos.
A Confecom e os dois projetos
As importantes mudanças comunicativas em curso na América Latina, apresentadas falsamente pelos magnatas da mídia e pelo mais intervencionista dos países do mundo como se fossem formas de censura estatal, realmente são o pano de fundo de tudo o que se está discutindo pelo Brasil afora após a realização das Confecons estaduais. Algumas delas exemplarmente televisionadas pelas tvs do campo estatal, como a paranaense, transmitida ao vivo pela TVE do Paraná e a de Minas, transmitida também ao vivo pela TV Assembléia, ambas em sinal aberto. Fica evidente o desafio para que também a TV Brasil e outras, seguindo o feito exemplar das duas tvs estatais, também transmita as conferências que ainda faltam realizar e a própria Confecom Nacional.
Estes singelos porém importantes exemplos do Paraná e de Minas, estão sincronizados com a disputa de dois projetos em curso na América Latina. De um lado movem-se os poderosos interesses do grande capital pretendendo introduzir maiores facilidades para as grandes empresas oligopolistas da mídia mundial, demolindo ou flexibilizando os instrumentos de defesa de estado porventura ainda vigentes nos países da periferia. Aquilo que pretendiam com a Alca, projeto derrotado pelos povos que desenharam um novo mapa geopolítico latino-americano. Mas, continuam tentando fazer de outro modo. Ainda nos querem impor a Doutrina Monroe, agora para a era digital. Historicamente, não pode o império deixar de ser império. Registre-se que Obama é Prêmio Nobel da Paz mas ameaça militarmente o Irã, exige que a China - maior produtor mundial de computadores - renuncie à sua capacidade de concorrência, instala sete bases militares na Colômbia, com evidente capacidade operacional para todo o continente, como adverte, com lucidez, o Ministro Samuel Pinheiro Guimarães. Neste quadro de sombras, o Brasil, nem empresa nacional de satélites possui mais: FHC internacionalizou a Embratel. Os movimentos intervencionistas visando expandir a ocupação de mercados cada vez mais anexados à produção e à ideologia dos EUA, também são parte essencial do quadro de vulnerabilidades ideológicas em que ocorre a Confecom. Ainda que isto ainda não esteja explícito plenamente
Desnacionalização
Empresas transnacionais querem internacionalizar, desnacionalizar e obviamente cartelizar mais
e mais a comunicação no Brasil. O Projeto de Lei número 29, em tramitação na Câmara Federal, é um exemplo claro dos movimentos intervencionistas imperiais para retirar qualquer restrição ou defesa para livre operação dos oligopólios internacionais na tv por assinatura e também para que as telefônicas transnacionais - com suas sinistras ramificações de acionistas e anunciantes que conduzem até à indústria bélica - possam atuar na televisão local, em todas as modalidades. Para confundir os distraídos e ingênuos discutiram “cotas de produção nacional”, quando deveria ser o contrário. É indispensável que o Brasil tenha um instrumento de estado capaz de sustentar a soberania informativo-cultural dos brasileiros, como também restrições a esta deletéria invasão estrangeira de ideologias e valores imperiais, sustentados por grandes empresas estadunidenses, muitas delas localizadas no epicentro da crise financeira internacional e que, impunemente, continuam a beneficiar-se da emissão de dólar sem lastro, papel pintado, com o qual bancam projetos de renovada ingerência na América Latina.
Fazem parte deste projeto, entre outras, ações como a do Usaid, financiando praticamente a fundo perdido, Ongs , jornalistas e intelectuais latino-americanos para a defesa dos valores estratégicos do Departamente de Estado dos EUA sempre entrelaçados com os grandes interesses das empresas norte-americanas, como denunciam a advogada norte-americana Eva Golinger e o jornalista canadense Jean-Guy Allard. Essas operações são ampliadas agora pela recente determinação do programa radiofônico oficial do governo dos EUA, a ”Voz da América”, que decidiu fortalecer sua presença na América Latina, convocando jornalistas para cursos e estabelecendo um formato de rede com outras 300 emissoras de rádio na região.
Impedir os cambios
O objetivo é impedir a transformação comunicativa em curso, cujo significado mais preciso é o da recuperação dos espaços públicos midiáticos. Venezuela recupera o espaço radioelétrico como um bem público antes seqüestrado por oligarcas da comunicação vassalos da ditadura petroleira norte-americana e começa a fortalecer sua tv e rádio públicas, a comunicação comunitária é um fator democrático e soberano tangível na pátria de Bolívia, instala-se uma poderosa indústria de cinema, a “Villa del Cine”, clássicos da literatura internacional como “Dom Quixote”, recebem tiragem na casa dos milhões e são distribuídos gratuitamente. Até “Contos”, de Machado de Assis, mereceu na Venezuela uma tiragem de 350 mil exemplares, quando aqui no Brasil a tiragem padrão de livros é de apenas 3 mil exemplares. E nossa indústria gráfica tem uma capacidade ociosa de 50 por cento....
As mudanças percorrem os Andes, e a Bolívia forma uma Rede de Rádios dos Povos Originários, lança um jornal público, “Cambio” que, em apenas seis meses de vida, já vende tanto quanto o maior jornal privado que tem décadas de privilégios de mercado, nas quais apoiou todos os numerosos golpes de estado no país. No Equador a novidade avança pela TV e Rádio públicos, cria-se um Conselho de Comunicação, há uma revisão dos critérios para novas concessões atacando os privilégios para as oligarquias tradicionais, que se consideravam portadoras de algum “direito divino” para comandar a radiodifusão. A Argentina quebra o monopólio do Grupo Clarim, reestrutura, fortalece e qualifica a TV e Rádio públicos fundados na era peronista, reservando espaços iguais na radiodifusão para o setor privado, o setor público-estatal e também para a sociedade organizada, que terá direito a um terço do fazer comunicativo. Nicarágua e Uruguai também fortalecem legislações que expandem e qualificam o papel da comunicação pública. Estas mudanças estão na mira do império...
É neste pano de fundo que ocorre a Confecom no Brasil, com a oposição da Sociedade Interamericana de Prensa, entidade fundada pela Cia, e com seus jornais afiliados repetindo, esbaforidos, que “vem aí a censura estatal”, além de publicarem todo e qualquer tipo de ofensas aos governantes eleitos pelo voto das grandes massas pobres, chamando Evo Morales de narcotraficante, Hugo Chávez de psicopata e a Lula de analfabeto e outras baixarias. Se dissessem “cuidado, podemos perder nossos privilégios”, ou “a ditadura de mercado sobre a mídia está em risco”, ou “vamos ter que aceitar o absurdo de dividir a comunicação com o setor público e a sociedade”, talvez estivessem divulgando possibilidades mais realistas sobre o que está verdadeiramente em curso, mesmo que ainda muito embrionariamente. E com barreiras imensas a serem transpostas. Se Cristina Kirchner teve maioria parlamentar suficiente para aprovar uma lei democrática de comunicação, o mesmo não ocorre aqui no Brasil, pois a heterogênea base aliada de Lula possui forte e inconfiável presença de radiodifusores.
Ainda com todas estas evidentes ações de intervenção dos EUA contra as mudanças em curso ou contra aquelas que apenas começam a ser desenhadas, como no Brasil, há quem defenda, inclusive no chamado campo progressista, exemplos de práticas de comunicação norte-americanas, ao invés de buscarmos elaborar as linhas mestras para construir nosso próprio modelo de informação e comunicação, presidido pelo princípio da soberania informativo-cultural.
Uma voz para o Brasil
Será que um país com a experiência sócio-histórica acumulada que tem o Brasil, com pensadores do porte de um Álvaro Vieira Pinto, Câmara Cascudo, Roquette Pinto, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Anísio Teixeira, Josué de Castro e tantos e tantos outros, não teria também a condição de estruturar um sistema comunicativo livre destes padrões e ingerências nefastas do intervencionismo neocolonial? Não há clareza quanto aos objetivos avassaladores das políticas comunicativas emanadas pela Casa Branca para o mundo e em particular para a América Latina? Não se pratica lá uma das mais sofisticadas ditaduras midiáticas do mundo, capaz até de seduzir e enganar toda uma sociedade para que apoiasse a invasão do Iraque em base à mentirosa tese das armas de destruição em massa, divulgada criminosa e incessantemente pelo sistema de comunicação dos EUA, inclusive o público, com o que se cometeu um sanguinário massacre? E ainda há quem apresente o sistema de rádio público de lá como modelar... ...quando estão construindo um consenso interno para atacar nuclearmente o Irã. Basta dizer que todo o sanguinário intervencionismo dos EUA no mundo foi sustentado por sua mídia, inclusive sua comunicação pública, o que nos leva a afirmar que o sistema comunicativo estadunidense está entre os mais anti-democráticos do planeta, sobretudo se considerarmos a capacidade que possui para submeter a voz e os direitos históricos dos povos no mundo.
Carnaval, Rede, Câmara Cascudo, Villa-Lobos...
O povo brasileiro foi capaz de desenvolver inúmeras experiências sócio-culturais altamente comunicativas. Mencionemos a inteligência da invenção da rede lembrada por Câmara Cascudo, ou dos Coros Orfeônicos de massa criados pelo gênio de Villa-Lobos durante a Era Vargas. Ou do Cine-Educativo de Roquette Pinto e Humberto Mauro, nesta mesma fase de nossa história, quando a Rádio Nacional chegou a ser a quarta mais potente emissora do mundo, emitindo em 4 idiomas, alcançando todos os continentes e tendo entre seus escritores e cronistas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Nestor de Hollanda, Cecília Meirelles etc. Tão significativa foi aquela experiência comunicativa da emissora estatal que Carmem Miranda chegou a ser das principais cantoras nos Eua e a música “Aquarela do Brasil” a canção mais tocada no mundo em certo momento. Produziu-se importante publicação de integração cultural panamericana como “Pensamento da América”, retratada no interessante livro “América aracnídea”. E nem é preciso discorrer muito sobre esta exuberante expressão de comunicação de alcance planetário que é o Carnaval Brasileiro. Se lembrarmos que tivemos uma Rádio Mauá – a Emissora do Trabalhador - com razoável participação de segmentos sindicais e que fomos capazes de criar o programa como o “Voz do Brasil” quando o país era rural, quando as taxas de leitura eram ainda mais indigentes que as de hoje, um programa que chegava e ainda chega a todos os grotões levando informação relevante dos poderes públicos e que hoje está ameaçado pelos magnatas da comunicação que preferem o Voz da América.....constatamos que podemos aproveitar parte importante da nossa história. A Confecom é a oportunidade para tomar consciência de nossas vulnerabilidades informativo-culturais, dimensionar com realismo nossa imensa dívida e para iniciar a construção de um novo rumo a seguir, um modelo democrático , brasileiro e soberano de informação.
Ousar inventar, romper padrões
Como ensina Álvaro Vieira Pinto: na nossa história, todas as vezes em que os brasileiros tentaram ousar e inovar, quebrando padrões e modelos impostos das metrópoles, como os quebrados pelo o gênio de Villa-Lobos, sempre surgiam os “conselheiros”, os “especialistas” dizendo que tudo já estava feito, que não há nada de novo a fazer, que bastava seguir o caminho traçado....por eles. Foi assim que implantamos e desenvolvemos sob as asas sombrias da ditadura e posteriormente da tirania do mercado cartelizado, um sistema comercial de comunicação verdadeiramente embrutecedor, basicamente seguindo o modelo dos EUA.
Se Vargas tivesse dado ouvidos aos "especialistas" dos EUA que juravam que no Brasil não havia petróleo, hoje a Petrobrás não seria o colosso que é e nem teria a mais avançada das tecnologias de prospecção marítima de petróleo! Nem estaríamos a discutir a soberania sobre o petróleo pré-sal!!! Inovamos, ousamos, criamos, inventamos lá atrás! Se fomos capazes de gestar um espírito inovador e criativo como o de Santos Dumont, desdobrado posteriormente na construção de uma indústria aeronáutica própria como a Embraer - embora internacionalizada na Era da Privataria - fica claro que temos sim, como país e como povo, a capacidade de construir um modelo também inovador de comunicação. Aproveitar o que se fez de útil no passado, readaptar para os desafios da contemporaneidade, mas, sobretudo, retomando o caminho de dotar o estado de instrumentos capazes de realizar políticas públicas soberanas e estratégicas, como as praticadas por muitos países que não se avassalam e que por isso avançam na elevação informativo-cultural de seus povos.
Venezuela, Equador e Bolívia já derrotaram o analfabetismo. A mídia atuou favorávelmente a esta conquista. Aqui o sistema midiático, com o mais profundo desprezo, expande a dívida informativo-cultural que esmaga o nosso povo.
Rádio Mauá: a Emissora do Trabalhador
Sim, há tudo de novo por ser feito. Desde a recuperação dos espaços públicos midiáticos para sua verdadeira dimensão e missão públicas, a começar pela própria redistribuição do espectro radioelétrico, conforme prevê a Constituição, na forma tripartite que nunca foi regulamentada, como também para preservar o que é essencial, como o programa Voz do Brasil. Ou ainda a recuperação daquilo que foi importante e que foi demolido, como a experiência da Rádio Mauá. Que tal se a Rádio Mec em Brasília, hoje apenas encarregada de repetir o quase imperceptível sinal da Rádio Mec Rio - portanto, subutilizada - fosse destinada à recuperação da histórica Rádio Mauá, remodelada, potencializada, para que alcançasse todo o território nacional e tendo parte de sua programação elaborada por uma Fundação de Comunicação do Trabalhador, gerida democraticamente e de modo colegiado pelas centrais sindicais? A emissora já existe, hoje está sub-aproveitada, bastaria uma decisão de governo. Seria uma nova emissora do trabalhador, voltada para o mundo do trabalho, para educar profissionalmente, ecologicamente, para o consumo responsável, a para a agroecologia, para conceitos cidadãos de saúde, para educação estética, para o trânsito civilizado, podendo sim fazer um grande diferencial. Recursos para dotá-la de capacidade técnica e de quadros não faltam, já que são fartos, por exemplo, os recursos públicos dirigidos para o Telecurso Segundo Grau , programa escondido de seu público algo em transmissões pela madrugada, desrespeitando os contribuintes que pagam por sua produção.
As propostas aprovadas pelas conferências estaduais de comunicação indicam primeiramente, pelo seu volume e caráter repetitivo, o rompimento, o transbordar de algo que está engasgado, está represado. Mas, indicam também que ainda falta uma política mais realista para que se possa aproveitar a oportunidade da primeira Confecom para avançar naquilo que é indispensável e que, em boa medida, depende da organização das forças políticas progressistas em torno de uma tática eficiente. Que consiste inicialmente em avaliar atentamente que Lula não conta com a maioria parlamentar que Cristina Kirchner, Rafael Correa, Hugo Chávez e Evo Morales possuem para fazer as mudanças que estão operando na comunicação em seus países.
O significado das 59 propostas da Secom
As 59 propostas à Confecom apresentadas pelo governo Lula, por meio da Secom, indicam um importante grau de sintonia entre governo, amplas parcelas do movimento sindical-social e segmentos anti-monopolistas do empresariado. Muitas das propostas da Secom podem perfeitamente ser subscritas pelos delegados da Sociedade Civil, são coincidentes. Do gesto de convocação da Confecom por Lula à apresentação destas 59 propostas está a comprovação de que há condições reais para que a Conferência vá além da produção de um documento a ser enviado e posteriormente engavetado pelo Congresso Nacional, que é pressionado pela maioria dos magnatas da mídia. As 59 propostas da Secom também revelam a impropriedade de não se considerar o governo Lula como parte central na aliança do campo popular para democratização da comunicação, incompreensão que ainda permanece em alguns segmentos.
As grandes mudanças na comunicação do Brasil que dependem de mudanças constitucionais ou de sua regulamentação desembocam necessariamente na discussão do cenário que emergirá das urnas de 2010. Teremos uma maioria parlamentar não-capturada pela bancada do coronelismo eletrônico com capacidade para impor mudanças hoje? Essa base de sustentação deverá ser construída a partir da Confecom para assegurar um processo de mudanças, difíceis de ocorrer sem um campo popular organizado, no qual incluem-se governo Lula, movimentos sindical-social, partidos políticos e até segmentos não-monopolistas do empresariado.
A ciência da tática
Mas, há mudanças que podem ser operadas hoje, que estão ao alcance das políticas de estado, de ações de governo. Exemplo disso é a proposta de recuperação da RTVI (Rede de TVs Institucionais). Em 2004, Lula emitiu decreto presidencial criando tal rede que levaria a todos os municípios brasileiros, por meio de um sistema de repetição, o sinal das emissoras institucionais, com a possibilidade de que houvesse a geração de programação própria por um determinado período a cargo de municípios. Como era esperado, tal proposta encontrou raivosa oposição da Abert. Mas, obteve também a oposição, esta inesperada, da Fenaj, contrariada pela forma do decreto-lei escolhida pelo presidente da república. Como se o presidente eleito com mais 63 milhões de votos não tivesse representatividade para tal decisão. Perdemos tempo. Mas, com a Confecom a proposta pode ser recuperada já que foi aprovada no Paraná e no Rio de Janeiro. E pode ser atualizada para a tecnologia de TV digital, podendo inclusive incorporar em seu novo formato as TVs Comunitárias, evidentemente, operando em sinal aberto digital. O resultado bem poderia ser a municipalização da TV no Brasil, com forte impulso na indústria de equipamentos, gerando empregos, fortíssimo impulso no audiovisual brasileiro, também ampliando empregos e inovação de linguagem, identidade cultural e elevação estética, além de representar, simultaneamente, a regionalização da produção jornalístico-cultural e a integração informativo-cultural num país rico e continental, cujo vizinho, a Colômbia, está a instalar bases militares dos EUA, provavelmente, não para uma política de boa-vizinhança.....
Portanto, é preciso definir prioridades nesta Confecom e entre elas está a operação de políticas de comunicação e a construção de instrumentos de comunicação pública que nos permitam, como povo cada vez mais organizado, assegurar de fato a soberania informativo-cultural indispensável para que o Brasil possa atuar com legítimo e mais eficiente protagonismo no perigoso e explosivo jogo do poder político internacional. Mesmo que enormes mudanças sejam necessárias no sistema de comunicação do Brasil, devemos nos perguntar, nas condições atuais, na relação de forças atuais, e dentro do arco de alianças indispensável para enfrentar potentes oligopólios estrangeiros e internos, até onde vão as nossas forças e quais são as propostas que mais nos unem agora?
Não será nesta Confecom o ajuste final de contas com a ditadura midiática. Não será ainda o dia do juízo final midiático. Provavelmente, as forças progressistas não tenham a possibilidade de fazer a “virada de mesa” que desejam, inclusive porque muitas delas estavam céticas até mesmo quanto a participar da Confecom. É apenas uma etapa mais elevada desta longa caminhada, que deve ser aproveitada para alinhavar a sustentação e implementação de várias propostas, algumas delas emblemáticamente defendidas pelo próprio Governo Lula, sustentação que requer uma tática e um campo popular da comunicação pública cada vez mais unido e fortalecido.
Beto Almeida, Presidente da TV Cidade Livre de Brasília e
Membro da Junta Diretiva da Telesur
Assinar:
Postagens (Atom)
